31 março, 2004

 

Uma experiência

Onde estava eu mesmo, no dia 31 de março de 1964?  "Num ninho de comunistas". Assim eram chamadas as oficina do jornal "Última Hora" que ficava próximo do meu quarto de pensão e eu acompanhava passo a passo as notícias da tentativa de mais um golpe militar. Na frente, na calçada, se aglomerava o povo e eu inclusive. Havia um intelectual, que em cima de uma caixa de madeira na ponta dos pés, gesticulava muito e discursava. Usando uma gravata vermelha, camisa de mangas arregaçadas exibia seu revólver Shmith-Wesson "cabo de madrepérola". Um novo Lênin. Uma figura épica. Uns quantos outros bradavam palavras de ordem. Eu não sabia, mas presenciava os últimos extertores da democracia. Para mim, havia algo de atemorizador naquilo tudo, porém a cena me emocionou pela grandiosidade do fato e pela excitante experiência de estar convivendo com a História. Na medida que transcorriam os fatos, já tinha certeza que mais uma revolução estava por vir. O comando do exército ainda se encontrava indeciso sobre qual lado iria ficar. Minha ingenuidade de moço até fez pensar que aquela figura em cima da caixa poderia ser meu futuro lider. Deu no que deu. Elegeu-se vereador e até governador do Estado.  Até hoje, penso que não voltamos ao pleno direito de expressão. Soube hoje, que um grupo de alunos fez uma manifestação contra o movimento grevista dos professores. Pode ser que um dia, um deles irá se destacar e irá usar uma gravata vermelha também. Viu, novamente aos poucos estamos chegando lá.


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30 março, 2004

 

Coisas daqui

Não faz muito. Nem dez anos. Para saber as condições do tempo, ouvia-se de tudo, entre mil crenças, muitas mentiras, asneiras de todo tamanho. Por ser apenas uma "previsão", podia-se dizer qualquer bobagem, como: "Tem chance de chover, 50% sim, 50% não". Aqui no ~Rio Grande~ certas pessoas empostavam a voz para dizer que 'escutaram' na rádio El Espectador do Uruguai, a previsão do tempo fornecida pelo Instituto Antares (era essa a estrela que vagueia por aqui). Não conheço ninguém que foi lá, que viu ou que confirmou a existência física deste Insituto. Mas se faziam importantes em divulgar porque naquela época, deter o conhecimento já era uma forma de ostentar status ou de demonstrar poder. Igual como o Antares, que errava feio, o Instituto de Meteorologia local também falhava. Não tinha credibilidade dos ouvintes além que, nem dava a mínima pela gozação. Dia desses ocorreu uma enorme seca. Era tão seco que até romarias fizeram aos santos suplicando por chuva. E então, apareceu uma nova figura. Descobriram em Passo Fundo um agricultor que fazia suas previsões observando os hábitos das formigas. Passava o dia sentado à margem de um formigueiro examinando o trabalho delas. Ora falava sobre o 'suor' que desprendiam na escavação, ora pelo esforço no cortar e carregar as folhas para dentro dele. Comentava o movimento dos "carreiros".  Se estavam todas andando em fila o tempo seria bom.  Se se tinha instalado o pânico era tempestade. Das brabas. Queria saber do tempo? "Pergunte ao homem das formigas". Por estes e outros fatos, ele sabia se ia chover ou fazer sol. De outra feita, surgiu uma tal de "Fundação Cacique Cobra Coral" a qual se utilizava de meios exóticos e mediúnicos. Eu ficava imaginando vários índios dançando frenéticamente na roda de uma fogueira adorando uma serpente (a coral), que ia se contorcendo lânguidamente. Uma índia virgem ficava a admirá-la até entrar em transe. E era ela quem determinava se precisava botar a capa de chuva, ou não. E assim funcionavam as coisas. Já que as pessoas leigas receitavam chás e remédios, por que também não se podia fazer previsões meteorológicas? "Nuvem com rabo de galo, é prenúncio de seca"; "geada no barro é água no tarro"; "cerração baixa é sol que racha" e outros mais. Haviam rezas também: "São Bento, São Bento, venha água e não o vento" Então era bom quando de surpresa caia uma chuva, uma invernada inesperada, um período estival. Cada estação do ano nos surpreendia com fatos diferentes. Era a força da natureza que surgia como a certeza de uma fatalidade. E entre perguntas e respostas acompanhavam pitadas místicas de interpretações.  Era o imprevisível! Bom. Tudo bem. Assim foi. Até que um dia, apareceu "O cara". Seu nome é Hackbardt. O cara acerta todas. Não erra uma. Vejo na TV o reporteiro ler seu texto. Tecnicamente correto. Politiamente correto. Perfeito! Começou acertando e continua acertando. De repente me deu um contra, e percebi que aquela forma antiga, lúdica de descrever o tempo, era quase um conto infantil. Aquela crença atroz do castigo – quero que um raio caia sobre mim - a ilusão do "me engana que eu gosto"  deixaram de existir. Os curandeiros ficaram desempregados. Os pregadores do apocalipse não existem mais. Nosso mundo a exigir qualidade.  Tudo se transformou numa palavra só: competência.


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29 março, 2004

 

Ciclone

Eu vi! Eu vi!  Está em formação outro ciclone-tufão-tornado-extra-tropical. Onde será que ele vai passar desta vez? No Rio Grande? Nas Malvinas? Austrália ou Nova Zelândia?   Ilha da Páscoa!! (ah, esta esquecida). Que ele virá, virá!  Fique de olho que ele virá. (minha contribuição aos imprevisíveis do tempo)

28 março, 2004

 

A medida que se aproxima o fim do mês, os e-mails diminuem na minha caixa postal. Será que é a falta de grana que faz isto? Gastaram tudo antes do tempo? Falta de grana priva a criatividade. Deixa as pessoas nervosas. O humor fica a zero. Mas é nas crises que se descobrem as melhores soluções. Cuidado! Gerente de banco não é exatamente sinônimo de amigo. Não deixe que notem sua fraqueza. Calma. Aguarde mais um pouco, que tudo voltará ao normal. Quer confiar em mim? Eu sim, continuo seu amigo. Tá?

You got a friend

27 março, 2004

 

Reminiscência

Ao acordar pela manhã, atravéz da janela vi aquela névoa úmida, fresquinha. Os carros passando, desaparecendo devagarinho. Não preciso dizer de quem me lembrei quando o levaram num típico dia de outono.
Igualzinho a esse.
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26 março, 2004

 

Ibope (de novo!)

Ouço os meios de comunicação alvoroçar com espalhafato a nova pesquisa do CNI-Ibope: “A aprovação do governo cai de 66% para 54%”. “A confiança no presidente Lula cai de 69% para 60%”. “O índice de desaprovação ao governo subiu de 25% para 39%”. Por que tanto interesse agora, para fazer pesquisa? Para irritar mais o governo? Porque se aproximam as eleições? Tá me cheirando àquele ciúme contra o vizinho: - ”Você já viu? Bem feito. Ele não merecia fazer parte do clube. Mal e mal consegue pagar a mensalidade". E quem fofoqueia isto, é porque se indignou por seu currículo não ter sido aprovado por falta de credibilidade para participar da festa deste mesmo clube. Um outro, abriu seu armário e retirou alguns ossos: - “No tempo da ditadura a aprovação do General Médici, era de 80%”. Só que, omitiu de dizer que o então 'milagre brasileiro' foi feito assinando promissórias que nós e o Lula agora estamos nos matando para pagar. Assim, fazendo empréstimos, até eu governo, sabendo lá do que será dos que irão me suceder. E como sou mão aberta,  minha popularidade estaria perto dos 100%. (ah, isso se o Ibope deixar)

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Feliz aniversário

Hoje, minha cidade faz aniversário. Festeja a Semana de Porto Alegre. Está linda!  Para participar, vá ao Rincão da Harmonia no “Rodeio Crioulo”, festa típica gaúcha.  Sem estas coisas de construir enormes bolos, enormes pizzas para dar impressão da vontade espontânea de comemorar. As vezes vejo isso na TV. É a fome mesmo, que faz o cenário para o povo se aglomerar. E depois, vem aqueles mega-shows onde fica todo mundo com os braços para cima, acompanhando a música despejada das caixas de som (crédo, como estou amargo). Então, gostamos mesmo é dessa maneira mais introspectiva de ser, com pequenos bailes, grupos musicais, pessoas que cantam, que trovam, que declamam eriçados pela emoção. Tudo dentro das regras das nossas tradições. Ah, e o churrasco. Não pode faltar o churrasco. Típico da festa à gaúcha. Só vindo aqui, só convivendo aqui, pra entender. Timidamente digo: Feliz aniversário minha Porto Alegre, cidade de adoção.

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25 março, 2004

 

Ornitologia

Neste verão, os sabiás  cantaram menos. Será que foram contaminados por influenza da recessão?

24 março, 2004

 

Voragem

Na  sarjeta  o  gato  bebe (gesto  de  sede) o  tamanho  da  noite. (H.F.)

21 março, 2004

 

Meu herói

Ao passar o tempo, dos muitos heróis que desfilaram em nossas vidas, nem sempre sabemos porque viraram heróis. Caso típico aconteceu com a recruta Jessica Lynch que foi 'resgatada' no Iraque e ovacionada como heroína. Tanto a mídia fez, que ela pediu para ser esquecida. Temos verdadeiros e falsos heróis e cada um possui o seu predileto. Então vou contar para vocês do meu herói, aquele meu escolhido:  Chama-se "O pracinha Weber". Ele lutou na FEB na Itália, juntamente com meu tio que ainda voltou vivo. Antes porém vou falar sobre meu tio. Ouvi minha avó relatar, que um dia ainda de madrugada, chegou um caminhão do exército vindo da cidade. Bateram na porta da casa, chamaram pelo praça Henrique (o Heinrich), 18 anos, e o levaram desaparecendo na névoa fresca de uma manhã. Depois, finda a guerra,  retornou.  O Marechal Dutra facilitou a aquisição de um caminhão Volvo no qual iniciou a ganhar o seu sustento. Minha convivência com ele, lembro, era de visitas esporádicas que fazíamos à sua casa, à sua mulher e filha. Eu ainda era novinho quando certa vez, espantado, presenciei uma cena vinda do quintal. Era ele, querendo brigar com o vizinho simplesmente pelo fato de que ouvia o choro do bebê recém nascido. Não podia escutar uma criança chorar; o estouro de fogos de artifício o amedrontava e o simples som de uma harmônica ensejava lhe verter lágrimas. Isso e muito mais o que não compreendíamos, era exatamente o inferno dele. Tinha preferência de dormir no chão, sobre as tábuas do assoalho, como se ainda estivesse acantonado. Um dia, ouvi-o balbuciar o nome do Weber. Só isso, o nome. Mas por que se lembrou do seu 'kamerad' e amigo Weber? Porque foram colegas e assim como ele, o Weber não desertou, não fugiu.  Não o levaram acorrentado.  Apenas assumiu sua função do que teria de ser feito: lutar para salvar o mundo da catástrofe do nazismo. E era ele o escolhido. E assim foi e fez, como meu tio. Só que o Weber não teve a mesma sorte. Morreu lutando. Derramou seu sangue, para sem saber, me proporcionar aquela feliz infância que eu estava vivendo. Que grato que sou.  Isso que chamo de herói!  Alguém lutar e morrer por você.  Um anônimo fez este serviço. E com que competência ajudou a tomar o Monte Castelo e tudo o mais. Se Hemingway o tivesse conhecido, talvez para ele tivesse dedicado o 'dobrar dos sinos'. Quando eu ainda frequentava o curso primário, no caminho da escola de mochila nas costas, passando pela praça principal, a minha atenção era desviada para aquela pequena rocha, cravada ao lado de um cipreste, onde estava estampada sua figura desproporcional de estatura baixa em posição de sentido como a espreitar os transeuntes. Uma homenagem minúscula, como minúscula era a lembrança dos que ele tinha salvo. Um dia, no entanto, ganhou o nome de uma avenida: Expedicionário Weber. quatro quilômetros bem merecidos. Hoje, minha cidade natal é mais lembrada pelo goleiro Taffarel ou pela Xuxa, também nascidos lá. Então ergueram a "Casa da Xuxa". Ela, a heroína fashion da mídia. O Weber, uma realidade dura, concreta, permanente. Este sim, é um verdadeiro herói! Ainda vai acontecer alguém despertar e dar a merecida homenagem. Inaugurar um grandioso panteão. Dedicar uma data solene, com salvas de canhão. Uma parada civil em honra e agradecimento para esta pequena figura, que num dia de outono o levaram e foi desaparecendo, desaparecendo, na névoa fresca de uma manhã.


20 março, 2004

 

Homenagem ao Cristiano

Acordei tarde hoje.  Fui ontem na formatura do meu primo, Cristiano.  Colou grau em geologia. Depois a festa. Ahh que festa!  Após eu retornar, fiquei até as três da madrugada, tentando fazer a digestão antes de dormir. Mas valeu a pena.  O discurso do orador da turma: "No decorrer do nosso curso, aprendemos que um grão de areia formado por dezenas de anos, é uma parcela de uma rocha vulcânica formada em mil anos. Estudamos a crosta terrestre formada há milhões de anos, os cometas, as estrelas, as galáxias formadas em bilhões de anos, o universo... (pausa). E nós aqui, aos poucos, ficamos sabendo quão insignificantes somos, comparados à tamanha grandeza".  Bom... ao menos tiramos proveito de discursos sejam simples ou complexos. A reação química ocasionada pelas emoções sempre mexe com o nosso cérebro.


19 março, 2004

 

Algo de bom aconteceu

Pois então. Não é sempre assim?

"Para alguém se deixar conhecer pelo vício, por um fracasso ou por uma tarefa não conclusa, logo a notícia se espalha.  Então, quando nossos filhos colhem uma folha de louro, fruto de sua dedicação, temos que transmitir isso, contar aos vizinhos, tornar público que algo de bom aconteceu e de preferência celebrar com quem queremos bem".

Foi desta forma que nos falou a professora, naquele intervalo da aula de encadernação e restauração de livros, quando me tomei de um impulso e extravasei minha alegria a todos:  O Germano, passou por todas etapas no concurso para pianista da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.  Nesta estafante prova em nivel nacional, faziam parte da banca o maestro  Júlio Medalha,  Manfred Schmidt e o não menos famoso, de renome internacional, Isaac Karabchewski.  No programa,  uma Sonata de Beethoven;  Concerto n° 1 de Chopin;  o balé Petruschka de Stravinski;  Prokofiev  e  acompanhamento de sopranos. Devo estar contente pelo Gê, não devo? E assim anunciando,  também é um prazer compartilhar com você.


14 março, 2004

 

No fragor do discurso:

"... pois quando minha mãe nasceu, ela também era analfabeta".
Eu sei Lula, eu sei.  Foi figura de linguagem.

 

Comentário literário

"Verônica Decide Morrer"...
A leitura quase rompeu meu hímen.
Até perdi o sono.

 

Perfil

Você é romântica? Você é daquelas que quando toma um revés fica choramingando pelos cantos? Quantos se dizem românticos para justificar suas fraquezas. Se curvam na dor mas não reagem, porque são sonhadores. Porque os românticos sonham que o mundo ainda lhes vai ajudar. Vivem de imagens. As vezes turvas, nebulosas, não muito bem definidas. Levitam pelas calçadas na sombra da griffe da moda. Encantam-se ouvindo corais desafinados. Os românticos acreditam que o Saddam realmente é o perigo para o mundo. Porque são assim. Sentiram pena do Collor, quando nefastamente o obrigaram a sair. Porque são assim. Ao encher o tanque do carro, se resignam de reclamar do preço. Porque é assim, porque é assim. Quando estão alegres, a melancolia é seu estado de natureza. E quando desatinam sentem-se frágeis, vulneráveis, um corpo no ar, suspenso por um fio. Chega, chega, chega de romantismo! Enquanto isso... a realidade é outra Os novos, os caterpilam. Não os entendem. Porque os novos são modernos. Mais!... Já são pós-modernos. Enquanto isso, continuas romântica . . .


11 março, 2004

 

Bolhas?

Não sou como bolhas de sabão, ... que começam coloridas pelo sol, mudam de cor de acordo com o local, voam alto, voam baixo e de repente se dissipam... Será que sou? Sou não! (sorriso amarelo)

09 março, 2004

 

Falus & Stercus

Bem no horário do almoço, a TV anuncia a nova peça teatral do grupo Falus & Stercus. Com o rabo-do-olho percebo meu filho caçula atento. Demoradamente, segura o garfo suspenso no ar, deixando transparecer um leve sorriso. Pensei: "como eu, quando adolescente, seu cérebro continua a processar aquela 'ousadia' do Stercus" - E o Falus?, perguntei. Pela sua indiferença em saber o que aquilo singnificava, insisti que fosse olhar no dicionário. - Ah, pai, agora não, outra hora, respondeu. Então provoquei irônicamente: - Por você expressar tão pouca curiosidade, deixarás de saber que é Nele que se encontra nosso centro nervoso, é Ele a alavanca que move o mundo e uma vez vencida a gravidade, é Ele quem realiza o principal desejo dos homens. Deu de ombros, enquanto literalmente terminou de introduzir o garfo na boca, dilacerando prazerosamente a carne. Será que, quando ele descobrir o significado, lembrará de minhas insinuações? Ou era Do próprio Falus que provinha aquele sorriso maroto?

(B.G.)

08 março, 2004

 
Naquelas inconseqüentes viradas de páginas de jornal, li isto e não consigo reencontrar o texto: "Tente me compreender devagarinho. Tens uma vida inteira para me compreender. Então tente... Devagarinho".
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Por saber que hoje seria o Dia Internacional da Mulher, por que logo fui sonhar com a Sharon Stone?

07 março, 2004

 

Manhã de luz

Uma manhã de sol, uma luz fulgurante. Um dia radiante. Saí a passear de carro na fresquinha da manhã: O "Caminho do Meio" e suas pizzarias vazias. As sinaleiras, uma após outra, sem atropelos. O shopping da Brahma com a eterna fragância de mosto no ar. As gárgulas me observando. O Hotel Plazza ... os hóspedes sonolentos, os casais de amantes se recompondo. A praça Don Feliciano com restos de prostitutas ainda desempenhando. Os casarões da Riachuelo lembrando o século XIX. O cais do Porto e os navios com ressaca. A Usina, por mais que queira mostrar sua imensa chaminé, a "coisa" fica mais bonita para cartão postal. E o túnel ... ahhh quando lembrei do túnel, desviei em direção aos Moinhos de Vento. O Parque, pessoas com roupas elegantes fazendo caminhadas. Os velhinhos em passo miúdo indo à igreja (por que só os velhinhos?). E entre outras voltas, cá estou. Perguntas: "e o sorvete"? Só à tarde, no parque da Redenção! ... Da próxima, vamos passear juntos?

06 março, 2004

 

Só mais um ...

Ontem foi meu aniversário.   Tá bom. . . tá bom!   Já passou.   E sabe?   Nem doeu.
Passou.

05 março, 2004

 

Tim, tim!

Uma coisa boa está me acontecendo hoje. Muito boa. Ao invés da rotina do cotidiano, hoje a vida está me proporcionando esta sensação de bem estar. E eu quando criança, pensava que chegando aos cinqüenta já me bastava. Além de haver alguns anos mais vividos, todos os que ainda virão serão bem agradecidos. E mesmo de longe, compartilhando com você. Muito obrigado.

02 março, 2004

 

Doeu na veia!

Meu caro Beau, ou seja lá como se chama. Poxa, como vc fala no amor, estrelas, esta coisa de amor. Tenho uma oficina mecânica, e nas paredes só tem calendários da Pirelli. Chega de amor. Chega. Já cansei de atirar baldes de água no banheiro. De tanto amor, de tanto amor. Por que, vc não fala maisveiz de parafusos, de lata amassada, de motor que deu no prego? Pode ser também de graxa, de solvente, de cheiro de tinta. Mas, vc só fala de amor. Será que não tem outra coisa a dizer? Humpf! (sem permissão do anônimo(a))

 

Divagações

Quem diria olhar para o céu à noite, e não admirar as estrelas? Os astros com seus olhos piscantes nos observando. Os cometas, tal qual fogos de artifício rasgando nossa imaginação. Mas a lua. Ah, esta mágica lua. Quantas peças boas já nos aprontou? E por ser assim, os insaciados, os de amores mal resovidos, os vândalos querendo desmistificá-la. Volto ao tempo e me faço lembrar daqueles que conseguiam conquistar a mais bela mulher da sociedade, a filha do médico, a do empresário bem sucedido e até a do delegado de polícia era a visada. Seduzi-la, usá-la pra seu bel-prazer e a seguir descartá-la. Depois, envaidercer-se aos amigos como, "aquela? ora, aquela eu já provei". Percebi que isso tinha uma definição: falta de afirmação. Obsessão doentia, essa. Então, sobre a lua. Tanto fizeram para ver quem chegasse primeiro, quem antes a violentaira, até que o conseguiram. E voltaram dizendo, sem medir palavras, que aquele espelho mágico dito confidente dos enamorados, era uma árida esfera rochosa coberta de poeira e que o seu brilho na noite, não passava de apenas um efeito cósmico (cosmético) e que lá deixaram cravado o seu mastro e nada mais. Estes, os insensíveis, nem uma vez se referiram à alma da lua. (pensa que não a tem?) Retornaram, e foram ovacionados como heróis, com direito a desfile em carro aberto. Obsessão doentia. Falta de afirmação!

01 março, 2004

 

Da série: "Gostei mais" (I)

. . . "Desde primeiro de dezembro que não chove. Estamos na estação das águas e a secura devasta o verde da vista. Crédo Circe, que desolação! Não me lembro que no ano passado tenha sido assim. 'Verdes trigos' de Van Gogh não é igual? -Ah Zé sei lá! Você e este Van Gogh, já não chega o fulvo que forra o chão? Faça-me o favor! Você não consegue ver o vermelho do arrebol? Pra mim o mais chato é esta sua monotonia, você é broxante. Vou dormir. Boa noite. -Boa noite, eu vou logo mais. Quero ver quem vai ser entrevistado no Jô, depois eu vou. -Vê se não dorme com a tv ligada e as luzes acesas! Caminhou para o quarto, o mesmo quarto tão repetido, tão árido. Deitou-se num gesto único. Viu-se num retrato em branco e preto no criado-mudo sob a luz do abajour . Será que antes não tinha cor, sempre fora em preto e branco? Pensou: o que poderia fazer para dormir? Foi pensando... pensando... e assustou com o piso frio da cozinha. Era tudo vermelho, muito, muito vermelho! Tanto sangue que nada podia ser identificado naquela massa esponjosa fétida, naquela visonha. Cutucou para saber se ainda mexia, nada... engraçado que parecia ter adquirido feições de anjo. Se ela fumasse seria um bom momento para curtir um cigarro, afinal, a paz interior era infinita."

(com permissão de M.P.)


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