27 janeiro, 2005
Vou-me embora para Pasárgada
Como ninguém é de ferro, também tenho direito no mínimo, a alguns dias de férias. Por isso resolvi escrever a um amigo de Santa Catarina para me orientar qual o melhor lugar para um soldado se refazer de tantas batalhas e tantas guerras. Acho que ele se lembrou de quando recitávamos juntos aquele poema de Manuel Bandeira "lá onde serei mais feliz", "lá onde todos somos amigos do rei". Daí me enviou esta foto, bem a propósito, logo para mim, que por ser um bom gaúcho, por nada, já fica "botando" uma carne à assar mesmo que tenha de ser no mais abrasante sol canicular.
23 janeiro, 2005
Aranhas, beijos, picadas
Quem disse que aranha não beija? Basta cair na sua teia que lá vem ela, de lingua pra fora, querendo beijar. As aranhas se dividem em duas espécies. As aracnídeas e as humanas. As aranhas mesmas, aquelas nojentas, lançam os fios da teia pela cloaca. Já as aranhas humanas arremessam uma teia invisível, virtual, que prende sua vítima pelo lado psicológico. Quem é a mais malvada? Ambas. Ficam lançando teia toda hora, conforme a intensidade da fome, afetiva. E quanto ao beijo, lá vem ele junto à picada, indolor, imperceptível, que provoca a descarga da serotonina deixando a gente naquele estado de torpor. Pior que isso vicia. E vai beijo, e dá-lhe beijo, e bota beijo. Coisa boa esta aranha beijadora! Neste momento, coisa melhor não há.
Sob o chuveiro
Muito bem! Por que somente me surgem idéias novas quando estou embaixo da ducha do chuveiro? Será por ser relaxante? Uma banheira de hidro-massagem não faz tanto efeito como a ducha. Não sei, mas desde que conheço as "Jacuzzi" só lembro de banho a dois. E entre dois, não dá tempo para criar idéias. Aí, só funcionam os instintos. Ou a brincadeira do dedão. Então, quando embaixo do chuveiro, naquele esforço de levantar o pé para esfregar, imediatamente me vem uma luz e acende uma invenção diferente. Interessante, não? Interessante é eu tornar público que sou assim. Talvez isso seja uma forma de desopilar. A idéia de descrever isso neste post foi justamente formada enquanto eu recebia aquele jato da ducha, por demais... confortante.
12 janeiro, 2005
Enquanto isso, num lugar qualquer
Eis que, de repente, tudo virou água. Um novo dilúvio? Um castigo de Deus? Não! Apenas um problema cultural. Os que estão aqui na foto e as autoridades constituídas não se dão conta que o lixo boiando e o lixo submerso são os causadores do entupimento dos bueiros e bocas-de-lobo. São muito primários para perceberem isso. De quem é a culpa? A culpa também é destes dois personagens que além da tragédia causada por eles mesmos, ainda tem tempo para brincar e rir nesta sujeirada toda. Lembro que certa feita, o governo com a parceria do laboratório Fontoura (leia-se Biotônico) promoveu uma campanha para erradicar a verminose usando o personagem Jeca Tatú. Na época as pessoas se promiscuíam com os animais domésticos, junto com seus repectivos dejetos. Foi duro, mas se conseguiu reduzir a níveis razoáveis. Assim, também se lia: "Não cuspa no chão", escrito em cartazes afixados nas paredes de bares e bolichos. E alguém até pode estar se perguntando: "e eu com isso"? Pois então, todo povo tem o lixo que lhe merece.
10 janeiro, 2005
Surrealismo
Eu não acredito, não acredito. Que a TV Globo mostrou hoje o maior charuto do mundo, produto de uma competição entre Cuba e Porto Rico. Eu também não acredito que o Guiness Book deu importância a isso. Afinal, ninguém sabe o tamanho desta frescura dentro da redação do livro dos recordes. Pura cultura inútil. A única pessoa que deve ter se encantado com o tamanho do charuto deve ter sido a Monica Lewinsky. Ninguém mais teria interesse em fumá-lo. Daí me pergunto se aqueles veados do Guiness, não se inspiraram no dito de Jânio Quadros: "Se o trânsito fosse desengarrafado eu bebê-lo-ia", porém surgiu um outro bambi atrás da cortina e disse, "fosse ele sólido (o trânsito), eu fumá-lo-ia". E finalmente um terceiro, "em razão dele ser grosso e comprido (o charuto), eu enfiá-lo-ia". Pronto! É assim que a Globo divulga coisas notáveis.
08 janeiro, 2005
Quem morre?
Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca.
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.
Pablo Neruda
06 janeiro, 2005
Sangria desatada
Se alguém está estranhando que não escrevo mais com tanta freqüência, esclareço que parei um pouco, no tempo que me sobra, para tomar um refresco. Muita coisa acumulou em dezembro e ainda me vejo ocupado em solucioná-las. Dia após dia, entre angústias e alegrias, os picos de minha curva coronariana se excedem por vezes aos extremos. Dia desses ao acordar, me olhei no espelho e notei alguns fios de cabelos brancos a mais. Fazendo uma cara de deboche e de boca torta, expressei de leve aquela palavra: "chaarrmiing". Depois voltei a mim enrubescido ao pensar que estava me parecendo com o Mr. Bean. Fiz o que pude e retornei ao normal. Dia vai, dia vem, e prevejo que logo chegará a solução. É feio ser otimista assim?
02 janeiro, 2005
Celebrando a entrada do ano

01 janeiro, 2005
Virando a folhinha
Bom Dia! Como vai? Viu? Já passou! E também não doeu nada. Chegamos ao Ano Novo sem "aqueles" traumas. Viva, para este Brasil que não tem tsunamis, nem chiliques, nem guerra declarada. E desta vez sem o Roberto Carlos também. De catástrofes, aqui só se morre de raios, que nem são tão contabilizados. Afora os acidentes de carro, que já não nos impressionam mais. Enchentes. Enchentes sim! Mas quem mandou morar logo na beira do rio, ou na encosta do morro? Quem mandou morar neste país com a maior caixa de água potável do mundo? Ah, e sobre o amor. Este vai continuar. Entre trancos e barrancos, sim, vai. Dia mais, dia menos, num dobrar de esquina pode renascer o amor. É só não perder as esperanças. Hoje, apenas estamos aqui, são e salvos, como nas outras viradas dos anos também.

