08 maio, 2004

 

Sobre livros

Acordei hoje, pensando em vasculhar algum "sebo" no centro da cidade, na rua Riachuelo. Nestes dias de chuva, é um bom programa andar no meio de prateleiras atulhadas de livros e revistas velhas. Só quem já pegou o gosto por pescaria sabe como é bom quando se é recompensado. Depois de muita atenção e paciência, pode lhe chegar às mãos um exemplar há muito esperado. Porém minha intenção foi frustrada logo quando ia pegar o carro na garagem e constatei que já haviam me tomado "emprestado".  Pensei... Tudo bem, melhor ficar em casa mesmo. Ainda estou com gripe e esta dor de cabeça que não me abandona!  Quem disse que a História não se repete? Repetiu sim, comigo, desta vez em forma de fábula: a da raposa e as uvas.


Por falar em livros. Eu que fico aqui de hobby, tentando adquirir e restaurar "raridades". Leio que andaram surrupiando livros e gravuras do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Entre eles, "America tertia pars..." de Hans Staden. O valor do prejuízo é estimado no mínimo em US$ 500 mil. Assim também não vale. Ganhar o troféu de maneira desonesta desmerece a tarefa de colecionador. Talvez se eu tivesse ido num "sebo" hoje pela manhã, não teria encontrado alguma obra dessas, contrabandeada de lá?

Willem Piso
Historia naturalis Brasiliae...
Hans Staden
America tertia pars...


Quase ninguém ficou sabendo. Me contaram à boca pequena... Tempos atrás, aqui na minha Biblioteca Pública Estadual houve uma diminuição de seu acervo de livros raros. Simples: livreiros propuseram trocar volumes velhos e duplicados por títulos novos, sem ônus maior. Só que, quem fez a ação de substituição, foram os próprio livreiros e para a biblioteca ficou a tarefa de recadastrar todos os livros novamente ignorando o inventário anterior. Como diz a letra daquela música: "Fácil, extremamente fácil". É fácil enganar pessoas desqualificadas.


Ah, afora o que não nos contam, lembrei do roubo dos 150 mapas históricos do Palácio do Itamaraty. Estes sim, calculados em US$ 2 milhões. Alguns deles que estavam duplicados na Biblioteca Nacional pela dúvida do ladrão, foram devolvidos por sedex. Ladrão glamourizado, não só pelo colarinho branco que vestia. Pela casaca também.







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