27 dezembro, 2005

 

Às Favas à Obrigatoriedade. . .


Já perceberam que nos é imposto
que sejamos felizes
ao menos no Natal e no Ano Novo?

Na sociedade capitalista todos acreditam
que precisam comprar... comprar coisas,
objetos, gente, amor, sexo, afetos,
tudo que possa dar a sensação de felicidade.

E haja tempo para a pressa.
Afinal, para quê tanta correria,
se temos todo o ano para isso?

Aceito que sou uma ET.
Abomino festas de amigo oculto,
festinhas de confraternização,
ir na casa dos outros...
acho tudo isso de uma chatura suprema!

Não! Não tenho nenhum problema.
Cresci no mato. Lá o natal é família, em casa.
Um franguinho, no fogão à lenha,
fazia a festa, e pela manhã todos
iam a igrejinha agradecer.

Consigo sim, passar o natal e o ano novo,
olhando meus filhos, falando com os amigos,
ou numa retrospectiva de tv, e está tudo perfeito,
pois para mim todo dia é natal e ano novo.

Não me sinto obrigada a ser feliz, sorrir,
fingir, magnânima, animada, bonita
- em apenas um dia -
eu sou assim o ano todo!

As pessoas não conseguem ser outras
... e se deprimem.

Não incorpore essa obrigatoriedade de ser feliz
em ocasiões especiais.
Isso apenas nos tornam infelizes.
Para que teu Natal não seja triste
faz crescer o espírito natalino que existe
em nós.... quanto ao resto?
manda às favas!

      por Delasnieve Daspet

23 dezembro, 2005

 

Esperança, renovação


Vejo pouco movimento nas ruas nesta véspera de Natal, o que prediz que o saco do Papai Noel não estará tão farto assim. No geral, tirando as excessões, muitos se voltarão novamente para o lado religioso pelo qual também me incluo. Envio a todos, minha mensagem de Natal nas palavras de nosso grande poeta Carlos Drummond de Andrade:
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí, entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que, daqui para adiante, vai ser diferente."

20 dezembro, 2005

 

Os(as) anjos(as) de Natal


Várias vezes ouvi falar que o Pastor é o responsável por suas ovelhas. Mas conforme eu percebi na paróquia, o rebanho começa a ficar cada vez mais reduzido. Que estranha anja era aquela, com asas de isopor, que adentrou no altar da igreja onde encenavam a história de Natal? Ela vestia camisola de tecido barato, colorido. E para contradizer que anjos não tem sexo, nesta sim, resplandeciam seios polpudos, aguçando minha imaginação sobre a moça bem nutrida que estava dentro dela. Isso fez relembrar meu aprendizado religioso nos cultos dominicais quando criança. Fiz o papel de José (um josé loirinho) onde os anjos, com asas de ganso, incitavam Maria a mudar o script e dizer em público: "Ich habe ein Kind in mein Bauch" ou seja, "eu tenho uma criança na minha barriga" o que na época ouvir isso de uma menina era um grande pecado e assim acabamos de escandalizar os fiéis que se espremiam nos bancos e lotavam a igreja. Mas desta vez eu vi a igreja vazia. Um gato pingado aqui, outro acolá. Então os anjinhos se postaram diante de nós e liam frases desempolgadas da história do nascimento de Jesus Cristo. Na manjedoura, Maria e José seguravam um pano amassado que deveria conter algo dentro, ou seja, um bebê recém nascido.  Pobreza de cena! Pobreza de espírito! O que salvou a noite, foi o final do teatrinho quando o coral, acompamnhado de piano, entoou um belo Oratório de Natal de Camille Saint-Saëns onde o regente, meu amigo, sabe muito bem como extrair sangue da pedra. Acabei tirando minhas conclusões: o fato da pouca freqüencia nas igrejas não está ligado diretamente aos apelos materiais? Afinal, estamos na véspera do Natal, isso deve explicar tudo.

03 dezembro, 2005

 
Num desses momentos de descontração, circulando pela orla do Guaíba, entrei no Clube dos Engenheiros. Descartei os sapatos, caminhei até o trapiche e arregaçando as pernas das calças, sentei com os pés mergulhados na água fresca do rio. Com a vista semi-cerrada, descortinei os veleiros deslizando silenciosos e algumas garças no meio dos juncais. As maretas formadas por pouco vento, me fizeram imaginar os mergulhos e "jacarés" que irei me proporcionar nestas férias, entre as ondas do mar.

(Torçam para que dê certo)

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