27 julho, 2004

 

Meu lado otimista

Alô.! Aqui é o Beau quem fala. Ha! Não? Simmm!! Tá bom, eu estava justamente enviando um email para você e pensei que gostaria de receber notícias. Então aqui vai. Deixe-me ver o que tem de novo? Um monte. As novidades aqui não param. Semana passada mesmo, houveram muitos eventos e muitas notícias que eu não tive chance de contar. Meu candidato à prefeitura vai ser campeão. Meu filhote no festival de música. A máquina de lavar já foi consertada. Perspectivas de receber o que me devem. Aquela manchinha no pulso era só coisa de eu usar relógio. Meu gato cada vez mais brincalhão. Já semeei novos tomateiros. Andei olhando modelos de celulares. E como sempre, sei que você vai me escrever.


25 julho, 2004

 

Alguma coisa me diz...

Eram duas da madrugada de hoje quando levei meu filho na Rodoviária para embarcar à Santa Maria, cidade situada no centro geográfico do Estado. Aos poucos iam chegando colegas portando violinos, violas, violoncelos e outros instrumentos acondicionados nos seus estojos. O destino final é a pequena localidade de São João de Polêsimo onde dezenas de estudantes de música de diferentes partes do Brasil irão ensaiar juntos, trocar experiências e participar de master-clases com professores de nível internacional. É o Festival de Vale Vêneto numa semana de convivência em comum. Enquanto isso, entre sorrisos e excitações, eu observava o Phil, metido no seu casaco de lã - três-oitavos -, envolto num cachecol estampado num bonito glamour. Daí, percebi não ser somente eu quem o admirava. Havia também uma coleguinha violoncelista esperta, que se antecipou em comprar as passagens para os dois viajarem juntos. Boas notas musicais que os levem.


24 julho, 2004

 

Tenho recebido inúmeros e-mails contendo piadas sobre o nosso Presidente Luiz Inácio 'Lula' da Silva eleito legitimamente pelo voto. Pelo conteúdo primário e grosseiro, além de não respeitarem minha simpatia pela sua vontade de solucionar problemas sociais, tenho devolvido ao remetente o seguinte texto:

ATENÇÃO!

"A SÍNDROME DA DERROTA"

Os psicólogos estão carecas de saber a respeito da "Síndrome da Derrota" esse assunto recorrente. As formas lúdicas de reclamar da derrota, principía em negar a perda da competência achincalhando quem os venceu. Ocorre aí uma instabilidade emocional que pode se converter numa provável adoração pelo vencedor. Sendo isso tratado como doença, os limites variam de caso a caso. Nas vezes que pacientes foram submetidos a um suposto algoz, não raro acabaram admirando quem os dominou. Aí se encontra o maior perigo desta moléstia se transformar em epidemia quando uns repassam aos outros as suas raivas e propagam seu desprezo. Neste caso cultivam obsessões passionais para denegrir gratuitamente seu Presidente de forma hilária, mais pela emoção que pela razão. Há um retorno às origens, transparecidos nos instintos animais: onde se dirige uma ovelha todas as outras vão atrás. Não seja OVELHA. Se você é um obcecado direitista, antigo leitor do "Reader's Digest", ouvinte da "Vóz da América", contaminado pela propaganda da CNN e se não está de acordo, mude esta situação pelo voto para eleger alguém supostamente melhor. Não achincalhe. Não demonstre ser "well stupid" nas suas frustrações. Seja mais sutil usando sua inteligência e não menosprezando a dos outros. Enfim, raciocine. Mostre suas soluções, claro, se as tiver.


23 julho, 2004

 

Tesão involuntária

Como toda criança faz, eu também fazia traquinices. E se percebia estar sendo observado, mais aprimorava meus gestos, meu imitar aos outros e curiosas acrobacias. Dia desses a sós com minha mãe, ela perguntou o que eu queria ser quando crescesse. Imediatamente lembrei dos filmes nas matinés de domingos e dos personagens que mais me traduziam felicidade. Com um sorriso largo e com toda certeza, lhe disse que queria ser um artista. Para as tradições da época já imaginaram o que eu escutei de explicações a respeito desta profissão de 'costumes mundanos'. Mas pensando bem, eu não saberia mesmo interpretar papéis que exigissem unicamente profissionalismo. Noites e noites custei a dormir pensando como faria se tivesse de beijar minha heroína. Além da explosão da libido - das prováveis manifestações eróticas corporais - não saberia nunca dar somente um beijo técnico o que, inqüestionavelmente me fez demover dessa idéia nem tanto, nem tão maravilhosa.


22 julho, 2004

 

Aos que me lêem não quero ser chato, também não pretencioso. Somente que me indigno com certas coisas e por isso mesmo sou adepto do Fórum Social, do Linux e do Software-Livre; enfim, da liberdade de cada um poder escolher seus destinos sem interferências ideológicas ou de interesses comerciais com malefícios à economia própria ou do país. Assim, recomendo a leitura de: "Outras Palavras".

(Em segredo, Microsoft doa programas desatualizados a escolas argentinas na esperança de adestrar beneficiários da inclusão digital ... a existência de um acordo secreto entre a Microsoft e o Ministério da Educação da Argentina foi descoberta na última semana pela Ong Solar - Software Livre Argentina. Semelhante a outros convênios já estabelecidos pela empresa com governos - um programa intitulado "Partners in Learning", ou seja, Parceiros no Aprendizado -, o acordo prevê a doação de licenças de Windows 98 e 2000 a escolas públicas. Esse tipo de estratégia da empresa - doar software a escolas e patrocinar aulas que ensinam professores a usar esses programas - têm sido comparado a uma "tática de traficante" por boa parte dos críticos. A Microsoft incentivaria o uso de seus programas em certos ambientes - como escolas e em programas de inclusão digital - para criar uma massa de usuários "viciados" em seus programas).
    ... continua...


21 julho, 2004

 

Acerca de corredores

Da última vez que fui ao dentista, reparei o corredor comprido onde de um lado haviam só portas e do outro janelas que davam para o lado do prédio. Aquele corredor interminável que mais parecia um pesadelo no qual você caminha, caminha e não chega nunca lá. A luz refletida nos azulejos totalmente assépticos. E a medida que me aproximava da sala do consultório já entrevia meu algoz, todo de branco, com um sorriso sarcástico me acenando com a torquês de aço na mão. Hoje voltei somente para pagar a conta. Novamente, aquele corredor comprido que parece ter sido construido só para me judiar e prolongar a dor que senti, só que desta vez, no meu bolso.


20 julho, 2004

 

Andava um pouco atrapalhado com minhas coisas daqui. Atrapalhado, que dizer, que não sei muito dar prioridade no que fazer. Já diria um psicólogo, na sua imensa lista de diagnóstico: que devo me organizar melhor. É. Imagina se estes caras todos que leio biografias fossem organizados. Fleming, não teria descoberto a penicilina e nem a Madam Couri a radioatividade. Puxa! Tou querendo me equiparar demais.

Eu vi num destes testes que os vereadores tem de fazer pra saber se no mínimo sabem escrever, assim:
Papel, virou 'papeu'
Do mal, virou 'do mau'
Carnaval, virou 'carnavau'
Será que, E-mail também se pronuncia "emeu"?


15 julho, 2004

 

Como aproveitar as carnes

Se o trato é bom, a carne até pode ser menos nobre, não tem importância, acaba ficando apetitosa. Desejável que esteja a princípio, limpa. Se congelada fica mais difícil iniciar o preparo, precisa primeiro perder o gelo. Que seja farta para saciar pelo menos um homem com a fome de um leão. Fundamental que se perceba ossos, alguns são fundamentais. Pode-se começar o preparo marinando a carne com temperos simples, até algum tipo de álcool... vire para que todos os lados sejam regados e permaneçam úmidos. Cuidado com o tempero! Em demasia enjoa e poucadinho não resolve. Nunca tempere só na hora de comer... ficará desenxabido. Há lugares polpudos que exigem melhores tratos, e aí fica a critério e criatividade de cada um a forma de trabalhar. As fendas, os buracos ou reentrâncias precisam igualmente receber tempero, e existem apetrechos próprios para cada uso. Você vai observar, uma vez que as coisas tenham sido feitas corretamente, que a carne vai amaciando devagarzinho, perdendo seus sucos... parece que o sal apura, mas está correto. Você é quem define o tempo desta etapa porque vai variar conforme a resposta da carne, isso só se aprende mesmo com a prática. Faça o cozimento a seu gosto... só não esqueça de ter paciência para não comer cru demais, nem deixar passar do ponto, o que pode botar tudo a perder. Estando pronto, coma com talher de prata se for magnata, coma com a mão se for peão, o importante é que coma tudo. A receita é certeira se você gosta mesmo de comer a carne e não só de cercar a rês ...

De:  Coisinhas que escrevo... coisas de travesseiro... coisas da cozinha... coisas do meu dia a dia.


14 julho, 2004

 

da série: "Gostei mais" III

Sexo não existe.
Precisa ser feito.
No homem, erigido.
Na mulher, cavado.

*David Calderoni é poeta e pesquisador do Instituto de Filosofia da USP.


13 julho, 2004

 

Mesmo que não se queira ouvir os sons daquela novela "das oito" da Globo, onde escutamos a Elis Regina cantando a música do tema principal. Será que é só a mim que bate uma saudade dela e ao mesmo tempo vem acompanhada de uma angústia bem própria dos tempos do AI5? E isso que eu nem participei de nenhuma militância. Imagino esta melodia entrar nos ouvidos de pessoas que tem a dizer respeito.


12 julho, 2004

 

Barrigas frias

Perto de onde moro existe uma praça na qual o primeiro domingo de cada mês acontece um brick-a-brack. Neste último, estava especialmente legal porque era um dia muito frio compensado por um belo sol que aquecia os casacos de lã e dava uma sensação de conforto e disposição. Alí vende-se todo tipo de artesanato feito por quem queira expor. As vezes uma surpresa, outras só a repetição do que já se conhece. Numa das canchas de esportes, a de Basquete, encenam apresentações artísticas qualquer que sejam. Quem se achar com algum talento qualquer, que entre na roda e pode se mostrar entre cantar, recitar poesias, tocar gaita, violão, violino, tambor ou bandoneón, até tirar sons de um serrote velho. Finalmente, a "invernada" de danças. Havia um grupo que dançava mazurkas polonesas, outros marchinhas alemãs. Daí misturava-se o folclore gaúcho e desse caldo de toda cultura, bem no final, como reserva especial, a dança do ventre. Olhem, nem vou me alongar... mas já era à tardinha. Atrás das árvores se escondia o sol, oferecendo uma tenebrosa sombra. Uma brisa úmida começou a tomar conta da praça. Enquanto as barrigas das moças tremiam e as cadeiras não paravam de se requebrar, eu fiquei pensando: não seria por causa dos dez graus Celsius de frio que estava fazendo??. Coisas daqui, coisas daqui.


11 julho, 2004

 

Os déspotas usam sempre do mesmo artifício, de fazer desaparecer da memória, atos por eles praticados. Um partido político, para afastar da memória do povo as barbaridades que deu suporte aos vinte anos de ditadura militar, já trocou quatro vezes de sigla: ARENA, PDS, PPB e PP. Em cada nova denominação, subverteu até três gerações de jovens ingênuos que foram se desiludindo ao entender que aquilo tudo era enganação. Recentemente seu presidente foi afastado e processado por corrupção e seu ícone máximo, o Maluf, que já quis ser presidente, ainda usando de arrogância, é candidato às próximas eleições em São Paulo. Tem chance de ganhar. Que país surrealista este, em que eu vivo.


09 julho, 2004

 

E por falar em flores...

No quarto daquela senhora eu vi em cima da cômoda uma flor, já seca, enfiada dentro de um vaso que há muito tempo deveria estar ali porque era uma rosa desbotada de um amarelo pálido. Muitas histórias me ocorreram então, desde pensar que aquilo foi a última emoção de alguma amor que se perdeu no tempo. Também logo lembrei de uma canção melancólica, "Flores Secas", que tinha o dom de entristecer a qualquer um. Me pergunto, por que as pessoas curtem esta dor? Será para que o complexo de culpa justifique um pesar que não lhes competiu? Ou por uma paixão tão grande que cultivada pela dor não querem mais esquecer. Pois é. Mesmo àquelas pétalas guardadas entre folhas de livros, prefiro as recém colhidas. Elas tem o milagre de renovar a esperança na vida. O resto, são lembranças vãs.


08 julho, 2004

 

Delícias da terrinha

Outra vez me perguntaram o que de interessante Porto Alegre tem. Além do necessário e o suficiente, claro, primeiro tem eu. Depois vem as delícias dos prazeres sociais. Uma infinita relação de lugares para passear: teatros, shoppings, parques e casas noturnas. Tem restaurantes que nos dão água na boca provando as delícias locais, aqueles que não constam nos catálogos de turismo. Ou um bar acolhedor onde servem sanduiche aberto e um chopp bem tirado como este da foto. E se escolher uma carta de vinhos, peça os produzidos aqui mesmo. O meu preferido é aquele já premiado, da adega de meu amigo Marson. Que tal? Já sirvo pra ser guia turistico, não?


07 julho, 2004

 

Carlos Heitor Cony

Resolvi voltar a escrever algumas linhas pois não posso deixar de manifestar a minha indignação sobre a "indenização" dada a um jornalista residente no mais valorizado e belo cenário do Rio na lagoa Rodrigo de Freitas, não mais nem menos que o escritor Carlos Heitor Cony. A Comissão que estuda e delibera sobre os injustiçados pelo antigo regime militar, chegou a conclusão que ele teve perdas por ter sido reprimido na sua criação intelectual. E para reparar este erro, a República irá lhe pagar mensalmente o maior salário possível no país que é de R$ 19.100,00.

É isso mesmo: DEZENOVE MIL E CEM REAIS mensais.  É legal? é!  Mas é imoral. Sim, é imoral!  E este fato passa na frente de nossos olhos sem que podemos fazer nada. Toda vez que eu levo um quilo de alimento para o "Fome-Zero", fico lembrando da nossa injustiça social. Parece que algo semelhante aconteceu na França em 1789 quando o povo finalmente não aguentou mais e resolveu fazer o que se denominou: "A Queda da Bastilha".


01 julho, 2004

 

Disciplinei a mim mesmo de não escrever mais nada enquanto não passar esta gripe - já é a 2ª deste ano -, isso para não me fazer passar de coitadinho. Apenas um registro: assim como da outra vez, meu gato também ficou doentinho. Será que ele tem minha cara? ou eu a dele?


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