31 maio, 2004
Tá bom. Você que está me espiando... não posso saber quem é. Fica aí... só observando, tipo uma estrela cadente (ou candente?). Dá uma olhada, um brilho, apaga e se vai. E por si só, se vai um possível desejo. E quantos desejos já nos foram assim. E quantas vezes nos momentos de solidão pensamos nas oportunidades que perdemos. Só por olhar e só por observar. Sem levarmos à prática não concluímos nosso desejo de querer e amar. Então... ficamos sós, sempre sós. Observando.
26 maio, 2004
Gravatas
Já vi muitos símbolos que identificam as pessoas conforme sua posição social. O uso da gravata por exemplo queira ou não, ela impõe uma distinção especial. Falaciosa talvez, pois nem sempre corresponde ao nível cultural ou econômico de quem a usa. Conheço quem se vangloria de possuir tantas e tanta gravatas vinda não sei de qual parte do mundo e que para cada ocasião fica na dúvida de qual escolher. Um pouco de exibicionismo não faz mal a ninguém mas transitar pensando que todos estão com os olhos nela, passa um pouco da razão do normal. Mas o pior que pode acontecer é direcionar esse objeto de decoração aos elogios do meio social masculino. Ilude-se pensar que seu interlocutor, volta e meia admira e observa o desenho de sua gravata valorizando e associando à qualidade do pano que foi confeccionada. Meros conceitos materiais. Não sei se meu ponto de vista é obcessivo e recorrente, mas além do satus quo, penso que ela tem o objetivo de lançar o charme, o que resulta na conquista feminina e se se conseguir posicioná-la adequadamente é um ótimo componente de prazer sexual.
Existe aqui, não muito longe, uma cidade com nome estranho de Gravataí. Contam que certa feita, dois namorados encontravam-se na sala da casa, sozinhos, naquele silêncio delatador. Não demorou muito o pai da moça rompeu na peça e a flagrou com a mão dentro da bragueta da calça do rapaz. Ela imediatamente se justificou dizendo que estava apenas "arrumando" a gravata do namorado no que o pai, indignado, perguntou: " GRAVATAÍ ??? "
23 maio, 2004
Andei fazendo uma faxina e encontrei coisas do arco da velha. Entre elas, um feixe de embira que encomendei ao Pedro, um gaúcho da campanha amigo meu. Quando recebeu meu pedido arregalou os olhos, ajeitou as bombachas e disse: "O que o patrão resolveu fazer logo com casca de embira? Se encontrar uma cobra cruzeira, boto junto dentro do saco". E lá se foi, meio a desgosto pelos piquetes, chutando os formigueiros que encontrava no campo. Era para ser mais uns dos meus caprichos. Nos fins-de-semana, queria substituir as brasas do carvão pelas da lenha, das boas. Tipo cambará ou de laranjeira que já deu fruta. Então a embira ... uso a casca para amarrar os feixes de lenha, cada um na medida para assar um bom churrasco. Um bom apreciador sabe que o cheiro da fumaça desprendida dessas madeiras ajuda a aprimorar o gosto. Sou meio "parafuso solto" não? Mas penso: são estes caprichos que fazem da vida uma qualidade especial. E ao Pedro? Nas poucas vezes que lhe encontro, ele sabe que na mala levo sempre de brinde um bom garrafão de vinho.
22 maio, 2004
Deixa ver. Nem estamos em época de Copa e as Olimpíadas só começam em junho. Mas sei lá porque, quando fui ao supermercado, o impulso me levou a comprar frutas cristalizadas. Queijo provolone só porque me provocou se expondo na vitrine assim. Leite condensado, se acontecer uma proposta indecente. Uma porção de pinhões para cozinhar. Maçãs para rechear um saboroso Strudel. Amendoim e pipoca é bom numa canastra a dois. Só para você não perguntar - "e o vinho tinto, Beau?" - já o tinha guardado há tempo para nós comemorar.
21 maio, 2004
Não vou deixar que o trem me pegue. Tento correr na frente mais que a potência de sua máquina. Contas da luz, de água, telefone e assinaturas. Impostos de toda ordem. Condomínio. Ah, até o dízimo! Juntando tudo isso não daria pra passar uma semana em Buenos Aires na maior das mordomias? Vi uma vez um folder de um hotel chamado Plazza. Não adianta, não tem jeito. Não consigo me desvincular da minha infância pois ainda me surpreendo ao olhar figurinhas. Abandono a realidade e mergulho num outro plano que permite que viaje e me faça saciar as fantasias.
19 maio, 2004
Fórum
Todos anos aqui em Porto Alegre, se realiza no mês de junho o Fórum Nacional de Software Livre. Desta vez tanto insistiram que também fiz a inscrição de participação. O assunto gira em torno do projeto de Linus Tornwald, quem criou o sistema Linux e tudo mais que resultou de sua iniciativa. O propósito é o de todos terem acesso livre na informática e não ficar a mercê de um único distribuidor de software com direitos autorais reservados.
Há cinco anos se reúnem, na PUC, pessoas de todas matizes e dos mais remotos locais do país para trocarem experiências que as libertaram do monopólio do Windows. Só para saber, o produto dos debate deste fórum resultou que o Governo Federal vai economizar 2 bilhões de reais só este ano, nos pagamentos de propriedade intelectual ao Bill Gates.
Ano passado eu presenciei de longe esta reunião de desenvolvedores de programas e debatedores. Não se pode fazer nenhum comentário nem ter noção do que esta fauna tem a dizer. Parece algo de ficção futurista, pois realmente existem pessoas que estão dez anos na frente do tempo e nós defasados em relação a eles.
17 maio, 2004
Comentário
De: Anonymous
Data: Seg, 17 de Maio de 2004, 11:52
Para: beaugeste@estadao.com.br
Assunto:
O doce do algodão, o coco ralado da maria-mole, o derreter do suspiro, o grude do quebra-queixo, a transparência do pirulito, o mel da bala, o champagne do guaraná, o marrom do chocolate, o crocante do churros... ah minha infância, minha doce infância!! Sou grata a Deus por tudo isso, mas nao vou perde-lo se nao provar o churros do parque do Beau.
16 maio, 2004
Entre roubados e achados ...
Realmente aconteceu o que eu havia previsto (posted 08/05/04). O livro de Willem Piso, "Historia naturalis Brasiliae", roubado do Museu Nacional foi finalmente devolvido por um antiquário que o comprou com recibo passado, num "sebo" do Rio de Janeiro. O valor pago foi de R$ 2.000,00 enquanto o valor estimado era de R$ 150.000,00. Se demorasse mais um pouco para ser descoberto, talvez eu o teria arrematado numa das casas de livros usados daqui.
15 maio, 2004
Los Churros
14 maio, 2004
Prepotências
Como é mesmo? Você hospeda de favor um jornalista estrangeiro na sua casa. Empresta a chave da porta para ir e vir, tudo na confiança. Ele seduz sua irmã e manda os dois filhos que tem com ela estudar no país de origem. Por não querer se naturalizar brasileiro, precisa de visto temporário para continuar morando e trabalhando aqui. Então por dinheiro, apenas por dinheiro a pedido de pessoas desafetas, publica uma reportagem falando mal justamente de você que o acolheu e com isso lhe causou um stress e uma desilusão total. Voltando agora à realidade, que atitude você tomaria se isto acontecesse no seu lar? Este cara tem algum compromisso com você? Este cara tem ética? É provido de moral para continuar compartilhando de sua companhia? Não daria um chute na bunda dele e expulsaria para nunca mais voltar? hrum, hrum?
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Por falar em fotos, aprenda com o que aconteceu com o Lula. |
13 maio, 2004
Acordo de manhã e já ouço a notícia que a Petrobrás teve 28% menos lucro que no igual período do ano passado. Quanto foi o lucro anterior? R$ 5,545 bilhões. E o deste trimestre? R$ 3,972 bilhões. Já estão especulando aumentar o preço da gasolina para que todos nós paguemos a diferença. Para um simples mortal como eu, nem faço idéia quantas visitas nos parquinhos de diversões poderia fazer com você. Assim nem vou poder lhe convidar para jantar. Se a Petrobrás não tivesse acabado com o Paulo Francis, ele explicaria isso melhor.
Aquele jornalista americano foi pago para publicar a matéria sobre Lula e a bebida. Então por que não lhe pagam para nos informar sobre o Envolvimento de Bush?
Ninguém mais fala sobre o filme "A Paixão de Cristo". Não era lá tão comovente assim então. A igreja tradicional continua vasia. Só o bolso do Mel Gibson encheu um pouco, bastante.
11 maio, 2004
Em suspensão
Por que eu não fiquei de boca fechada? Numa reunião dessas, onde oferecem coffee-brake, o assunto girou sobre micros, informática, estas coisas. Daí resvalei sem querer e dei o endereço deste blog. Sabe o que alguém me telefonou e disse? "Beau, como vc escreve coisas. Como você tem tanto (tempo) para escrever!" Não gostei do tom irônico. Vai ver que esta pessoa não tem nada para dizer. Ou se colocar algo no papel, tem medo de se comprometer. Melhor, ela parece que achou perda de tempo ficar escrevendo. Se eu fosse escritor estaria explicado e como não sou, é mera falta do que fazer, mesmo. Mas vou segredar uma coisa: é meu vício... em vez de guardar bilhetes, cadernos, pedaços de papel nas gavetas, gasto meu dedos teclando coisas, aqui.
09 maio, 2004
Dia das Mães

Quer agradar sua mãe sem deixar melindres quanto ao presente? Uma sugestão para o seu dia: leve-a à feira de artesanato do brick da Redenção e diga para escolher qualquer coisa que mais goste. Daí ela vai comprar algo de valor, já sabendo o quanto que você tem na carteira. Não reclame se escolher um espelhinho de bolso forrado com pele de coelho ou uma cigarreira de couro, ou outra coisa mais kitsch. Aproveite a ocasião dando uma parada na frente de um desses grupos que pensam tocar música e deixe ela se encantar. Não faça comentário maldoso quando passar por aquele moço musculoso (sempre o mesmo) usando camiseta fragata e sendo conduzido pela coleira do cão de raça, senão ela pode pensar mal de você. Recolha e guarde todas propagandas e panfletos que lhe ofertarem, tanto faz se é de seu partido ou não, pois aquela pilha sobre a mesa da sala só está aguardando para serem lidos nos seus momentos de solidão. Se algum índio Guarany lhe pedir uma moeda, faça de conta que não o viu, senão depois vais escutar - "como você é perdulário, meu filho". Ao pegar o carro para retornar, não a deixe ouvir sua negociação com o 'flanelinha' ao argumentar que ele nem estava ali quando você estacionou. Mas não esqueça do mais importante. Ao chegar em casa, dê-lhe aquele abraço sincero de filho da mãe. É este que ela mais vai adorar.
08 maio, 2004
Sobre livros
Acordei hoje, pensando em vasculhar algum "sebo" no centro da cidade, na rua Riachuelo. Nestes dias de chuva, é um bom programa andar no meio de prateleiras atulhadas de livros e revistas velhas. Só quem já pegou o gosto por pescaria sabe como é bom quando se é recompensado. Depois de muita atenção e paciência, pode lhe chegar às mãos um exemplar há muito esperado. Porém minha intenção foi frustrada logo quando ia pegar o carro na garagem e constatei que já haviam me tomado "emprestado". Pensei... Tudo bem, melhor ficar em casa mesmo. Ainda estou com gripe e esta dor de cabeça que não me abandona! Quem disse que a História não se repete? Repetiu sim, comigo, desta vez em forma de fábula: a da raposa e as uvas.
Por falar em livros. Eu que fico aqui de hobby, tentando adquirir e restaurar "raridades". Leio que andaram surrupiando livros e gravuras do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Entre eles, "America tertia pars..." de Hans Staden. O valor do prejuízo é estimado no mínimo em US$ 500 mil. Assim também não vale. Ganhar o troféu de maneira desonesta desmerece a tarefa de colecionador. Talvez se eu tivesse ido num "sebo" hoje pela manhã, não teria encontrado alguma obra dessas, contrabandeada de lá?
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| Willem Piso Historia naturalis Brasiliae... |
Hans Staden America tertia pars... |
Quase ninguém ficou sabendo. Me contaram à boca pequena... Tempos atrás, aqui na minha Biblioteca Pública Estadual houve uma diminuição de seu acervo de livros raros. Simples: livreiros propuseram trocar volumes velhos e duplicados por títulos novos, sem ônus maior. Só que, quem fez a ação de substituição, foram os próprio livreiros e para a biblioteca ficou a tarefa de recadastrar todos os livros novamente ignorando o inventário anterior. Como diz a letra daquela música: "Fácil, extremamente fácil". É fácil enganar pessoas desqualificadas.
Ah, afora o que não nos contam, lembrei do roubo dos 150 mapas históricos do Palácio do Itamaraty. Estes sim, calculados em US$ 2 milhões. Alguns deles que estavam duplicados na Biblioteca Nacional pela dúvida do ladrão, foram devolvidos por sedex. Ladrão glamourizado, não só pelo colarinho branco que vestia. Pela casaca também.
06 maio, 2004
Um pouco confuso
Gostaria de saber hoje, como é que os mais novos percebem as diferentes formas de expressão nos textos lidos em aula. Não faz muito, líamos poesias em português - "Ó vento norte, tão fundo e tão frio" - sabendo que o frio daqui, vem exatamente do lado contrário. Muita coisa ainda é transmitida como uma falsa verdade. Outro exemplo é a estrela Polar que guiava os navegantes mesmo que no Atlântico sul ela não fosse visível. Num pacote americano vendido à TV, as crianças passam horas vendo um desenho animado onde os protagonistas são um pingüim e um urso branco. Não há compatibilidade, pois só no pólo sul existem pingüins e alí também não existem casas de gelo. Recentemente cultiva-se o 'rap', uma moda adotada pela população marginalizada televisiva. Como as roupas usadas originalmente são do bairro Harlem de NY, só eles não percebem que a causa do extremo suor que lhes percorre o corpo é da diferença do clima daqui e o de lá. E assim por diante. Há pouco, um brasileiro escreveu um livro sobre astrologia. Nos seus estudos, chegou a conclusão que o círculo zodiacal original foi concebido por quem morava no hemisfério norte. Então a visão sobre os astros, para quem mora no hemisfério sul tem uma conotação exatamente oposta. Veja só. E eu sempre pensei ser de peixes. Agora, quando alguém fala sobre isso, entro em conflito de personalidade. Me descubro fantasiado de virgem.
05 maio, 2004
Excessos
Está certo as pessoas gostarem de poesia:
"Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho sacudido"
Porém não precisava exagerar tanto!
04 maio, 2004
Um curto ato
Já havia percebido em outros encontros, o interesse que a Suzana tinha em nós. Dia desses eu a vi sentada no sofá da sala conversando alegremente com meus filhos. Estava tão distraída que nem notou eu chegar e sentar na roda para ser gentil com sua visita. No decorrer da conversa, dizia ela que a música de Amadeus Mozart era a razão de sua existência e ia citando infindáveis passagens de solos, movimentos orquestrais, árias de óperas e invariavelmente o Réquiem que deixou inacabado. Falava com uma dramaticidade, que contrastava com sua beleza jovem de 19 anos. Exercitava posturas de maneira a nos encantar com a importância que dava a este gênio da música. Num certo momento, já cansado, me retirei e somente no outro dia soube ter ela dormido em nossa casa e bem cedo, sem dizer nada, já havia saído para onde, ninguém sabia mesmo. No café da manhã, fiz um comentário de sua fixação em cima dum mesmo tema e notei algo que a incomodava a ponto de lhe deixar aflita enquanto não dissecasse os assuntos dum todo. Soube mais tarde do seu sofrimento de não poder controlar a si mesma. Quanto mais tentava se explicar mais sentia-se vulnerável. Passados oito anos, eu a vi uma vez só, foi na saída de um teatro. Ouvi algum comentário, que ela conflitava com sua própria intolerância. Me auto questinava: quem de nós pode julgar a si mesmo? Quem mede nosso comportamento como grau de normalidade? Soube semana passada que ela deu por encerrada sua vida. Uma bela moça. Teria uma bela vida. O que mesmo teria lhe dado causa a praticar suicídio? Talvez fosse Mozart. Talvez.
03 maio, 2004
Cidade pitoresca
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02 maio, 2004
Casaco esquecido
Todos anos nesta época, baixa em mim não sei de onde, uma "santa gripe" que se encarna no meu corpo. Já cansei de jurar que não sairia mais de casa sem o meu blazer embaixo do braço. Bastou que Quinta feira passada, um dia morno, precisei ir a um prédio da Justiça Pública, tipo aqueles edifícios altos, amplos, super arejados, quando aquela brisa vinda do rio, entrou sob minha camisa e sem eu perceber, foi me envolvendo, foi me seduzindo. Depois me amou e em seguida me inundou com esta gripe danada. O resultado: tomei um fartão de cama desde Sexta até hoje e ainda sinto que ela me domina porém com menor intensidade. Afora o complexo de culpa que me deixou, juro que no ano que vem não saio mais assim desprevenido. Da próxima vez não esquecerei de levar um bom preservativo: de novo, o meu blazer embaixo do braço.
01 maio, 2004
Coleção Estampas Eucalol
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Da série "Viagem Pitoresca" do sabonete Eucalol. |
Peças diferentes. |
Nova fase
Há dois meses, quando abri este blog, pensei apenas me proporcionar de um prazer lúdico. Claro, eu sabia que iria pecar muito nas formas gramaticais. Li uma vez, que um texto pode ser infinitamente revisado e sempre tem algo para se mudar. No entanto, aos poucos, sem perceber, o blog vai me envolvendo cada vez mais e a curiosidade aumenta na medida que tento encontrar novas formas de postar. Nunca soube nada de HTML. Isso para mim, era uma coisa muito distante. Porém só por insistência, já consegui executar uma tabela e agora inserir figuras, finalmente. É a lógica das páginas pessoais da internet. Já posso participar socialmente de conversas onde o assunto deriva para este lado. Não vou ser tão mais passivo. Será que estou lhe convencendo a também iniciar um blog?






