28 junho, 2004
Datas
Sou levado pela emoção quando recebo algum mimo. Quis o destino ontem, meu filho trazer a namorada e ela me ofertou cinco camélias dentro de um copo d'água. Meio sem jeito, me presenteou. Abri um sorriso por fora e uma piscina de emoção me inundou por dentro. Tenho agora elas aqui em cima de minha mesa. Neste ano, dia 27 de junho, celebrei novamente meu aniversário.
Eu nasci no dia 5 de março. É uma data que ninguém se preocupa muito em festejar. Está mais para organizar o ano que realmente se inicia e é só mais uma folhinha que se destaca. Não é uma calenda, nem uma nona, muito menos um dia revolucionário. Não é tão importante assim. Decidi então, que o próprio curso da vida me proporcionaria um momento de elegria, onde daí eu iria erguer um brinde à data que já passou.
25 junho, 2004
Somos todos iguais
De: xxx@xxx.xxx.xx
Beau, Envolto em minhas primeiras experiências com blogs acabo de me deparar com o seu, curiosamente quase no mesmo template. Achei bem, bem legal, torna o meu piegas e bobinho, tadinho. Mas vá lá, cada um com seu cada um, nao sou mesmo um homem de letras, mas um tecnocrata apaixonado precisando se exprimir depois de velho¹. Se quiser visitar o meu e opinar, http://trajana.blogspot.com
(¹) Beau comenta: O que é ser velho? Penso que se expressou de uma maneira informal. Um velho pode ser infantil, assim como um infante pode ser velho. A definição de velho é extremamente subjetiva. Como eu gostaria de usufruir da companhia do arquiteto Niemeyer com suas inovadoras criações. Velho também gosta de tomar sorvete e ficar saboreando as mulheres na calçada. Principalmente se for aquela que se quer ver. Continuo afirmando que a questão afetiva sustenta o nosso ânimo. No contrário, só nos faz desabar.
Data: Sex, 25 de Junho de 2004, 8:12
Para:
Assunto: Blogs
Anotei: Quinta feira, vi no Jornal Nacional a charge do Chico Caruso mostrando o Leonel Brizola no céu, recebendo as boas vindas de Getúlio e Jango. O diálogo: "Bien venido hermano, usted llegó mui temprano!" Será que pensa que aqui no sul, falamos todos espanhol? Ele se acha engraçado. Lhe falta mais espirituosidade. Muito explícito. Nunca vi ninguém daqui expressar ao menos um sorriso. Talvez seja pelo caráter nacional da transmissão de TV e pela diversidade do povo, não se pode satisfazer a todos. Parei!
24 junho, 2004
O caudilho que eu conheci
Lembrei-me que há poucos dias havia feito um comentário entre os meus, que quando o Brizola morrer, se encerraria o ciclo "trabalhista" no Rio Grande do Sul. Não vou me atrever a falar detalhes de sua carreira política. Nem caberia neste blog mesmo que usasse de muita síntese. No entanto, pela sua trajetória, acredito que ele seja o último dos últimos caudilhos da estirpe gaúcha. Pois com a tez preocupada em encontrar palavras de impacto, falava de um jeito franco, sincero e direto, o que o povo interpretou como 'tijolaços'. Mesmo assim expressava um sorriso largo quando gostava de algo. E assim possuía um carisma arrebatador.
Certa feita, eu ainda aluno do ginásio, barrei o Brizola na porta do teatro quando veio prestigiar um evento na minha escola. Me colocaram alí para não deixar entrar quem não possuia convites. Tomei guarda literalmente. Quando ele chegou, me postei na sua frente e com a mão aberta fiz o clássico gesto de coletor de ingressos porém sem sucesso, porque não o tinha. Fiquei posicionado impassível demonstrando toda minha resolução que sem o ingresso ele não entrava. Depois de alguns constrangimentos o diretor da escola veio em seu socorro. Percebendo de minha ingenuidade, sorriu largo, passou a mão sobre meus cabelos claros - de corte cadete - e disse que um dia eu seria um exemplar soldado - como realmente ocorreu, somente que com graduação de tenente.
Passados alguns anos, me deparei novamente com sua figura em 1964 no largo da prefeitura, um ou dois dias após o 31 de março, eu como um anônimo, a ouvir seus discursos inflamados clamando pela resistência contra o golpe militar. Assim foi, até a chegada do caminhão carregado dos PMs. Fosse hoje, certamente eu ganharia uma medalha de ouro nos mil metros rasos pois nunca imaginei que vendo baixar a pancadaria eu pudesse correr tão rápido pela Av. Voluntários afora. Bom, isso foi outra história.
Mesmo não concordando com tudo que fez, fiquei sim, emocionado com sua prematura morte. Ele era um caudilho romântico. Bem merecia um cortejo com carro fúnebre puxado por magníficos cavalos da nossa raça crioula, montados e guarnecidos por lanceiros vestidos de botas, bombachas e lenço colorado; chapéu tapeado na frente e no queixo o barbicacho bem ao estilo dos gaúchos. Seria uma visão épica de uma existência que aí se encerra.
Vai ser sepultado em São Borja, cidade originada de um dos 7 povos das reduções jesuíticas, um território que foi resgatado da Espanha quando do Tratado de Sto. Idelfonso (1777). pelo qual Portugal acertou entregar à Espanha a Colônia do Sacramento no Uruguai em troca da faixa de terra das Missões que pertencia à Argentina. Pertinho dalí ficava uma vila, onde tudo o que "Aconteceu Em Antares" o Érico Veríssimo relatou. Também perto de onde eu nasci. O Prestes, com sua coluna, também iniciou sua marcha por lá. Pura HISTÓRIA com nossas fronteiras ainda vivas. Por essas e outras o Rio Grande está coalhado de quartéis, uma concentração nunca vista de tantas unidades militares juntas.
Então, se não paro de escrever agora, não tem blog que agüente. O último dos caudilhos. Isto é o que o Brizola foi. Assim como ele, o caráter gaúcho tem raízes nestas lutas de glórias. São cultivadas nos da mais tenra idade e mantidas vivas nos CTGs.
22 junho, 2004
Conversando com um industrial de laticínios, ouvi dele a notícia de que os bancos poderiam adonar-se da "nova" Parmalat. "Quando pressenti que a Parmalat iria quebrar, logo pensei se eu tivesse um tambo de leite, tomaria imediatamente algum bem qualquer como garantia do pagamento da venda de meu produto". A lógica ficou invertida: enquanto os produtores ficam pensando numa solução legal, os banqueiros assessorados de um batalhão de advogados se antecipam, armando o bote e agora querem todo o bem patrimonial. A justiça é tão cega quanto os bancos são leiteiros.
21 junho, 2004
Existem páginas no diário de Pero Vaz de Caminha, em que ele somente registrou:
"Além de um céu azul, além de um mar profundo, nada mais tenho a relatar."
Na falta do que fazer na caravela, o carinha também era poeta!
Recebi Este Texto, de alguém que percebeu o esfôrço que faço para resistir e manter minha "fortaleza". Afora disso, o texto descreve uma aventura que ainda não teminou e que todos nós fomos vítimas e reféns dela.
Amanhã eu parto. Estivesse eu na França, diria: vou para a região de "CHAMPAGNE" (assim pronunciava minha professora de francês fazendo biquinho). Na verdade, aqui, se tomamos direção à fronteira, denominamos aquela paisagem de campanha, ou simplesmente, o nosso pampa. Uma vez eu li "O Gaúcho" de José de Alencar. Como pode um cearense comparar tão bem as ondulações de nossa campanha como se tivesse o vislumbre das ondas do mar?
20 junho, 2004
Simplicidade
De: xxx@xxx.xxx.xx
Data: Dom, 20 de Junho de 2004, 23:12
Para: beaugeste@estadao.com.br
Assunto: Re: Convite para editar um texto
"Sonhei acordada
Que despertava
Me espreguiçando
Em você."
18 junho, 2004
stou iniciando uma nova fase. Dizem que existe idade para isso e para 'quilo. Então. Quando me sobrar tempo, "vou parar de chutar latas pela rua" e mergulhar nos livros do mundo maravilhoso da cultura grega. Estou organizando os temas por onde começar. Talvez pelas Tragédias (Édipo o Rei), por Homero, a Ilíada, a Odisséia, as Guerras de Tróia, tudo isso acompanhado de um bom dicionário de mitologia. Sábado, pela manhã, irei dar uma olhada nos "sebos" para ver se encontro algo. Se o livro estiver maltratado ou for edição antiga, irei ler página por página à medida que executo o trabalho de restauro e encadernação, prática esta adquiridos no atelier da Profª Elsa. Ah, se você gostaria de me assessorar, será bem vindoa. (não existe neutro em português?)
17 junho, 2004
Mário Quintana
Quando ainda me encontrava no colégio cursando o "científico", hoje segundo grau, conheci o Mário Quintana na Biblioteca Pública lendo um livro de sua própria autoria. Estava eu revirando o fichário, quando ele se aproximou e disse: "Pra que procurar tanto se eu lhe empresto o meu?". Foi quando eu li seus primeiros poeminhas. Depois acompanhei suas inserções no "Correio do Povo", sempre aos domingos no Caderno Z. Afastei-me de Porto Alegre e por idas e vindas fixei definitivamente residência aqui, quando uma vez nos encontramos novamente, daí no café do Theatro São Pedro. Ele já velhinho, sustentado por duas mocinhas lindas, encantadoras. Pensei ... "só um poeta como ele, pode usufruir da companhia de tanta juventude". Fez por merecer. Quem não se encanta com alguém que fala assim: "... Eles todos passarão. Eu... passarinho".
16 junho, 2004
Nada como um dia após o outro. Enfim! Talvez (para os astros que cintilam longe) agora eu possa falar melhor de como é nosso inverno daqui. Não é o frio somente. Também existem coisas que estão entre o céu e a terra e que não sabemos exatamente como explicar. Mas passei duas noites de brilho. Brilho musical. Estamos em plena temporada de música. Música de qualidade. Segunda feira apreciei um concerto no Theatro São Pedro. O melhor da sociedade estava lá por pura vontade de escutar música, porque só a música reúne estas pessoas para ouvir aquilo em comum: Johan Sebastian Bach e Tchaikovsky. Muitas palmas. Palmas sinceras, e para o bis, Scriabin e Lizst. Ah, e meu filho na segunda fila dos violinos. Depois ao finalizar, uma surpresa. Todos foram convidados ao cocktail no foyer do teatro em homenagem ao público pelos vinte anos passados da restauração do teatro. Todos elegantes, todos bem vestidos, posturas bonitas, de volta à civilização. Serviram desde champanhe, canapés, doces e guaraná. Beleza pura. Sorrisos constantes. Lindo!
Pronto! E para completar, ontem, Terça feira, o Concerto da Série Lilás da Orquestra Sinphônica de Porto Alegre, com o maestro Karabtchevsky. Uma noite branca, fria, porém as pessoas desprendendo de si muito calor pela música, pelo encantamento na sinergia dos músicos. Iniciou com "Leonora" - Abertura n° 2 de Beethoven. Depois "Missa da Coroação" de Mozart. E no final, "Fantasia Coral" de Beethoven. Peço que tenham paciência mas vou arrolar: Caio Pagano (solista no piano); Eduardo Itaborahy (Tenor); Claudia Riccitteli (Soprano); Luisa Francesconi (Mezzo); Ariel Cazes (Baixo). Mais o Coro Sinphônico (55 cantores) e claro, o brilhante maestro Isaac Karabtchevsky. Falei Série Lilás? Viram! A música também tem cor.
Obs.: Sobraram dois programas comigo, Alguém vai querer? Envio pelo correio intergalacticamente, mas envio sim.
Porto Alegre me prende pelo cordão umbilical. Este frio me faz bem. O frio daqui é quente. Tem de saber arpreciar. Se não sabe eu ensino. Pego pela mão e lhe levo a tomar um chocolate quente na Casa de Cultura do poeta Mário Quintana. Muita música no ar. Muita. Assim... fica bom?
10 junho, 2004
Choveu cântaros, choveu cascatas. Diz a meteorologia que só vai parar quando o vento sul chegar, acompanhado de um frio intenso. As vezes ele tras consigo lembranças uruguaias desprendidas no ar como a fragrância de uma morocha perfumada. Outras vezes, no silêncio da noite, notas musicais de algum tango argentino. Mas se espero por um afeto que não chega, o tempo e o vento conspiram para transformar meus pensamentos numa milonga interminável.
Diálogo estelar
Oi. O que é feito de você?
"Nada."
Está muda.
"Estou só lhe observando."
Algum carro aí lhe atropelou?
"Ah, no céu não andam carros."
Não pagou o telefone, o provedor?
"No firmamento não existem telefones."
Desistiu da vida e defenestrou?
"Que é isso meu amigo?"
Então!
Quero lhe dizer que você me faz falta, que ainda sou seu.
Ainda não morri de tesão. Preciso mais de você. Porque preciso que me mate.
Que me mate aos pouquinhos. Assim, devagar. Depois rapidinho.
Porque já cheguei bem perto de sentir como é gostoso morrer de tesão.
A alma fugir do corpo. Levitar. Isso que é gozo bom.
(Vai se catar, Henry Miller!)
Então mesmo morto, me sentirei mais seu.
09 junho, 2004
Meu outono
Nuvens brancas pairam no céu, diferentes das de verão que são de algodão. As de outono vem com cor gelo mais denso, feitas de sorvete italiano. Já as de inverno são cinza escuras, pegajosas e frias. Só servem para eu pensar em me abrigar num restaurante lotado de gente tomando vinho com foundie, e música boa de lareira acesa. Claro que sozinho não. O outono me faz bem. Muito bem.
08 junho, 2004
Negócios na China
"Que morram primeiro os chineses, depois nós". Seria isso o que alguns exportadores brasileiros de soja contaminada por fungicidas estariam pensando ao fechar contratos com a China? Imaginavam que, por ela estar tão longe, causando alguma catástrofe, nada daquilo nos atingiria até porque se consumissem aquela soja em forma de azeite, margarina, ou ração seria problema deles. O que os olhos não vêem o coração não sente. Ledo engano. Quando lá aportaram estes navios carregados do produto venenoso, as análises detectaram e imediatamente os mandaram de volta. Bem feito. Porém que prejuízos aos nossos exportadores! Como recuperar? Simples, ora. Já temos exemplos anteriores. Na época do desastre do vazamento nuclear da usina de Chernobil o Sarney autorizou a importação da carne contaminada por radiação atômica, em razões que até hoje se desconhece. Ou melhor, abriu suspeitas de alguém ter recebido uma beirada boa de dinheiro depositado num banco qualquer do planeta. E ninguém mandou esta carne de volta. Que noção de pátria tem um presidente que deixa contaminar todo seu povo? Hoje ele é o presidente do Senado, Como os macacos, ele não desgruda nunca do seu galho. Que moral! Por isso, temos que desconfiar. Fiquemos de olhos bem abertos para que não nos usem de novo para descarregar em nós os prejuízos causados pela incompetência e esperteza de uns poucos e maus brasileiros exportadores de enganações. Há uns dez anos ríamos do atraso dos chineses. Hoje temos de baixar a cabeça e aguentar a inteligência deles em detrimento da ineficiência de nosso controladores sanitários que por nada, podem até nos matar. Assim como nas embalagens de sementes existe um aviso: "Cuidado, semente tratada imprópria para o consumo", no mínimo, deveriam colocar nas embalagens de margarina uma tarja com os dizeres: "Este produto foi industrializado com soja não contaminada por fungicidas". Ou apenas informar que possuem a certificação SA 8000. Responsabilidade social é isso.
07 junho, 2004
Sobre o jornalista Larry que tentou desmoralizar Lula
Os segredos do Agente da CIA e jornalista nas horas vagas Larry Rohter
Por Célia Ladeira 16/05/2004 às 15:19
Os segredos de Larry Rohter
Este artigo é de autoria da professora de jornalismo da UnB, Célia Ladeira:
Eu não digo nada que não pode ser comprovado por qualquer bom jornalista, do Brasil ou de fora dele. Basta um pouco de paciência e vão ver que é tudo absoluta verdade. Passo esta mensagem porque gosto muito de jornalismo e de jornalistas, mas o Larry Rohter tem mostrado que não é um colega de verdade, e que tem uma outra vida, muito sombrosa, que não tem nada a ver com nossa missão informativa.
Conheci essa pessoa há muitos anos e convivo com pessoas que conhecem ele muito bem. Portanto, eu não estou dizendo muita coisa nova, mas dizendo coisas que poucas pessoas estão hoje sabendo.
1) Larry não é só jornalista, mas um tipo de agente civil, bem pago, que faz coisas que CIA e FBI não podem fazer. Ele tem trabalhado em toda latin america, sempre com um caderninho de missões debaixo do braço. Quem conhece o Arquivo 33, do US State Department, Bureau of International Information Programs sabe do que eu estou falando. Pesquisem isso e vão descobrir muitas coisas sobre esses misseis teleguiados.
2) Eu pergunto: o que Larry Rohter foi fazer cinco vezes no US State Department of State nos últimos anos? Média de uma visita a cada ano, e sem contar os almoços com gente estranha dos serviços secretos.
3) O jornalismo-estado americano tem usado Larry para varios serviços. Basta pesquisar e ver que ele foi a pessoa que fez a reportagem para desacreditar a prêmio Nobel da Paz Rigoberta Menchu, da Guatemala. Como fez com o Presidente Lula, Larry ridicularizou ela, fazendo a líder dos pobres passar por mentirosa. Isso está na imprensa e todos sabem que métodos Larry usou nesta reportagem.
4) Larry sempre foi instruído a trabalhar no setor da Amazônia. No artigo de junho de 2002, ele diz que os "brasileiros são ensinados desde o nascimento que a Amazonia é deles, mas seu governo não tem sido capaz de exercer efetiva soberania sobre a região". Isso está em Deep in Brazil, a Flight of Paranoid Fancy.
5) Em outro artigo, Larry arranjou jeito de dizer que a carne brasileira exportada saía da Amazônia, produzida por trabalho escravo. O governo brasileiro, ainda de Henrique Cardoso, reclamou na época. Isso prejudicou muito o Brasil no Exterior.
6) Na Venezuela, Larry foi várias vezes, sempre fazendo artigos muito negativos contra o presidente Chavez. Ele foi uma ponte entre gente do golpe e centrais de inteligencia americana. O dedo de Larry no atentado foi bastante comentado por David Smilde, da University of Chicago. Vários colegas da Venezuela reclamaram dos artigos mentirosos de Larry, que conseguiram ajudar a desestabilizar o país.
7) Procurem saber quem é Mark Rasch, um cyber policial americano que foi proibido de investigar ações de Larry Rohter. Por que será?
8) Larry Rohter é amigo de Claudio Humberto, ex assessor de Collor de Mello. Trocam muitos favores. É fácil comprovar.
9) Larry esteve envolvido até o pescoço com a montagem do cenário para justificar o plano Colombia. Todo mundo sabe da relação entre U.S. troops e os paramilitares que mataram civis naquele país. A anistia internacional tem indicios de que as forças especiais tiveram participação em casos com a carnificina de Mapiripan, em 1997. Larry silenciou. Mas depois contou direito a historia de El Salado. Foi de encomenda. Foi publicada um dia depois de Clinton assinar o acordo de "ajuda" pra Colombia. Larry tem por missão mostrar que esses países são ingovernáveis e, portanto, necessitam de "another formula".
10) Suas matérias tentam mostrar que o Brasil é contra a inspeção de centrais nucleares. Também é para assustar, como na matéria que ele fala que o Brasil está construindo submarinos nucleares, além de dar destaque enorme ao ex-ministro Amaral, como se fosse um perigoso explodidor de mundos.
11) Eu pergunto: em julho, Larry riu ao dizer que a base de Alcantara iria pelos ares. Falou como se previsse algo. Alguém poderia investigar suas relações, encontros com Charles E. Wilhelm (rdo - estratégia). Esse envolvimento me dá arrepios de pensar.
12) Larry Rohter bebe, possivelmente bem mais que Lula.
13) Em uma de suas viagens para Amazônia, contou para vários amigos depois a história de que dormiu duas noites com duas meninas índias. Isso me deu nojo. Era motivo para expulsar ele do Brasil.
14) Pergunto: por que Larry Rohter se encontrou 3 vezes com o político Jose Serra nas ultimas semanas?
15) Concordo com Cynthia Cotts em seu artigo Snow-Blind on 43rd Street.
16) Esse cara não presta e não é jornalista de verdade.
Muito obrigado. Espero ter ajudado o Brasil.
06 junho, 2004
O homem dos contras
Alguém se recorda do Reagan? Aquele ator de filmes de bang-bang que se tornou presidente dos Estados Unidos? Bom, como todo mundo um dia morre, o coitado (do verbo coitar) também morreu. Mas ao menos é bom lembrar dele quando ainda indignado por ter perdido a guerra do Vietnã, o mocinho decidiu investir contra o Irã quando o povo de lá, mediante uma revolução, contrariou os interesse americanos, se libertou e recuperou a identidade própria. Ele e a CIA resolveram pedir uma verba ao Congresso de apenas pouquinho mais de bilhões de dólares para subverter os iranianos a um movimento contra a revolução. Foi um fiasco. Além disso, metade desta verba foi desviada para tentar reconduzir ao poder o ditador Anastásio Somoza da Nicarágua, recém deposto pelos patriotas sandinistas, lembram? Financiaram então um exército de mercenários chamados "Os contras". Fizeram um embargo comercial para transformar a Nicarágua num Estado de miseráveis para se rebelarem contra seus chefes. Lembram? Com este embargo, enquanto o povo lutava, agremiações de estudantes de muitos países, inclusive do Brasil deslocaram-se até lá para ajudar na colheita da canade açúcar, banana e café. O Reagan deu asilo político a esse ditador e quando descobriram a maracutaia do dinheiro desviado decidiu ficar contra o "amigo", mandando-o para o Paraguai, também governado por um ditador, o Stroessner. Pensou que assim, ele lá longe no ostracismo de outra republiqueta de bananas seria esquecido. Lembram? Não deu outra. algum tempo depois, sandinistas disfarçados de produtores cinematográficos partiram via Brasil para o Paraguai e acabaram, também cinematograficamente, com a raça do Somoza. Lembram? Ô Reagan. Quê trajetória! Afora o que não se sabe. Afora o que o NYT não publicou. Afinal, o Reagan morreu sem saber porque aumenta cada vez mais no mundo o espírito anti-americano. Isso não precisamos lembrar. Isso todo mundo sabe.
05 junho, 2004
Falar com estrelas é coisa séria. É coisa de louco de tão séria. As vezes (no verão) acordo, abro a janela e sem parodiar Olavo Bilac, fico alí a admirá-las. Daí num repente, surge um assunto e conversamos. Para conversar temos regras. Melhor, uma regra só: não vale falar sobre mágoas. Como digo sempre, a vida é feita de boas lembranças. As más a gente apaga.
O pior que pode acontecer para quem dialoga com estrelas é ouvir uma voz ordenando que feche a janela e volte a se deitar. A sensação é a mesma que estourar um balão numa alfinetada. Puff! O sonho, a criatividade, a ceratonina... tudo se recolhe, tudo se acaba. Daí volto a dormir e no outro dia penso que aquilo foi só um sonho. um tanto real mas apenas um sonho.
Não é que ontem, no Fórum do Software Livre, fui à uma palestra sobre 'Gimp' que é um programa de processamento de imagens do Linux. Daí a palestrante, uma menina ainda, mostrou como se insere um céu de estrelas numa foto. A medida que ia explicando, as estrelas iam aparecendo. Eu, de boca aberta, desliguei meu botão de aluno aplicado e só lembrava do sonho... se foi realidade de tão bom que era.
04 junho, 2004
Pois é! Ontem me excedi falando sobre minha fome e esqueci de relatar sobre o Fórum. Veja bem, os participantes são de uma fauna de jeito exótica. Tem pêlos e penas dos mais variados gostos, matizes, tipos e combinações: mustangs, blondies, brunettes, mavericks, and falcons. Até Darvin se frequentasse o Fórum, iria abrir um capítulo especial na sua "Evolução das Espécies". Só convivendo, só. Nunca fui à Galápagos, mas já imagino que aquilo é fichinha perto do que se vê por aqui. Puxa, acho que estou me traindo. Afinal fui lá pra aprender alguma coisa ou só para passear no zoológico? Vou almoçar agora e à tarde meu filho me leva à reboque de novo, lá.
03 junho, 2004
Depois de iniciar o dia cedo, cheguei agora da PUC do Fórum Internacional do Software Livre. Acredito que hoje eu entendi como se sente um leão com fome quando não pode controlar suas próprias tremuras. Ele só não se atraca na geladeira como eu, porque acredito não gosta de bolo de chocolate e nem de um copo de leite gelado os quais me desceram garganta abaixo em fartos goles e gostosas garfadas. Acho que me bateu um pânico de pensar em ficar sub-nutrido, um delirius tremens, pois ninguém iria mais acreditar naquele diploma que ainda guardo quando aos três meses de idade recebi do Posto Higiênico com mérito de "Robustez Infantil". Neste concurso tinha também minha foto sim. Só não mostro por causa da pose pela qual me fizeram deitar sobre uma mesa, pelado de bunda pra cima. Mais, que esse negócio de mostrar a bunda é com o Gerald Thomas. Na foto, o meu sorriso. Mas era o tipo de sorriso ingênuo, dos mais ingênuos do mundo. Na época, qualquer iniciar de choro, tinha leite farto. Tão farto que eu não sabia o que é tremer de fome.
02 junho, 2004
Este é o mês das festas juninas. Entre outras festas, também é a do "dia dos namorados" (tá, deixa o dia dos namorados pra quando ele chegar). Diferente do nordeste, festas juninas aqui, só no dia de São João. É sinônimo de montar fogueira, comer pinhão, pipoca, e tomar "quentão". Explico que o "quentão" é preparado com uma mistura de vinho tinto e aguardente com pitadas de canela. Isso tudo vai na panela e bem aquentado até começar a ferver. Daí, servido, esquenta até a alma pois o frio de inverno apetece. Mais ainda para quem está sozinho. Pipoca todos sabem, combina até com rituais em terreiros de outras religiões. Fica o chão pontilhado de branco dos que escapam da gula das bocas mais afoitas. Mas sobre o pinhão: fruto de nossos pinheiros nativos, rico em carbohidratos, é fervido dentro de um latão com água e sal ou assado direto sobre as brasas. Entre a alegria das crianças, gritos dos cuidados das mães e a medida que a fogueira se consome, a luz bruxuleante dança nos rostos das pessoas que estáticas ficam admirando, admirando, com o pensamento longe muito longe numa cena patética porém bela por demais.

