25 dezembro, 2004
Prazer pré-natalino
O Phil, ontem, de última hora decidiu comprar o meu presente de Papai Noel. Pediu-me que o levasse na rua mais movimentadas do comércio mas sem minha presença na loja, pois seria a "maior" surpresa e assim mesmo foi (risos), muito legal. Enquanto esperava sentado no carro, o sol batendo furiosamente na lata, decidi deixá-lo por uns momentos e dei uma caminhada pelas calçadas observando os transeuntes nos últimos desfechos que antecedem o Natal. Não deu outra quando me vi ao lado de um sorveteiro. Meus passos tornaram-se pesados como se tivessem sendo filmados em câmara lenta. Ele me olhando, e eu olhando para ele. São estas coisas do destino que nos fazem encontrar os mesmos interesses. Ele, querendo vender, eu querendo comprar. Perguntei quanto custa, se o preço é por bolinhas e coisa e tal. Resposta, "por três bolinhas, um real e meio". Prontamente minha mão escorregou no bolso e sobre o caixa depositei três moedas de cinquenta centavos. Adiós, regime! Adiós, Herbalife! Adiós, tia Chica! Pedi uma de creme crocante, outra de dulce de leche e mais uma de abacate. Gosto demais de abacate. O vendedor me olhou surpreso e disse, "isso não combina, leva de citrus, não gosta de citrus?". Entendi que alí havia algo de mágico, nunca um soveteiro iria fazer uma proposta assim. "Então tá, bota uma bolinha de limão e outra de maracujá. E claro, por cima o abacate". Daí algo desviou minha atenção e ao voltar a ele, já tinha servido três citrus, menos o abacate. "Ahhhhh meu amigo, não completou o que eu mais queria?". "Não tem problema, de quebra leva uma de abacate também". E lá estava eu, equilibrando aquela torre de sorvete de pé sobre a calçada. Passaram duas moças e eu ouvi, ouvi sim, claro que ouvi, "como esse cara é guloso". De repente o sorveteiro me pos a mão no braço e perguntou (num tom de deboche): "TÁ BOM"? E depois me estendeu uma toalha de papel (tsc, tsc) pois já escorria e pingava creme, casquinha abaixo. Decidi voltar para o carro e as pessoas me esbarrando, o sorvete melando, as mãos lambuzando e o povo cobiçando. Chegamos juntos, o Phil e eu. Estava nos últimos procedimentos comendo o restinho da ponta da casquinha, quando ele teve a brilhante idéia de dizer: "pai, vamos para uma casa com buffet de sorvetes"?
24 dezembro, 2004

21 dezembro, 2004
O outro lado
Pois deu pena quando vi esta foto estampada nos jornais. Retrata um ataque de misseis de terroristas sobre um restaurante onde almoçavam inocentes soldados americanos numa base militar instalada num espaço qualquer dentro do território iraquiano. Aquele ferido, sendo carregado pelos colegas, já pode voltar para casa e dar adeus a sua aventura militar. Ele não foi obrigado a lutar lá. Ele se alistou como um empregado, tinha como ofício conquistar territórios e para isso, nem que tivesse de ir às últimas conseqëncias. Ganhou um polpudo soldo. Foi treinado para matar. E para se defender. E de repente, ao meio dia, alguma facção da resistência local, lançou bombas sobre ele. "São os terroristas", pensou. Mas já era tarde. 22 dos seus companheiros morreram na hora. "Como são malvados estes terroristas iraquianos. Nem respeitam uma base militar. Afinal, porque não fazem como nós e atiramos bombas a esmo? Que malvados são estes terroristas, atirar em inocentes enquanto estão almoçando?". Na primeria vista da foto, até eu fiquei com pena. Até digerir melhor sobre o porquê daqueles soldados profissionais estarem fazendo alí. Vou parar por aqui, senão as lágrimas de crocodilo ainda podem me emocionar. Como diz o outro: "Comigo não, violão".
14 dezembro, 2004
Sobre malas e afins
Estranha a sensação que me dá ao ver uma mala solta em algum lugar. As vezes baixa um sentimento de partida. Raramente a alegria da chegada. Num desses corredores que tenho de passar, lá está uma mala, encostada na parede, incógnita, deixando a pergunta do que ela faz alí. Estaria alguém abandonando alguém? Ou apenas a ameaça de a qualquer hora se esvair. Já vi malas guardadas em cima dos armários, embaixo da cama. Alguém, um dia, teve a idéia de guardá-las dentro de sacos, brancos, de algodão, de farinha mas o volume sempre transparece o contorno de uma mala. Outros inventaram os "maleiros", espaços reservados para dar sumiço às malas. Tenho a mania ao me instalar num hotel, desfazer toda a mala e guardá-la escondida atrás de qualquer porta que assuma recebê-la. Então não pareço que estou somente de passagem. E os que nem mala levam? Uma sacola apenas, que já prediz ser a visita breve. Muitas vezes gostamos tanto desta visita que na sua chegada a primeira coisa a perguntar é, onde estão suas malas?
09 dezembro, 2004
Eu, abnóxio
Perdôem-me já com antecedência, porque o que vou descrever é em tom de crítica. Por razões que não vale a pena aqui me extender, precisei de um serviço na Secretaria da Fazenda. Lá entrando, fui direto ao balcão de informações onde duas simpáticas atendentes me enviaram para outro balcão. Neste, haviam mais cinco funcionários, todos risonhos, pois terminavam de contar entre si a penúltima piada. Recebi uma senha e pediram que esperasse sentado num sofá bem alí na frente. Na falta do que fazer, observava os saracoteios e ouvia as alegres histórias enquanto aguardava. Finalmente depois de meia hora, me comunicaram que a Fiscal da Receita já havia se liberado do telefone (estaria ela tratando algo com sua costureira?) e solicitou me dirigir à sua mesa. Depois de finalizada nossa negociação fiscal, ela queixou-se do acúmulo de trabalho, queixou-se do que ganhava no fim do mês não correspondia ao esforço desprendido, que queria trocar de carro e há cinco anos não recebe reajuste salarial. Ao final, pediu-me que pagasse o tributo e voltasse amanhã. Rezei toda a sua cartilha e de fato no dia seguinte eu estava lá para receber o tão esperado benefício pelo pagamento efetuado. Qual o quê! Logo no primeiro balcão fui informado que havia paralização. Greve agora é paralização. E eu? Eu, o povo, aqueles que produzem, são os que pagam seus salários. Por que ela não avisou que hoje estariam em estado de greve? Deve ter pensado: ele que se lixe. Eu não fiz nada de mal para essa fiscal. Ou deveria eu ter feito algo "mal" nela? Apenas ouvi suas lamentações. Recebo isso em troco? D'outra vez... sei lá!
05 dezembro, 2004
Gastronomias
Quando estive em Caxias do Sul - La Piccola Italia -, fui convidado para almoçar um galeto. Supimpa! Entre outras delícias, também serviram coração de galinha, frito, feito na hora, temperado por alguma divindade deles mesmo. Entre um assunto e outro, me ocorreu quantos tipos de corações vagam por aí, sem nos darmos conta. Pessoas insensíveis, possuem "coração de pedra". Já as chorosas, tem o "coração mole". Quem espera o que nunca alcança é de "coração aflito". Esses dias, numa manisfestação de comerciários, eu li numa faixa escrito, "atrás de um balcão, também bate um coração". Queriam eles instigar a saber como bate o coração de um atendente de uma loja? Bom uso que fazem da democracia! Parece existir uma música chamada "Coração de Melão". Qual essência usaram para conseguir esse gosto? Coração de papel; nunca vi ninguém falar que seja de plástico. E assim por diante. Talvez noutra volta, vou sugerir àquele restaurante quando servir à casais enamorados, que usem palitos em forma de pequenas flexas e dêem ao músculo cardíaco o nome "coração de cupido". (argh) Acho que não vai pegar. Ou vai. Uh?
Enquanto isso, no Afeganistão...

04 dezembro, 2004
Puxão de orelha
Viram no que dá falar sobre "nome de família"? Na minha santa ignorância deixei passar uma gafe. Daquele tamanho. Não vou fazer humor para me desculpar como o Jô Soares faz. Recebi um comment reparando as considerações que eu coloquei. O Dr. Vendrúsculo é uma pessoa normal como tantas outras. Descendente de italianos, deve gostar de jogar truco, preparar um bom galeto e degustar um ótimo vinho. Como mudou minha impressão! Quem sabe, um dia, possa me encontrar com ele pessoalmente.
02 dezembro, 2004
Retornando de Caxias
Alí. Logo alí. Só quem passa de ônibus às margens da estrada consegue ler. Tem uma placa indicativa que diz: "Dr. Vendrúsculo". Como se formou uma nobre e douta criatura com um nome desses?
01 dezembro, 2004
Favas contadas
Esses dias, não sei bem porquê, estava falando sobre favas. Lembrei-me que certa vez, a rainha da Inglaterra nos enviou pelo correio um punhado de favas. Sem bilhete, sem nada, só o carimbo do Royal Botanical Garden e não sei o que mais. O motivo eram esses programas de intercâmbio entre os povos, que naturalmente é atribuição da rainha. Aliás, é o que ela socialmente faz, assim como os vizinhos fazem aproximar-se conversando entre si sobre o muro que divide os pátios. Daí ela deve ter imaginado: vou oferecer umas favas e talvez o vizinho vá gostar, depois eu peço uma muda de samambaia em troca, e blá blá blá e blá blá blá. Pois é. Mas logo favas! A gente semeou, cuidou, e finalmente não deu em nada. Deve ter sido porque a época de plantio era a errada. História estranha essa, não? Imaginem, favas para o Fome Zero. "Ahhh Beau... vá contar favas!" Eu, hem?

