27 janeiro, 2006

 

O insuperável


Quase sempre sou traído pelo esquecimento quando alguém das minhas relações faz aniversário. No entanto, poucas datas são tão inesquecíveis como esta de Johannes Chrysostumus Wolfgangus Theophilus Mozart. Ou, simplesmente Mozart. O mundo todo comemora hoje, 250 anos de seu nascimento. É algo assim parecido, como homenagear alguém que nos deixou uma obra monumental insuperável. Nada surgiu tão semelhante ao que fez. Dizem, e acredito, ele conseguiu nos fazer sentir o toque de Deus no nosso coração. Isso só pode ser obra de um gênio. Desde ontem que meus três filhos foram "convocados" - por Mozart - e se apresentam executando sonatas para duos e trios de piano violino e violoncelo. Não poderia deixar de registrar a minha emoção.

23 janeiro, 2006

 

A volta da praia


O homem de boné verde se pôs na dianteira e com a voz empostada ordenou: "Todos para o ônibus! Quem tomou banho de mar, tomou. Quem ficou pegando sol, aproveitou. Que vá passando vinagre com maizena sobre as bolhas quem se queimou". E assim, foram se recolhendo e tomando caminho entre as dunas de areia que separam a praia da condução. Crianças, mulheres, moças e rapazes, todos aparentando alegria pelo domingo passado à beira do mar.
Podem pensar qualquer coisa, mas um fim-de-semana entre amigos, são poucos os que ainda tem. A vida é curta para desprezar uma excursão com boa farofa acompanhada de suco de groselha numa praia do nosso litoral.
Continuando... "um gosto amargo de sal era sentido na boca de todos, mas quando 'pegaram o asfalto', aqueles que não dormiram ficaram consumindo o que restou dos panetones, biscoitos de natal e rosquinhas açucaradas". Eita mundo véio sem porrtêra. Eita coisa boa. Pra lá de bom!

21 janeiro, 2006

 

Exageros à parte. . .


Estou retornando da cidade de Venâncio Aires onde fui comemorar o aniversário de 60 anos do Carlito, meu (outro) compadre. Possuimos uma amizade sólida cultivada há quatro décadas e pude rever pessoas de nossas relações que, pensav nunca mais encontrar. O local é típicamente habitado por imigrantes alemães e já na chegada fui recepcionado com um chopp gelado numa jarra suada, efeito do calor que estava fazendo. Entre as conversas, rodava um prato com petiscos grelhados o que era apenas uma amostra do que estava por vir. Na chamada para o almoço, sentamos à mesa onde serviram um especial churrasco com carne de rês, ovelha e frango. Um bufê completo de saladas fez o complemento. De sobremesa: pudim feito com ovos da colônia + leite condensado;  sagú ao vinho tinto;  cassata de creme com chocolate; e uma gostosa ambrosia. Um animador, com seu mini-studio, tocou músicas escolhidas pelo aniversariante. Entre elas, uma valsa que todos nós cantamos juntos:

Oh, Isabella - Valtz
Sie läst mich nicht, sie läst mich nicht, sie läst mir keine ruth
Und venn sie Abens schlafen, geht macht sie die türe zu

         "Oh Isabella, oh wie schön bist du"
         "Oh Isabella, oh wie schön bist du"

Ein Heisser Kuss, ein süsser Kuss, das wäre gar nicht schlecht
Doch wenn ich ihr drumm bitten du dann ist es ihr nicht recht
Não podia faltar no repertório, a Polonèse, dança típica alemã que antecede o baile do rei. O Carlito foi o "puxador" e eu logo atrás sugeria as evoluções, enquanto uma extensa fila de pares se formava e todas as salas do recinto foram visitadas onde nem mesmo a cozinha escapou. Já à tardinha, pensava em ir embora quando anunciaram seria servido um farto café colonial - para reanimar forças. Entre bolos, cucas e tortas; fiambres, picles e queijos; geléias de toda natureza; patês, pastas e embutidos; pão de centeio, milho e semolina. Olhem, vou ser bem sincero: quando já na estrada, retornando, fiquei triste de não poder ter provado tudo. Fiquei pensando: que desfaçatez com o meu amigo!

19 janeiro, 2006

 

Quem conta um conto, ganha um ponto!


"Pare de me olhar assim, desse modo tão faminta" - falou para ela, ao perceber que sua fisionomia havia mudado antes tão serena, para uma expressão de quem está decidida a tomar posse. Compreendeu que o impulso de o abraçar e beijar era muito maior que somente o sentimento de amizade. Com a vista fixa nos seus lábios e com a boca entreaberta, devagarinho foi se aproximando. A colisão era inevitável. Ele quis manter o raciocínio, mas o cérebro parou de funcionar ao sentiu o sabor do batom e a delícia da pele macia umedecer os seus lábios. Fechando os olhos, deixou-se levar pela lascívia e só de uma coisa tinha certeza, que dalí para diante, nunca mais seriam os mesmos...
. . .
CORTA!  CORTA!
. . .
Agora falando sério!  teria eu chance de continuar até o fim, esse conto?

17 janeiro, 2006

 
Ao despertar pela manhã, ligo rádio para ouvir música, notícias e comentários. Fico danado da vida, quando ouço um desses programadores dizer "hoje é o dia 17 de janeiro e faltam exatamente 348 dias para terminar o ano". Que saco! Que homérica falta de bom senso.

E por falar em rádio, me enviaram uma transcrição do que um locutor matraqueava num programa de meio-dia: "Olha a hora, olha a hora! Faltam 20 prás 1. Pessoal, vão engolir ligeiro esse almoço que tá quase na hora da pegada. Toma uma gasosa prá ajudar a empurrar".

16 janeiro, 2006

 

No "StudioClio"


As vezes eu me surpreendo, como hoje, quando fui ver o guitarrista Carlos Santana - aquele mexicano que encantou os "gringos" com seu Latin Jazz. Foi uma noite memorável e qualquer um que acha não ter jeito para dançar, no mínimo se remexe na poltrona. Cheguei agora e não podia deixar de registrar. Formidável!


14 janeiro, 2006

 

Modelos


Nada contra as mulheres que venceram na carreira de modelo. Aliás, o local de onde eu venho, é uma espécie de fábrica de modelos. Também é a terra da Maria da Graça Meneghel que antes de ficar Xuxa, a escolheram para ser a 1ª Pantera num concurso em 81, no Copa, no Rio. Isso era no tempo do Jorginho Guinle e do Ibrahim Sued. Como diz o Sílvio: "TUDO POR DINHEIRO". Imaginem a baba que ela tirava dessa gente (só a baba mesmo). Mas isso não importa, eu queria falar mais em nomes. O nome da Raica Oliveira, por exemplo. Não sei bem de onde ela vem mas imagino que, quando nasceu queriam lhe dar o nome de Raíssa. Daí o escrivão do cartório escreveu Raiça. "Nãão!" reclamou uma testemunha. Daí já era tarde. Mas como tudo aqui no Brasil tem um jeitinho, o escrivão comovido pelo erro, resolveu retirar a cedilha apagando a virgulazinha abaixo da letra "c". Pronto! Ficou Raica! Não é bonito? Uma observação: a Gisele Bünchen é (de longe) minha parente e no local onde nasceu, o nome certo deveria ser Gizella (pronuncia-se "Guísela") mas, quando foram registrar no cartório.... O resto vocês já sabem.

09 janeiro, 2006

 

Neste verão, haja água para se refrescar!



Este lugar existe sim, e nem tão longe de onde eu moro. Fica na Serra Gaúcha, onde o vinho e a champanhe jorram feito esta cachoeira vista aqui. Servidos?

03 janeiro, 2006

 

Atemporal?


Já chegou o dia três? Que coisa! O tempo voa raivoso. Nem bem recompus a excitação do fim de ano e já estou no dia três. Hoje, escuto novamente os ruídos rotineiros do trabalho. O negócio é começar a trabalhar e deixar de fazer manha senão viro um manhê. Manhá, monhé, muenha, muinha, muinhe, munhe, m'monhe (adoro quando penso que entendo tupí-guarany). Então vou ver se arrumo uma rede pra deitar e sentir a raiva do tempo passar, assim, como índio faz: tocando viola de papo pro ar.

Só pra completar, o Fernando Henrique (FHC) também se interessa pela linguagem dos nossos nativos. Numa vez, quando esteve em Paris, rodeado de puxa-sacos, disse que o povo brasileiro é "muito caipira". E arrematou: "são cheios de 'nhém nhém nhém'". Ele falou em tupí-guarany, puro.

01 janeiro, 2006

 

A Passagem


Levantei da cama há pouco. Resolvi dar uma recuperada nas energias gastas na longa noite que passei na "Usina do Gás". Realmente estava lindo o espetáculo dos fogos de artifícios na virada do ano. Enquanto esperava chegar o 2006, observei aquele mundaréu de gente e pude escutar o som do "bate-estacas" produzido por um conjunto musical(?) num palco improvisado à beira do rio. Uma brisa leve, refrescou o ambiente. Uma noite perfeita! Dez minutos antes das 12 horas abri uma Sidra bem fria, e brindei em copo de cristal. A maioria preferiu Champanhe porque assim é "normal", porque assim "todo mundo faz". Algo me diz, que estamos ficando cada vez mais supersticiosos. Vi grande parte das pessoas usando roupas brancas, alguns com colares de ossos, outros atirando pipoca para o ar. Não usar calcinhas por baixo da roupa ajuda em quê? (a mim sim, aos olhos e à imaginação!) Terminado o ritual da "passagem" fiquei mais um pouco para observar os costumes. Foi quando me dei conta, que na falta de coisa melhor, até minha Sidra haviam bebido. Sonhei bonito. Também em cada um desses sonhos, reservei um espaço para vocês.

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