31 maio, 2006

 

Tempos de acolher


Nuvens escuras cobrem o céu de outono e pingos grossos encharcam o chão. Assim, fica parecendo um dia úmido e frio aqui no Porto por vezes nem tão Alegre assim. Voltei a pensar no que levou Schubert a escrever aqueles lieder, onde o Winterreise é o que mais me encanta. Tem uma poesia profunda, dramática, quase down, mas com uma beleza imensa. Depois de ouvi-lo, sou tomado de uma generosidade tal, querendo acolher dentro do meu casaco, quem mais necessita se abrigar.

29 maio, 2006

 

Dando uma de fofoqueiro


Hoje cedo abri a internet e li a notícia em manchete: "NASCE FILHA DE ANGELINA JOLIE E BRAD PITT".  Vocês já sabiam?  Pois é, se ela não tivesse nascido por certo estariamos muito preocupados. Da mesma forma como fiquei quando demorou para nascer aquele clone da ovelha Dolly. Já pensaram que falta ela faria no diário de nossas preocupações? Ah, alguém me ajude a lembrar. Além de se acasalar com Pitts da vida, o que mais essa Angelina sabe fazer?

28 maio, 2006

 

Conceituando meu blog

Há tempos que procuro saber qual é o sentido deste blog no qual eu escrevo. Seria um diário? Seria uma caderneta de anotações? Bem... não sei bem por que logo hoje me deu um estalo. Pulei até a estante de livros para consultar o Houaiss e finalmente o identifiquei como sendo um ALMANAQUE: "folhetim ou livro que, além marcar datas do ano, traz diversas indicações úteis, poesias, trechos literários, anedotas, curiosidades etc". Nunca fui de contar anedotas, mas de resto, isso aqui parece estar de acordo com minhas divagações. Talvez seja o lugar onde me ajoelho e me confesso a leitores reais ou imaginários. Também com as estrelas, com a via láctea, enfim comigo mesmo.

Ah! Um instante só! O nome ALMANAQUE vem do árabe: "al-manákh", o que quer dizer, "lugar onde o camelo se ajoelha".

26 maio, 2006

 

Você não precisa ser expert para apreciar um bom vinho


Eu falei sobre vinhos? Então andei pesquisando para vocês os vinhos mais consumidos por nós gaúchos. Selecionei vinhos honestos e conforme a ocasião, dou minha palavra que podem apreciá-los de olhos fechados. Podem ser encontrados nas prateleiras dos super-mercados, nas cantinas dos bairros e nas cartas de vinhos dos melhores restaurantes. Na lista, não precisam obedecer prioridades. De bom para ótimo, todos possuem preços* razoáveis e no tamanho do nosso bolso. Lá vai:


VINHOS DE MESA  (para consumo moderado, acompanhando as refeições)

Cooperativa Vinícola Aurora
Coop. Vinícola Garibaldi Outras Vinícolas
"RESERVA ESPECIAL"  (apreciar em ocasiões especiais, com tira-gosto de queijo, copa, azeitonas e salamito; degustar a dois, preferencialmente)

Vinhos Marson Demais Vinícolas
VINHOS POPULARES  (garrafões de 5 lts. normalmente servidos em jarras; adequado para turmas grandes em churrascos e galetos)
*preços médios

23 maio, 2006

 

De olho no fiscal


Recebi "visita" de um auditor da Receita e entre outras coisas, me revelou um de seus truques para saber se existe alguém fraudando:
"Quando eu entro numa empresa, procuro prestar atenção nas persianas. Se elas estão tortas, desbeiçadas, cuidado. Nâo sei por que, mas, quando não se cuida mais das persianas, faz tempo que há alguém fraundando por alí".
Quando se foi, fiquei pensando em coisas miles que também me levam a concluir que:
Pessoas mal barbeadas, mal penteadas, com fios de cabelos sobre o paletó, unhas mal aparadas, sapatos pedindo graxa, e a boca com dificuldade de sorrir, faz tempo que há alguém stressando por alí.
Mesa de trabalho desarranjada, contas de luz com reaviso, receitas médicas ao lado de receitas de bolo, frasco do colírio sem tampa, e a lixeira precisando ser despejada, faz tempo que há alguém desanimando por alí.
O teclado e mouse amarelados, marcas de copos e migalhas de biscoitos sobre o rack, faz tempo que a pessoa está necessitada de ajuda, de incentivo, de um novo projeto, enfim, de um sopro para reanimar.
No caso do auditor, não tem jeito. Se o cara está mal, se está depressivo ou com stress, ele nem tá aí com seu irmão. Ele ataca mesmo. A receita é só para piorar.

10 maio, 2006

 

Energias excessivas


Ontem meu regime foi pras cucuias... paritciipei do um jantar da ADESG - Assossiação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Não sei porque, mas parece que essa gente tá mais pra resolver a "guerra" comendo. Comendo galeto, costelinha de porco, filé grelhado, leitão pururuca, entrecot na chapa, medalhões de picanha, lingüiça calabresa, copa defumada, salame italiano, polenta frita com recheio de queijo, salada russa, champignon, alcaparras, tomates secos, palmito e aspargos, saladas de raditche com baicon, espaghetti ao óleo, lazanha de presunto, canelones, pêssegos em calda, abrobrinha caramelada, mamão e melancia, ... e pra sobre-mesa, pra terminar.... um PETIT GÂTEAU! (com cobertura de chocolate) Ufa! E quê "guerra", pra provar um ou dois (ou três...) pedacinhos de cada coisa. Preciso agora de alguns dias pra me descartar dessas excessivas energias adquiridas.

09 maio, 2006

 

Tango que te quiero!


Aqueles que pensam que Carlos Gardel é sinônimo de tango, ainda não ouviram os novos intérpretes e compositores. Quando dos meus 13 anos de idade, em minha cidade natal, muito escutei à noite num velho rádio de válvulas, as estações buenayrenses. E assim, de tango em tango, num certo momento eu ouvi um som inovador, uma harmonia diferente, um conceito encantador. Eram os primeiros acordes de Piazzolla, com a sua "nova" visão sobre o tango. Nesta época, aqui no Brasil, também surgia o movimento da Bossa Nova. Quis a sorte de ontem, eu presenciar o "Quinteto La Camorra" no Espaço Cultural Santander. O grupo é formado por cinco jovens que tocam violino, bandoneon, piano, guitarra, e contrabaixo e conseguem extrair notas de um tango antigo adaptado a evoluções atuais. Este som penetrou nos meus ouvidos como algo virtuoso. Minhas conclusões... As famosas "típicas" ficaram no saudosismo e a escola de Piazzolla está aí para ser apreciada, porque chegou para ficar.

05 maio, 2006

 

What a wonderfuk finger


Pois, nos tempos de antanho (hoje estou para falar portugues quinhentista), havia na minha cidade um médico ginecologista. Sua esposa também médica, era de uma boniteza só e formavam um perfeito par. Não raro, quando havia festas de quinze anos, era ele o convidado especial para o deleite das conversas entre as presentes. Elegante e com boa fala, ia discorrendo sobre sexo aguçando a curiosidade das meninas onde tudo era interpretado com uma incrível naturalidade. O sujeito era invejado pelos homens, pelo fato de ser o único a ter o direito de enfiar o dedo nos mais íntimos recantos das mocinhas. Essa imaginação atiçava mais ainda suas fantasias. Lembro dos bailes de sociedade. Ele circulou entre as mesas, enquanto as mulheres lhe lançavam olhares discretos como a dizer... “sim doutor, estou bem, mas logo logo, estarei aí”. Era um ótimo dançarino e os rapazes enciumados falavam em dar o troco um dia, seduzindo sua mulher até conseguirem levá-la para a cama. Muito tempo se passou e esses dias o encontrei já bem velhinho. Numa conversa informal não pude deixar de observar sua figura asséptica... o seu dedo longo já um pouco encrispado porém com as unhas sempre bem aparadas. De repente, me tomei de uma infantilidade e perguntei a mim mesmo: “E se esse dedo falasse, heim doutor?”.

04 maio, 2006

 

Enquanto o frio vem chegando. . .

. . . também vai chegando a época da mesa farta.  É época de  lazanhas; de churrasco gordo; rosbife com batatas fritas; tortas de chocolate e café colonial.   Tudo isso é muito bom.  SÓ QUE, EU ESTOU DE REGIME!


03 maio, 2006

 

Inversão de valores


Meus caros.  Já que o affair da Varig está sendo discutido e divulgado por todos os meios de comunicação, também quero colocar meu ponto de vista e fazer as minhas observações.

Todos nós sempre soubemos que a Varig foi a Companhia mais elitizada entre suas concorrentes. Devido a isso, quem labuta e quem produz, ao viajar porém, invariavelmente pesquisa os preços das passagens aéreas para saber qual a companhia mais econômica. Estou certo?

E pesquisando daqui e pesquisando de lá... a ÚLTIMA opção (a mais cara), a última sempre foi a Varig.

Então me pergunto quem eram as pessoas que regularmente a utilizava? Quem comprava o bilhete de olhos fechados sem perguntar seu valor? Que casta social viajava com tanta freqüencia que a empresa dava-se ao luxo de oferecer passagens gratuítas por prêmio de milhagem no "programa Smile"?

Pois o que eu desconfiava, agora com a crise, veio à tona.

Desde a década de 90, com a aplicação da "lei de responsabilidade fiscal", o controle da verba destinada aos políticos, aos encostados das estatais, aos funcionários públicos (CCs) e aos nababos em geral, colocou ordem nesta farra de voar.

Antes, qualquer motivo era objeto de viagem por esse Brasil afora. E haja dinheiro nos cofres públicos!

Mas o mais importante, o cidadão comum, aquele que viaja esporadicamente, não se dava conta que além dos impostos incluidos no preço da sua passagem havia um PLUS, justamente destinado a subsidiar as milhagens dos espertos que estão aí para nos servir e não para se premiar.

Li ontem que uma senhora, dita da sociedade, caiu no "conto do bilhete da loteria". Vejam só, quantos já cairam no "conto do bilhete da Varig"?

This page is powered by Blogger. Isn't yours?