29 junho, 2005

 

Devaneios

Andar pelos caminhos do mundo: os humanos já o fizeram. Voar por sobre as nuvens: os aviadores já o fizeram. Nadar sob as águas: os peixes já o fizeram. Saltitar sobre a copa das árvores: os pássaros já o fizeram. Existirá ainda, um espaço físico que eu possa explorar e ter um momento de paz e de sossego? Ahhh... o colo. O regaço duma mulher!  Muitos nele já se deliciaram, mas ninguém o fez igual a mim.


27 junho, 2005

 

Escaramuças

Nessa briga de acusações, do Grande Satã (EUA) contra o Império do Mal (Irã) ficamos de camarote olhando. Só olhando. Por vezes, um desafiante desvia o olhar para o público e pergunta: "Por que não gostam de nós? Por que?".


25 junho, 2005

 

Tudo sobre sexo

Quantas vezes já passei defronte à banca de revistas e li estampada na capa das "Seleções" a palavra SEXO. Além que seus assuntos sobre sexo estão mais para Cartilha de Colégio de Freiras que para a verdadeira intenção: a chamada para o aumento das vendas. E no conteúdo, tudo o que os homens imaginam, as mulheres entendem de forma contrária. E vice-versa. Então sob o olhar masculino, uma mulher feminina e uma mulher fêmea, tem para o Readers Digest a mesma conotação. Já para mim, a primeira tem a graça do vôo das aves, a leveza da brisa, o cheiro de uma flor. A segunda, é toda cheia de intenções. Tem os pés no chão. Olhar felino, as mãos desejosas e um arfar angustiante. Transpiração dry clean. Ah, e quanto a flor?  À flor da pele.


22 junho, 2005

 

Perseverança

Há um ano, o condomínio do meu prédio se esmerou em colocar nos corredores, vasos de plantas ornamentais. No defronte à minha porta, cultivei e cuidei um arranjo de Coleus, Dracenas e Antúrios. Somente o Comigo-Ninguém-Pode nunca vingou. Sempre foi surrupiado nas três vezes que eu plantei. Na quarta, o misterioso gatuno ousou até virar o vaso espalhando a terra pelo chão. O que leva uma criatura a fazer tal ato de vandalismo? E por que somente no meu vaso? Cheguei a uma conclusão que as pessoas já nascem predadoras. Enquanto não são instruídas, elas estão por aqui, alí, e acolá. Hoje investi novamente em replantá-las. Tanta insistência, talvez comova o instinto demolidor.


18 junho, 2005

 

Tecnologias

Varal de roupas monitorado por satélite. É possivel isso? Ao cruzar com a vizinha na porta do prédio, travamos o seguinte diálogo: "Bom dia, 'seu' Beau. Será que chove hoje?". Disse-lhe que não, porque antes de sair de casa eu já havia visto na Internet o mapa "http://canaldotempor.com" que guardo nos FAVORITOS do meu computador. Por isso não estava levando guarda-chuva, e falei que até à noite não choveria, de modo algum. "Pois então vou direto lavar roupa e estender no varal. Posso confiar mesmo?". Dei um sorriso de "Deus sabe-tudo" e me fui fazer o que tinha de fazer, o mais importante. No percurso pensei, o que dizer no futuro, sobre as secadoras de roupas ? Ficarão elas, condicionadas ao canal do tempo? O que dizer das lavadeiras de fundo de quintal? Se benificiarão um dia poder programar o momento certo de quarar as roupas brancas expostas ao sol? Mas afinal, tem isso tanta importância? Desvaneceram meus pensamentos quando retornei com uma garôa batendo nos meus costados e lá, novamente, estava a vizinha com o dedo em riste: "Olha, olha! Não se pode confiar mesmo nessa coisa de computador". Sorri amarelo e por descarga de consciência me conformei em pensar: "No computador sim, mas em mim, não".


16 junho, 2005

 

Crises

Que pena que em nosso país, passamos de três em três anos por uma crise política, financeira e social. E ela se reflete na nossa vida, no nosso cotidiano como uma imagem do caos, da desesperança e da desgraça. O fato da mídia falar nisso toda hora, nos transfere uma amgústia que não criamos, uma responsabilidade que não assumimos e que não nos diz respeito. No meio dessa tempestade de más notícias, também temos que administrar crises de vesículas, crises amorosas, crises existenciais. Será que não seria melhor desligar o rádio, a TV, não ler mais jornais e esconder a cabeça sob a almofada do sofá tipo avestruz?  Podeixar que pela nossa experiência, o Brasil não vai explodir nem vai quebrar. Logo, logo virá o verão e com ele, o carnaval.


12 junho, 2005

 

Sabe?

Hoje é Dia dos Namorados. A mídia se encarregou deixar de orelha em pé e cabelos eriçados quem não tem namorado. Então, quem se sente sozinho, uma boa idéia é ficar em casa comendo pipoca e vendo filmes de comédia na TV. Melhor que ir ao cinema e ficar olhando na fila, os outros se abraçar e se beijarem.


10 junho, 2005

 

Criaturas

Já se vai algum tempo, que não ouço mais falar em bruxas, duendes e fadas. Essas histórias (verídicas), tinham um sabor de algodão com açúcar e sorvete coloré. Quanta ingenuidade! Da primeira vez que uma fada me beijou, a saliva tinha um gosto de fruta-do-conde que me deixou inundado de fluídos vindos de onde não queria saber. Depois tinha o pó. Ahhh, a varinha de condão e o encanto do pó. Me vem na lembrança aquela fada recém saída do banho, com a toalha enrolada pelo corpo. A outra sobre os cabelos. E entre os seios, resquícios do miraculoso pó branco. Mais tarde descobri que aquele pó, vinha da latinha cor-de-rosa do talco "Cashmir Bouquet". Nunca mais me libertei desses encantos. Nem mesmo depois de ter lido o "Manifesto" de Marx, me fez esquecer do toque da varinha mágica que faz o mel virar melado e o leite jorrar com fartura. Ontem eu vi uma bruxa de corpo longilíneo, os glúteos balançavam ao caminhar. Passou por mim e nem me olhou. Só podia ser bruxa. Não vou falar sobre ela, não merece minha dedicação. No decorrer da vida, muitas bruxas passaram pelo meu crivo e foram anotadas para que eu não incorra novamente no mal. Quanto aos duendes, eu só vi um, mavez, ao passar pela vitrina da loja de artigos místicos. Sem querer olhei para ele e vi que piscou. Retornei uns passos atrás e lá estava impassível. Parecia que sorria. Aquilo era sorriso? Ou o formato da boca? Bem, não acredito nessas coisas, mas por via das dúvidas, ficar prevenido e possuir uma boa fada madrinha que me proteja, só tem mesmo a fazer o bem.


08 junho, 2005

 

Furacão


Eu não sabia, exatamente, o que estava acontecendo comigo. De repente alguém me enviou esta foto. A imagem diz tudo. Um furacão me sacudiu e ainda estou zonzo. Tanta coisa, que nem blog eu tinha para descrever. Fico me organizando tentando encontrar a saída. Mas a força do furacão me prende, me revolve, me desnuda. Tenho novamente de achar meu escudo protetor. Nem todo furacão permanece ativo a vida inteira. Um dia ele se dissipa, vem a calmaria e o sol volta a brilhar. A vida é feita de ciclos, e passar por eles vivo, já é uma enorme benção. É só não perder a fé, que tudo se resolve.


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