29 setembro, 2004

 

Reformas

Ando fazendo reformas no banheiro social de minha casa. Com as obras, o corredor de acesso ficou uma bangunça. Mas é necessário. Digo sempre que o banheiro deve ser o cartão de visita. É alí que espelha o capricho e o conforto da residência. Quando as pessoas estão fazendo uso dele, é que observam os detalhes. Os mínimos detalhes. Já vi banheiros com cinzeiro cheio de pontas de cigarros. Já vi com revistas e jornais espalhados pelo chão. Também com o rolo de papel higiênico fora do lugar. Pior quando se vê uma barata saindo por uma fresta do rejunte da parede. Ninguém vai falar nada mas a impressão que fica é péssima. Claro que o meu nunca chegou a ficar assim. Já preparei até o recital que farei por ocasião da reinauguração. Começa com o "Sole mio", vai pelo rap "Você é o bife preferido da minha marmita" e o tango "Beso de merengue". (Un guiño le hace a la luna, me da un beso de merengue, sube a la cama, me abraza, cierra los ojos y duerme"). Já ando entusiasmado! Quem faz bom uso do banheiro e canta, seus males espanta.

Ah, não vão pensar que meu banheiro é esse aí da figura. Merecer eu mereço, porém não preciso de tanto.

27 setembro, 2004

 

Ainda sobre banhos


Certas coisas eu gostaria de entender. As vezes leio textos tratando de histórias que falam sobre sabedorias de vida e sempre começam assim: "Havia um velho que".  Então.  "Havia um velho que ao chegar no sítio encontrou no laguinho - todo sítio que se preze tem seu laguinho - um bando de mulheres tomando banho nuas. Assustadas pediram que ele se retirasse. Como casualmente empunhava um balde na mão, o velho usando de sabedoria, e querendo lembrar dos tempos em que ainda via sua mulher pelada, disse: "tem nada não, eu só vim dar comida aos jacarés". Estão vendo? Mesmo assim, com essa moral toda, nunca caíram mulheres peladas na "minha piscina". Será que, só quando ficar velhinho elas cairão? Ou será porque sendo piscina e não laguinho, seria bacanal?

Parece que até já estou percebendo que alguém vai escrever este comment: "Não cairam ainda Beau, porque piscina não é laguinho. E se fosse piscina não teriam vergonha, a história seria outra. Se fosse piscina e não laguinho, terminaria em bacanal. Hehehehe"

 

Sobre banhos

Interessante, é no banho que alguma luz me ascende. Preciso tomar novamente, mais um banho. Já tomei não sei quantos banhos e não aconteceu nada. Talvez eu não estivesse relaxado. Ah, de repente falo sobre banhos.  Eureca!  Que que issoooooo!!  Talvez.


26 setembro, 2004

 

Este blog está ficando mais para almanaque brinde de farmácia onde só se fala em curiosidades e abobrinhas. Quisera eu ter algo mais interessante para publicar. Senão os textos começam a ficar parecidos assim como coisa de gregos e romanos que as vezes se confundem. Eu mesmo nem gosto de móveis e objetos antigos para decoração e como fui me envolver nessas coisas de tempos passados? Já dizia aquele poeta cubano Alejandro Sanz, "cada uno és diferente de otro, que no es lo mísmo, pero es igual". Traduzindo, ando trocando seis, por meia dúzia.


25 setembro, 2004

 

Gaius Plinius Cecilius Secundus

É por intermédio da assinatura da revista do "Smithsonian Institution" que tento melhorar meu inglês. Durante as leituras, descobri certas coisas curiosas como o artigo sobre um romano chamado, "Plínio o Velho" (1° século d.C.). Coisa antiga, não? Esta figura, por haver viajado pela Espanha, Gália e África tornou-se um grande conhecedor das "coisas" e foi incumbido de escrever e relatar sobre as manifestações da natureza, na época inexplicáveis. Compilou estes fenômenos na primeira enciclopédia que se tem noticia com o nome de "Historia Naturalis", 37 volumes. Ela serviu de referência para tudo o que os romanos acreditavam sobre o mundo da cosmologia, astronomia, geografia, zoologia, botânica, mineralogia, medicina, metalurgia, e agricultura. Encontrei citações curiosas as quais ainda hoje nos são populares e relatadas como simples verdades, sem maiores questionamentos.

1. Quando vimos um meteoro rasgar o céu da noite, formulamos um desejo para que a "estrela cadente" o realize.
2. Ainda se acredita, que ao tentar ordenhar uma vaca pela manhã e ela tiver pouco leite, uma cobra lhe chegou à noite, enrolou-se às patas trazeiras e se fartou do líquido precioso.
3. Não se come melancia e se toma vinho ao mesmo tempo!
4. Plínio recomedava fazer sangria no corpo para renovar-se de sangue puro.
5. Em um país distante havia um animal que possuia a língua tão grande, que para caçá-lo bastava dar-lhe um susto. E ao disparar de medo, tropeçava na sua própra língua o que o tornava uma presa fácil. Vem daí a expressão "matar cachorro à grito".
6. Outro povo tinha os pés tão grandes, que descansavam deitados na grama com os pés para cima a lhes fazer sombra. Ainda hoje existe a lenda dos "Pés Grandes".
6 ¹/2. Na "Encicopédia", escreveu sobre um povo estranho com os pés virados para tras, facilitando a fuga se houvesse perigo. Não virá daí a nossa lenda do caipora?

Plínio era tão curioso, que morreu quando estudava a erupção de vulcões, sufocado pelos gases do Vesúvio, com 57 anos.


23 setembro, 2004

 

Viva! 1.000 visitas!


Desde 1° de agosto de 2004 instalei um contador digital à margem esquerda na configuração da página do blog. Comemoro hoje o primeiro milhar de visitas, transcorridos recém 54 dias. Houve uma média de 18,51 visitas diárias. Não deixo de demonstrar minha satisfação pela marca alcançada. Meu blog está atingindo o objetivo lúdico ao qual me propus e vocês são a extensão dele. Agradeço a todos e vou comprar uns merengues para comemorar.

22 setembro, 2004

 

As Moiras

xiste coisa mais cruel não lembrar do nome das pessoas quando nos são apresentadas pela primeira vez? Nem na segunda? Por isso não sei de onde me martela tanto na cabeça o nome de uma mulher chamada de Moira. Poderia ter me confundido com alguma personagem do fado "A Mouraria", cantado pela Amália Rodrigues o qual eu gostava muito. Havia outro fado também meu predileto que só lembro parte da letra, "...de quem eu gosto, só às paredes confesso... Lá,lá,..".  Tá bom. Mas continuando, daí pesquisei um pouco e logo despertou de novo minha curiosidade literária sobre a antiga Grécia. Cheguei ao fim da leitura de "Édipo Rei" aquele, da relação incestuosa com a mãe. Dirá alguém que isso é cultura inútil. Pode até ser para quem não usa de figurações. Agora, fui direto investigar quem realmente era essa Moira. Descobri que eram três ao todo, filhas de Zeus e de Têmis, teciam o destino dos homens em seus úteros onipotentes denominando esta sorte de Princípio, Meio e Fim. Também eram matadoras de gigantes. Uau! Tenho uma leve lembrança quando ainda na puberdade brincava com uma prima minha e assim ela me chamava: "Venha Beau, ando grávida de uma idéia. Venha curtir comigo minha gestação na cama. Venha que vou tecer o seu destino". E por aí afora. Ela me fazia de gigante e assim, por váras vezes me abatia.  Isso mesmo! Enquanto escrevia essas linhas, lembrei que seu apelidado era Moira. A única coisa que pedia em troca era meu mel em sacrifício. Estranho, não? Mas foi bom. Desde o princípio, o meio e o fim.


20 setembro, 2004

 

Sobre "comments" no blog

Achei por bem as vezes responder os "comments" a mim enviados. Como o blog é público, esta interatividade pode torná-lo mais simpático senão somente a opinião expressada de um lado. E assim meu blog vai caminhando (para não parodiar o James Dean com o filme "E Assim Caminha a Humanidade"). Imaginem só! Nunca havia pensado que eu poderia arrebanhar tantas estrelas com este brilho característico de quem me lê. De qualquer forma considero todos como parte do meu patrimônio. E perdê-los seria uma sensação não muito boa (crédo, sai de mim pensamento ruim). Ainda mais quando se coleciona pessoas com sentimento e alma. Vai que, daqui alguns tempos, a medida que vou soltando as palavras vão descobrindo melhor meu caráter e minha personalidade. Ah, a foto do James Dean é somente para me representar neste contexto. Pena que eu nunca o tenha conhecido e nem ele a mim.


19 setembro, 2004

 

O jantar da comenda

Quando me dirijo pelos caminhos da serra gaúcha, à medida que me afasto das grandes aglomerações e a estrada inicia a subir, começo a sentir o cheiro da terra e da mata em seu estado natural. Então algo acontece dentro de mim. A vista se alonga no horizonte dando uma sensação de liberdade e que toda aquela beleza de mundo me pertence. O estado de ânimo se altera para melhor. Assim foi quando levei o Phil e mais duas colegas até a cidade de Canela nas dependências do Clube Serrano onde eles formaram um quarteto de cordas, ocasião que executaram músicas na entrega de comendas para pessoas ilustres da sociedade local.

Quando chegamos no local, no jardim defronte ao clube, criaram uma amostra iluminada dos 14 vestidos usados em todos os eventos anuais já transcorridos. Vinte metros de tapete vermelho se estendiam até a calçada para dar um ar solene a quem desse entrada na festa. E um rapaz robusto à lá body guard dava segurança para que tudo transcorresse sem maiores percalços. No saguão interno, os últimos agraciados com o título da Comenda do Cravo se posicionaram em duas colunas para recepcionar os convivas e personalidades dos mais diversos matizes. E ao lado, junto com esta cena os músicos empunhando os instrumentos, tocavam "New York, New York". Um chiquê só!

Tudo ia muito bem quando um tumulto na entrada agrupou pessoas numa peça ao lado. Falavam muito em "indignação", em "não quero mais" um "me leva embora". Até que os garçons entraram em cena e foram distribuindo grande quantidade de salgadinhos e bebidas em geral. Mal me passou que aquela figura era a Ângela Maria com seus boleros e samba-canções. E fazendo seu marketing, claro. Próximo a mim estava o decorador da festa e ele, no seu modo sapeca de dizer as coisas, falou: "Só falta a Ângela cantar Babalú". O Valmor é um profissional competente mesmo. Seus arranjos de flores são de primeiríssima. Até o tamanho do pavio das velas nas mesas era fruto de seus comentários em função do posicionamento para nenhum penteado ser consumido pelo fogo. Bem merecidas as champanhes que o garçom, sempre atento, cuidava para não lhe faltar.

Então vieram as personalidades, e entre elas o prefeito, o juiz, o comerciante bem sucedido. O financista, o cirurgião plástico, e mais e mais. Mas quem brilhou na festa, foi a miss Brasil com seus 1,82 m de altura, sem contar o salto alto, sendo a mais paparicada. No momento quando levantou e dirigiu-se ao banheiro, se ouviu aquele "Ohhh" e alguém falou que ela até foi fazer xixi de guaraná e cocô de quindim. Fiquei pensando, quantos não gostariam de apará-la e após, nunca mais lavar as mãos? Depois do jantar, quando a Ângela deu início ao "show" e meus ouvidos sentiram que não conseguiria de modo algum alcançar a altura da voz ao cantar Ave Maria no Morro, pegamos nossas coisas e fomos embora antes que ela nos contagiasse a um dia também querer ostentar uma medalha de alguma comenda qualquer da vida. Daí, descendo a serra, meu filho e as mocinhas ainda lembrando das cenas kitsch, por um certo trajeto tive de agüentar a gozação pois começaram a me chamar de Comendador. Putz. Só faltava essa!


17 setembro, 2004

 

Encontrei este texto de 12/06/04 perdido dentre os demais que eu ainda não havia publicado.

Podem rir, podem chorar. Podem até dizer: Bem feito! Também não precisam ficar com pena de mim, mas se constatou novamente. As datas emblemáticas as vezes me pregam peças. Nem sempre posso comemorar. Então vejam só. Olhem como ficou meu Dia Dos Namorados.


13 setembro, 2004

 

E continua chovendo, com temperatura caindo. Meu roupeiro já havia sido até reorganizado, rearranjado, substituidas as roupas de inverno pelas da meia-estação. Estes fenômenos podem ser só uma amostra do que poderá acontecer mais adiante em função do clima. Se for só para nos aninhar, que continue assim. Mas se for para pegar gripe, alguma coisa realmente não anda bem.


10 setembro, 2004

 

E chove cântaros aqui. Um dia sombrio que me faz transportar àqueles dias tristes onde os pingos de chuva se transformam em lágrimas que caem do céu. E o friozinho. E a umidade. E os guarda-chuvas expostos. E os sapatos molhados. Tudo me leva imaginar porque Deus fez a mulher para nessas horas ficar abraçado, amarrado, juntado no corpo quente para se acolher. Quão útil é a mulher numa hora dessas! Afora as outras que nem preciso dizer.


08 setembro, 2004

 

Cada um tem uma forma própria de contar as coisas. Voilà, também tenho a minha. A visita que fiz ao sítio dos familiares do compositor de música erudita Luiz Cosme tinha um ar de ternura e felicidade. O Hubert, meu filho, se enamorou da neta dos Cosmes. Apenas uma observação: além do belo ajardinamento e de um enorme gramado, no meio dele existe uma base circular servindo de conforto para olhar a grandiosidade da via láctea. Mais prático que eu, que as vezes me foge o amor, abro a janela e de bobeira fico conversando e tentando entender estrelas.


07 setembro, 2004

 

L e t r a

Nine out of ten computers are infected
Leminski morreu
do uso contínuo
de um coquetel

de álcool, cigarro e drogas
às vezes
de álcool puro e Pervitin
pupilas dilatadas para encarar o nada

às vésperas da morte
fétido
camiseta cavada e chinelos
trapos a pele

verde como vômito
arranhando o violão e traduzindo Beckett
getting a tan without the sun
que o futuro o disseque

(... numa outra década,
guerrilha nas favelas,
Kaetán morreu de uma overdose
de dolares

êxtase de cheques,
abanando o leque
um séquito de adeptos)
nine out of ten computers ... are infected

                                 para Alcir Pécora

De: Régis Bonvicino. é poeta, autor de, entre outros, "Ossos de Borboleta".


06 setembro, 2004

 

Resignação

Entra dia, sai dia. Daí fico compreendo melhor como cuidar de minhas coisas e não ficar fazendo comentários sobre criancinhas dos outros, pois nós temos as nossas também. Certa vez me comovi com uma dessas campanhas para arrecadação de comida e agasalhos aos nordestinos. Depois de enviar metade de meu roupeiro, metade de minha despensa, foi somente dar uma volta na periferia da cidade para constatar que parte do nordeste também é aqui. E não aconteceu nada com os anões genocidas do Congresso que não deram um centavo do que roubaram para salvar as criancinhas do Brasil,


05 setembro, 2004

 

Comoção

Tenho observado a maneira como a imprensa expõe o drama do seqüestro de criancinhas numa escola lá da Inguchétia. Dia após dia vão mancheteando o número de mortos e responsabilizando o governo russo pela tragédia. "A comunidade internacional se encontra indignada com Putin, com a Russia e com a incopetência dos soldados em não evitar esta tragédia". Interessante. A guerra fria já acabou. E além disso, nunca vi nenhuma contabilidade de quantas criancinhas morreram em conseqüência das bombas de quinhentos quilos lançadas deliberadamente pelos americanos no Iraque e no Afeganistão. Só vale para um lado o título de "comedor de criancinhas"? Neste jogo de interesses, quem será que está com maior pontuação?


04 setembro, 2004

 

Na madrugada

Et gallus gallinaceus, certis horis cantitans. Quando eu li que era esse um dos motivos da Lúcia perder o sono lembrei que certa feita num fim de semana, fui passear na pequena localidade situada na Lagoa dos Patos chamada Arambaré. Tinha uma praia linda de areias brancas. Enormes figueiras forneciam sombra aos banhistas de verão. Uma brisa encrespava as águas que mal chegavam a ondular na margem. Os frequentadores eram pessoas vindas principalmente da localidade de Camaquã que serviu de cenário àquela série de TV: "A Casa das Sete Mulheres". Então chegou a noite. Me hospedei numa pousada, antiga séde da fazenda de nome esquisito: "Chaleira de Ferro".  Chegada a hora do jantar, ofereceram uma cadeira junto à mesa de uma reunião de rotarianos. Entre boas garfadas e um bom vinho, surgiam assuntos de toda natureza. Tudo muito bom, até a hora de dormir. Nunca imaginei que à noite, um galo garnisé faria tanta estrepolia no galinheiro. Ele era um boêmio nato. De quinze em quinze minutos cantava sempre a mesma canção. Aquela voz esganiçada. Desafinada. Quando pensava haver terminado, recém tinha reiniciado. Sem ritmo, sem harmonia, sem compasso, sem dó. As cinco da madrugada já me encontrava de pé de olhos empapuçados. Aprendi que nas piores situações de crise, daí mesmo que surgem as grandes criatividades. Foi quando escutei um movimento de pessoas na estrebaria e me dirigindo alí, tomei o melhor leite apojado; o melhor camargo de minha vida. Inesquecível!


03 setembro, 2004

 

Mensagem aos "estranhos"

Sim, já me perguntaram se eu fiz eletroencefalograma. Havia uma época, se o cara era meio estranho então tinha de fazer um elétro. Foi o início da ciência física a serviço da medicina. Lembro que me achavam estranho. Tinha um comportamento estranho. Ainda adolescente, ficava por vezes desligado do mundo, mergulhado em questionamentos e miles de pensamentos. Então eu era estranho. Até, quando fiz meu primeiro rádio usando um rudimento de pedra de galena. Daí virei gênio (pudera). De tão fácil que era fazer esse rádio receptor percebi não ser nenhum gênio. Os outros que não eram normais. Eram medíocres. Medíocres demais. Mas não adiantou. Dia desses meu tio chegou no internato do colégio onde estudava e me levou para uma clínica a qual recém tinha adquirido uma máquina que desvendava todos os mistérios nervosos, cheia de fios com ventosas e essas foram coladas em pontos raspados de minha cabeça. Registrava bips e bips. Igual aqueles filmes onde os marcianos submetiam os terráqueos a estes enormes sacrifícios. Dado o veredito, entrei para a turma do Gardenal. Andava sonolento, tropeçando em qualquer tampinha de garrafa. Agora, eu me sentia estranho. Mas para eles, isso é que era normal.  Até chegar o dia onde escutei pelo rádio-galena para tomar muito cuidado com estes tais de psicotrópicos. Parei por minha própria conta de tomar estas coisas. Descobri então que eu era sócio do Clube dos Céticos desde criancinha. Me libertei. Vi a luz. Abracei a vida com tudo o que ela pode me dar.  Transcorridos um par de anos inventaram o aparelho de ultra som que podia ver o futuro bebê na barriga da mãe determinando o sexo com antecedência. Lembro de muitos pais que na certeza do resultado da máquina, acabaram comprando antes o enxoval do Gabriel e na maior surpresa, nascia a Gabriela. Estranho, não? Muito estranho.


02 setembro, 2004

 

Naquela hora...

Quando se desligam os televisores; quando o barulho do tráfego diminui; quando o telefone para de tocar; quando os motores dos aviões deixam de resmungar; quando não se ouve mais o ruído do ariar panelas; quando a vizinha cessa de xingar; quando as máquinas de lavar roupa param de agitar e quando o carrilhão do relógio anuncia a chegada da meia noite, eu deito na minha caminha e ligo o rádio baixinho enquanto aguardo o sono chegar. No programa do Jaime Copstein na rádio "Gaúcha na Madrugada", compartilho o bom gosto das músicas e a interatividade dos ouvintes de todo o Brasil.

Se por curiosidade, alguém quiser ouvir este programa que vai das 12:05 até as 03:00, eu envio as coordenadas do dial.

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