27 novembro, 2005

 

Só, no balanço. . .


As ondas vem, as ondas vão, 'gualzinho ao que acontece no mar. E por elas nos deixamos levar. Ondas de calor, ondas de frio. Ondas da moda, do kitsch. Ondas do amor, ondas de desilusões (isso me fez lembrar daquele filme "Adeus às Ilusões"). Pois bem, agora a "onda" principal é o Natal. Todos os esforços são direcionados para o Natal. São tantos os esforços, que mesmo fazendo nada, a onda nos leva à praia do consumo, esmerilhando nossos bolsos e paciência também. Mas enfim tudo é recompensado na noite do Natal. Daí, de surpresa em surpresa, alguém se levanta e diz: "meu presente, é uma temporada de verão, num balneário qualquer" - e completando - "ao sabor das ondas do mar". Que onda boa essa, né?   Néé !!

25 novembro, 2005

 

Expressar sim, mas com cautela


Nos tempos que cursava a quarta série do primário, minha escola convidou uma certa pessoa - que tinha os braços mutilados - para demonstrar aos alunos a força da vontade e o grau de superação do ser humano. Então como numa sessão de teatro, o homem se posicionou no chão sobre uma almofada e com os pés, retorcendo os dedos, riscou palitos de fósforos e acendeu um pequeno fogareiro. Do mesmo jeito, suspendeu sobre o fogo uma panela, frigindo ovos que ele mesmo antes havia quebrado. E assim, a cena continuou até o final que já era previsível: aquela figura tosca deglutiu grotescamente, toda sua obra de "arte culinária". Ao término, a professora nos deu como lição de casa, a descrição do que vimos. Sobre minha redação ela sensurou severamente: "Beau... no relato, você disse que viu o homem 'fritar seus ovos' e o correto é ter visto 'fritar os ovos que a galinha pôs'". Pronto! foi o suficiente para eu começar a compreender a simploriedade das frases soltas, dos chavões, das artimanhas, das dubialidades e das interpretações. Abaixo, algums exemplos que rotulam as expressões dos mal falantes:
  • Dito pela primeira vez em programas de TV nas matinés de domingo, a "Tiazinha" do SBT e depois a BBB Ellen Roche respondiam sempre, "com certeza" ao entrevistador. Seu uso foi adotado, com certeza, pela maioria das loiras.

  • Artifício verbal para dar consistência às desculpas esfarrapadas dos políticos em Brasília, o "veja bem" é muito usado por personalidades que gostam de dar às suas palavras um ar professoral.

  • "no bulbo seco", é uma expressão usada por um radialista local ao informar sobre a temperatura ambiente: "está fazendo 30 graus, no bulboseco". No soar da frase os ouvidos entendem de forma dúbia, que determina um humor espirituoso, sutil. Ah, "bulbo seco" é o recipiente do termômetro onde se encontra a coluna de mercúrio, que é um elemento sólido e por isso seco.

  • A Zélia, (lembram da Zélia Cardoso de Melo?) tinha um defeito. Um vício de origem. Quando lhe perguntavam sobre assuntos de Economia, abusava do "efetivamente" para discernir sobre coisa nenhuma. Pensava ela ser mais culta, mais erudita e mesmo assim, contratou a peso de ouro o Fernando Sabino para escrever sua biografia, "Zélia, Uma Paixão". Efetivamente... uma bosta!
Se alguém conseguiu me ler até aqui... outros exemplos serão bem vindos.

22 novembro, 2005

 

No trânsito


Retornei agora da rua, no trajeto onde a velocidade não pode ultrapassar os 60 Km horários. Quis o maldito destino colocar atrás de mim um autinho "Celta" fazendo sinal de luz como a dizer, "anda, anda". Tinha pressa. Numa arriscada manobra, me ultrapassou quase levando junto o espelho e parando logo alí na sinaleira. Lado a lado, articulando os dedos, me brindou com "rodinhas". Depois, esticou o dedo maior demostrando apêgo e encantamento ao "fuck you" norte-americano. No seu punho, ornamentava uma pulseira de ouro, sobrepassando um pequeno relógio. Usava paletó, gravata e uma provável peruca, pois além da meia-idade, os cabelos eram fashion demais para quem recém saiu da cama. Nem bem abriu o sinal, numa escandalosa arrancada, tomou a dianteira e desapareceu. Tenho certeza que li um decalco colado na sua traseira: "I'm going to give my ass".

16 novembro, 2005

 
One ought, every day at least, to hear a little song,
read a good poem, see a fine picture, and, if it were
possible, speak a few reasonable words.

-Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)

15 novembro, 2005

 

Anêmona


A minha natureza masculina também percebe semelhanças com organismos bem vivos desse mundo .... afff!

14 novembro, 2005

 

Fixações

Quando me deparei com essa foto, fiquei surpreso com a ousadia de publicarem um close tão de perto daquilo que proporciona aos homens, sua maior volúpia. E em estado máximo de ebulição. Um antigo Grego, já se reportou sobre ela, descrevendo nas Ilíadas aventuras realizadas no encalço de saciar as mais primitivas sensações do gozo e prazer. Tanto assim, que apelidou a Helena de Troia de "A Perseguida", por certo pela quentura que ele, Homero, havia provado e reservou só para si. A Mata Hari também sabia usar muito bem, de forma que, fez rolar muitas cabeças. Em outras palavras os homens seduzidos, se queimaram, se derreteram. Foram fritados. Por um lapso de segundo imaginei tudo isso, até que li a legenda. Trata-se da erupção do vulcão Santa Helena em São Salvador.


13 novembro, 2005

 

A pérola do ano


A pérola se refere ao guy norte-americano Gary Brolsma que filmou sua versão pessoal do clip da música "Dragostea Din Tei" da banda romena O-Zone. O sujeito inventou uma coreografia engraçada. Filmou, digitalizou e disponibilizou na internet. Até o momento o video-clip do rapaz já foi visto por estimadas dois milhões de pessoas. Afora questões sobre crítica ou bom gosto, o que mais chamou a atenção foi a forma Creative Commons como tudo ocorreu no mais puro espírito do software livre, adequado às artes. Já vi muitos filmezinhos enlatados norte-americanos dos anos 80 neste estilo e não sei se ele já ouviu falar no CC. Também não sei se a O-Zone irá processá-lo, pois aparentemente Brolsma não está ganhando dinheiro com isto (até o NYT quis entrevistá-lo e negou-se a atender) mas a música original dispensa qualquer comentário de tão interessante e criativa. Ahhh, se alguém ficou curioso com a música dos romenos (O-Zone), digo que é a mesma que o grão-trash-brazilian-culture "Latino" plagiou para avisar que em seu "Apê tem Bunda-Lelê". O melhor "clipe" desta música está no link: http://www.publiweb.com/service/gary_brolsma_video.html

Observação, 16/11/05. Como estava previsto, tiraram o filme de Brolsma do ar, deixando sómente a gravação original, o que já é muito interessante. Visitem lá, e escutem!

12 novembro, 2005

 

Similitudes


As feministas que me perdôem. Falam que os homens morrem de inveja por não possuirem o dom de gestar novas vidas coisa que só as mulheres podem fazer. Nunca me impressionei muito com isso porém fiquei extasiado, ao ver uma foto do telescópio Hubble onde mostra uma massa de matéria no Universo, o que a NASA diz ser uma nascedouro de estrelas. As minhas estrelas! Pela forma e pela cor, essa sim me comoveu pela semelhança. E também pela grandiosidade do mundo, ao qual juntos, pertencemos.

11 novembro, 2005

 

Para encorajar indecisos


Não fui eu quem disse, mas algo me leva a crer que no futuro esses sites e blogs virtuais, virão substituir nossos cadernos escondidos dentro das gavetas: Um professor de antropologia cultural da Universidade de Roma, Massimo Canevacci, fez uma observação interessante. "Quem se expõe na rede é movido por um instinto não narcisista, mas criativo. (...) Quer reelaborar algo que viu, ouviu, viveu ou leu. A internet é uma mídia de mão dupla, em que somos observadores e realizadores ao mesmo tempo". Se alguém entendeu essa mensagem e ainda não tem seu "caderno" na 'net, eu ajudo a estimular seu uso.

09 novembro, 2005

 

As filas nossas de cada dia


Foi na entrada do verão de 1982. Fazia um calor de torrar miolos. Era meio dia e eu acabara de ingressar na fila de um Banco onde ia pagar a conta da energia no último dia do vencimento. As outras filas ao meu lado se repetiam, extensas. As pessoas em pé, se abanavam com papeis, ou qualquer coisa que levassem nas mãos. E as filas não andavam. Uma senhora sentiu-se mal causando tumulto no afã de conseguir uma cadeira para sentar. E as filas não progrediam. O quadro transparecia desolação visto que era tempo de crise, de alta inflação e as pessoas depositavam suas economias no over-night para assim não verem seu capital ser corroído da noite para o dia. O movimento era grande e as filas não avançavam.
De repente bateu um stress generalizado e outra pessoa teve de ser socorrida. Indignado, abandonei a fila, e fui procurar o gerente para cobrar uma solução. Com muito custo consegui chegar no seu "aquário", uma sala envidraçada com ar condicionado. Entrevi dois copos de água mineral que pousavam sobre sua mesa, suados e ainda borbulhando gás. Interrompi seu assunto com um cliente e fui logo dizendo das más condições do atendimento, da falta de descaso com o povo, uma vez que ele, o gerente, observava tudo pela vidraça, passivo, sem tomar nenhuma providência. Perturbado pela minha interferência e com ar grave, perguntou pateticamente se eu possuía uma solução, à qual respondi espontaneamente que poderia organizar uma fila só, e a medida que vagavam os caixas, "o da vez" seria chamado.
HEURECA!  Ninguém se tinha apercebido, que naquele momento havia reinventado a roda, ou melhor, a "Fila Sistematizada" (o que ensejou anonimamente, ter colaborado para que a Cidade ganhasse o título de "melhor qualidade de vida"). Logo após, pelo exemplo bem sucedido, outros bancos também começaram a adotar este sistema. Alguns dias atrás, ao passar por um bar com mesas na calçada, um senhor que tomava chopp com amigos, me chamou e ofereceu um forte abraço. Era o próprio gerente, agora aposentado. Ficamos algum tempo recordando as intolerâncias de uma época não muito distante. Compreendemos também que é no caos ou na crise, onde acontecem os momentos certos para boas soluções, as quais, antes, se pareciam impossíveis.

05 novembro, 2005

 

A noite em que o céu veio abaixo


Não fazia muito que tudo havia voltado ao normal, quando aqui caiu a maior tempestade já vista, fazendo com que o autor do "Morro dos Ventos Uivantes" ficasse dela com inveja. De repente parecia que o mundo vinha abaixo. Eram raios partindo o céu pelo meio. Arrobas de granizo caindo. Pingos de chuva do tamanho de encher um copo. O vento batia janelas e portas. As lâmpadas piscavam como num filme de terror. Enfim, jorravam cântaros e todo mundo corria em pânico para tentar salvar o que, bem não sabiam. E para completar, o meu rádio de pilha vociferava a voz do Hugo Chavez: "Alca? Alca? Qué Alca cosa ninguna! Alcarajo!".

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