23 julho, 2004
Tesão involuntária
Como toda criança faz, eu também fazia traquinices. E se percebia estar sendo observado, mais aprimorava meus gestos, meu imitar aos outros e curiosas acrobacias. Dia desses a sós com minha mãe, ela perguntou o que eu queria ser quando crescesse. Imediatamente lembrei dos filmes nas matinés de domingos e dos personagens que mais me traduziam felicidade. Com um sorriso largo e com toda certeza, lhe disse que queria ser um artista. Para as tradições da época já imaginaram o que eu escutei de explicações a respeito desta profissão de 'costumes mundanos'. Mas pensando bem, eu não saberia mesmo interpretar papéis que exigissem unicamente profissionalismo. Noites e noites custei a dormir pensando como faria se tivesse de beijar minha heroína. Além da explosão da libido - das prováveis manifestações eróticas corporais - não saberia nunca dar somente um beijo técnico o que, inqüestionavelmente me fez demover dessa idéia nem tanto, nem tão maravilhosa.

