19 fevereiro, 2006
O Show dos Rolling Stones
Eu não acredito. Não pude acreditar que toda aquela produção decidiu apresentar no final a música do batido (I Can't Get No) Satisfaction. E o Mick Jagger já cansado de tanto repetir, cantou de um modo debochado parecendo arremedar a voz de Cauby Peixoto. Preferia mil vezes ouvir o Bob Dylan com sua letra "Like a Rolling Stones".
17 fevereiro, 2006
O dono do computador


Chegando em casa, entrei determinado a mexer no computador. No entando meu gato se antecipou tomando conta dele. E quem imagina que se afastasse de lá? Na nossa briga, claro que foi eu quem mais levou unhadas nas mãos. Talvez o espírito de umidade me fez pensar duas vezes antes de jogar uma balde de água na cara dele. Então lembrei-me dos direitos universais proclamados pela ONU. Lembrei-me daquela ONG "Wildlife Conservation Society" que poderia me processar. Finalmente para me conformar, lembrei também do inverno, da quentura dele deitado no meu colo. Por isso mesmo deixei-o à vontade, e já podem ter uma idéia de como abusou. Pelos olhos semi-cerrados, imaginem a soneca que ele tirou. Já vi gato caçar rato. Já vi amores de animais por espécies diferentes, porém nunca, de um gato se apaixonar logo pelo meu mouse.
12 fevereiro, 2006
Sinais de fumaça

10 fevereiro, 2006
O Haiti é aqui
Há dez anos que mantenho uma Caixa Postal nos Correios e hoje retiro dela uma papeleta escrita assim: "Entendemos sua desistência dessa Caixa Postal por não haver interesse na renovação". Intrigado, pedi explicações do que estava ocorrendo. Lá veio um funcionário e me disse que colocou dentro do escaninho um aviso solicitando a renovação anual da caixa e eu não havia mostrado mais interesse. Daí travamos o seguinte diálogo: "Não colocou". "Sim, eu coloquei". "Não coloc..". "Sim, eu coloq...". "não, sim... não". Então argumentei: "Como não encontrei esse maldito aviso e fosse o Correio uma empresa privada¹, no mínimo iriam me procurar, dialogar, me seduzir, antes de simplesmente rescindir o contrato". Dei o exemplo de como é difícil se livrar de um agente de telefonia celular depois de ter adquirido o serviço. Impassível, ele só repetia que eu não era mais detentor da caixa postal e pronto! Ou "foda-se"! Querem saber o que estou pensando? Foda-se o Correio, foda-se o Celular. São só dois serviços a mais que estou me livrando para não ficar preso a espertezas, assinaturas e tal. Afinal... existem outros modos de continuar me comunicando. Nem que eu tenha de me comunicar por sinais de fumaça.
¹Talvez ele tenha pensado, eu queria que os Correios fosse igual a um vaso sanitário.
09 fevereiro, 2006
Prosa em verso
Como é verão, e no verão devemos comer alimentos leves, vai aqui um prato de alma poética, servido pelo meu querido convidado Carlos Drummond de Andrade.
"João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história."
02 fevereiro, 2006
Calma. . . calma. . .
Aos normais, aos apressados, aos tresloucados. Calma que tudo voltará ao normal. Afinal, não estamos em guerra. No máximo, o que nos ameaça são aquelas cartinhas de cobrança que vem em nossa caixa postal. Estamos recém no limiar do verão. Vem aí muito calor, afora a ilusão da alegria de carnaval. Precisamos ter calma porque o Ano Novo, de fato, só acontece em março. O de direito já se foi. Aquela ânsia de querer que alguma novidade aconteça, feche os olhos e comece a rezar ou será reprimido com mais um ano de calendário eleitoral. Ah, e um amor, tipo aquele: bem afetivinho... poderá estar justamente atrás de você, na fila, enquanto votar. Se ainda não viu tudo, espere que verá. Claro... nada de nervos. Somente tente se acalmar.

