25 agosto, 2006
Planeticídio
Minhas estrelas que me perdoem, mas tenho de falar. Um dos tantos pontos luminosos do Universo deixou de ser importante, seu brilho já era fraco e finalmente logo ninguém mais se importará. Agora à noite, abro a janela e imagino ainda estar lá o planeta Plutão, rebaixado pelos astrônomos a um simples corpo celeste vagando na sua inexpressão em vez de ter aquela importância a qual nos foi ensinado. Tá certo que ele era 400 vezes menor que a Terra e por isto tinha sido considerado tipo assim, um planetinha, da mesma forma como foi determinado que Lichtenstein seria um paízinho. no meio dos outros grandões. Assim como nós, Plutão girava em torno do Sol, navegava no vazio e fazia manobras no espaço parecidíssimas como as nossas. Agora me digam como ficam aqueles alunos que tiraram nota ZERO, quando omitiram o nome na relação dos planetas de nosso sistema? Vou pedir àquela instituição de cientistas que me enviem um certificado da "NÃO EXISTÊNCIA" para que apresente na minha longínqua escola primária e seja reconsiderada a nota no meu histórico escolar.
23 agosto, 2006
Aos cuidados de. . .
Pelo correio, recebi um cilindro de papelão contendo uma cartinha enrolada, cheia de mensagens de desejos: "Parabéns pelo título conquistado, almejando uma vida plena de alegrias e grandes realizações" (sic). Acredito que o remetente tenha se enganado, pois minha formatura há muito que transcorreu. Faz mais de trinta anos que a vida segue em frente, cheia de lutas, sangue, suor e lágrimas. Bem, o outro desejo era "...augúrias de vê-lo feliz e cheio de saúde". Verdade seja dita. Além da enorme curiosidade de um dia fazer amálise sobre minha felicidade, as cicatrizes no corpo não deixam dúvidas que tenho acumulado inúmeras histórias para contar. Isso se realmente não tiver outro assunto. Então voltei os olhos novamente para o canudo, e lá estava o remetente. Comitê Eleitoral do Candidato Fulano de Tal. Continuando, "...a Pátria necessita de jovens como você porque representa o futuro da nação (...) e por isso convidamos a cerrar fileiras conosco". Olha, não irei votar nele só porque as frases chavonadas e eruditas há muito não me seduzem mais. Além disso detesto cheiro de coisa velha. Falei em coisa. Só coisa... leram? Nada contra.
18 agosto, 2006
Lento
Ando um pouco lento. Lento só para escrever.
07 agosto, 2006
F = m.a
Eu vi o homem passar, quando sobre si despencou o abacate (a fruta do abacateiro). Ao se recuperar, seguiu o caminho como se nada tivesse acontecido. Trocando de uma fruta para outra, onde estaria a diferença no racioncínio de Isaac Newton quando a famosa maçã caiu sobre a SUA cabeça? Tanto se indignou, tanto pensou, até chegar a conclusão de que existe uma força invisível a atrair os corpos para o centro da Terra. Só não explicou, porque a maçã, ao cair na cabeça das pessoas, aborrecia mais a ele e não às outras. Afinal, mudou a vida do homem que levou a abacatada? A de Newton sim, pois, filosofando, chegou até a pronunciar a Lei da Gravidade. Penso que é essa a visão que diferencia uma pessoa da outra. As vezes observamos algo que é Lei somente para um e não para todos. No caso de Newton, a queda da maçã continha uma fórmula física. Para outros, uma maçã só serve para presentear a professora; só serve para uma intenção amorosa, ou para depois, se recuperar fazendo uma boa fórmula de Vitamina. Filosofar faz bem, vocês não concordam?
02 agosto, 2006
Promessas de felicidade
De relance, meus olhos se voltaram para o outdoor anunciando um novo projeto imobiliário. Ali estava a foto do edifício com um cem números de apartamentos, um amplo playground e, finalmente, a piscina. Não pude deixar de lembrar de meu amigo que adquiriu um imóvel em semelhantes condições. Pensou no seu conforto se deliciando naquela água dando braçadas, nadando de um lado ao outro depois de uma fatigante jornada de trabalho. Pensou nas crianças a brincar nos aparelhos da pracinha felizes da vida. Porém nada disso aconteceu. Na piscina havia um solteirão que ficava atento, dizendo gracinhas senão olhando as pernas das vizinhas (sim, logo as vizinhas dele). Cara chato aquele! Outro, tinha a mania de cada vez que levava uma vagabunda para seu apartamento, depois da transa os dois tomavam banho juntos rindo e debochando de quem lá estivesse. Será que era alí que faziam a higiene depois do sexo? Uma vez, deu um surto de frieiras entre os dedos dos pés. No playground aconteceu o flagra de um velhinho ter mostrado os genitais para as babás que cuidavam das crianças. Ganhou o apelido de "O tarado do parque". Era o que faltava. Pessoas se xingavam, se acusavam. As reuniões do condomínio mais parecia uma guerra. Chegaram à uma solução? Ledo engano. O investimento do meu amigo foi por água abaixo. Mora agora num edifício de três andares sem elevador, sem praça e sem piscina. Associou-se à um clube e é lá onde curte seu bem estar. Não o falso que os outdoors anunciam.

