10 junho, 2005
Criaturas
Já se vai algum tempo, que não ouço mais falar em bruxas, duendes e fadas. Essas histórias (verídicas), tinham um sabor de algodão com açúcar e sorvete coloré. Quanta ingenuidade! Da primeira vez que uma fada me beijou, a saliva tinha um gosto de fruta-do-conde que me deixou inundado de fluídos vindos de onde não queria saber. Depois tinha o pó. Ahhh, a varinha de condão e o encanto do pó. Me vem na lembrança aquela fada recém saída do banho, com a toalha enrolada pelo corpo. A outra sobre os cabelos. E entre os seios, resquícios do miraculoso pó branco. Mais tarde descobri que aquele pó, vinha da latinha cor-de-rosa do talco "Cashmir Bouquet". Nunca mais me libertei desses encantos. Nem mesmo depois de ter lido o "Manifesto" de Marx, me fez esquecer do toque da varinha mágica que faz o mel virar melado e o leite jorrar com fartura. Ontem eu vi uma bruxa de corpo longilíneo, os glúteos balançavam ao caminhar. Passou por mim e nem me olhou. Só podia ser bruxa. Não vou falar sobre ela, não merece minha dedicação. No decorrer da vida, muitas bruxas passaram pelo meu crivo e foram anotadas para que eu não incorra novamente no mal. Quanto aos duendes, eu só vi um, mavez, ao passar pela vitrina da loja de artigos místicos. Sem querer olhei para ele e vi que piscou. Retornei uns passos atrás e lá estava impassível. Parecia que sorria. Aquilo era sorriso? Ou o formato da boca? Bem, não acredito nessas coisas, mas por via das dúvidas, ficar prevenido e possuir uma boa fada madrinha que me proteja, só tem mesmo a fazer o bem.
Mesmo assim, adorei a confusão que fez com fadas, bruxas e duendes Marx e latinhas de talco. Deve ser gostoso ficar contigo e escutar histórias que vc conta com tanta propriedade.
Não pare de escrever.
"vous et nul autre"
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