26 julho, 2005
Guto
Hoje foi o Dia do Avô. Confesso nunca ter me passado pela cabeça um dia ser um deles. Muito menos ser um avô emprestado. Explico: Um dos meus filhos, justamente por ser meu filho, tem a índole semelhante a minha. No caso dele, encontrou sua "alma gêmea", a mãe do Gustavo, menino de dois anos e um pouquinho mais. Agora, vivem juntos, os três. Meu filho tornou-se padastro e eu o vodastro. Existe vodastro? Hoje me vi sentado ao lado do Guto, na creche. Ele sorridente, feliz da vida curtindo eu, seu avô, encantado. Comemos doces, pasteis, batata-fritas. E pra beber não vai nada? Sim, suco de moranguinhos. Sabem, tomara que um dia quando ele tiver crescido e seja lá o que Deus quiser, que um pouquinho só da minha índole ajude o Guto a sentir o mesmo sentimento de ternura que nutrimos juntos, neste Dia do Avô.18 julho, 2005
Simplicidade
... de uma estrela que se lembrou de mim:
14 julho, 2005
Daslu et al.
"A justiça é cega, daí não se ruborizar com os comentários do povo" (Machado de Assis).
11 julho, 2005
Interpretações
Quando eu ainda era guri, algumas palavras nem sempre bem compreendidas soavam maliciosamente aos meus ouvidos. Por ingênuas associações, modificava o real siginificado delas apenas para divertir o meu lado moleque. Nesta manhã escutei no rádio do carro, um anúncio de uma clínica que trata pacientes com "bursite trocantérrica". Esse estranho nome me fez voltar à infância e lembrar de nossa empregada doméstica quando ia passear nas horas de folga e dizia que precisava levar junto sua "borceta" (bolsa pequena). Ao ouvir isto, qualquer guri acharia divertidíssimo. Tanto assim que quando escutei o novo termo médico, não pude deixar de associar meu "tronco" "tórrico" na "borceta" "délica" e me espalhafatei numa grande risada o que fez os ocupantes do automóvel ao lado me olharem com um ar de indignação. Devem ter pensado que quem dirigia meu carro era um menor de idade, alegre, sem lenço, sem documento e totalmente irresponsável.
09 julho, 2005
Tempos chuvosos

Sr. Cavalheiro, o português, conhecido por todos nós como "O Bigode", labuta na sua lojinha de ferragem à duas quadras de onde eu moro. Em tempos de inverno, nas tardes de chuva, no seu pequeno espaço, abriga fregueses, pessoas amigas ou apenas conhecidas justamente as que não tem nada a fazer e por isso mesmo o fazem alí. Lindeira da Ferragem, existe uma casa de mulheres chamada "A Escadinha" que a partir da porta principal tem uma escada comprida que leva até o andar superior do sobrado. Eu diria que este local está mais para confessionário que para fast food o que seria sua vocação original. Os homens vão alí desabafar suas mazelas e restabelecer o orgulho machista das malfadadas e incompetentes conquistas sexuais. O Bigode, além da sua habilidade de congregar a vizinhança, conta histórias, as mais curiosas que se passam neste bordel. Foi assim quando precisei ir na loja comprar uma borracha de vedação da torneira. Peguei o assunto já andando sobre os preços cobrados pela "Instituição de Caridade". Então se estabeleceu um código. O preço de uma resistência de chuveiro é o mesmo de um "Big Mac" que é também quanto custa uma hora de carícias da Zildinha. Uma chave-de-cano vale a "Rosca" da Tiazinha. E o que a Mary sabe fazer bem feito, chama-se "Picolé na Brasa" e assim por diante. Perguntei então o valor da minha compra, ao que ele respondeu: "... levando só essa valvulazinha, no máximo uma piscadinha da Sandrinha, nada mais". Bem, ao menos a borrachinha também tinha um parâmetro. Ao sair, abri meu guarda-chuva e embaixo dele dei conta que paguei com dupla satisfação. Só a piscadinha, dependendo do lugar onde seria feita, valeria mais que o preço do vedante que levei.
02 julho, 2005
Desatinos
Você já assinou algum documento e só depois se arrependeu desse ato? Eu sim! Porém mesmo com o arrependimento, ninguém quis saber se eu estava emocionado ou se foi num momento de euforia, de sem juízo. "Assinou, não leu, o pau comeu", me disseram. A natureza humana tem essa fraqueza - ou mérito - de ser induzida a confiar nos outros. Devíamos perguntar, antes, se a confiança depositada não pode ser recíproca. Então não precisava assinar. Vivemos numa sociedade que a princípio todos são honestos. Mas alguns desatinados fizeram leis, onde "todos são culpados, a menos que provem o contrário". Então para que assinar?" Conversa! Lorota! Resultado de um mal-assinado, recorre-se à justiça! E lá vem essas lenga-lengas de discutir se o contrato é válido ou não. Vocês já sabem do que eu estou falando. Cada um já assinou um contrato que não merecia. Daí se perguntam: "Como pude fazer tal loucura?". Quem ganha mais com tudo isso são as farmácias vendendo Prozacs para evitar a depressão às noites de insônia. E o Mal de Alzheimer, silenciozamente, chegando.
01 julho, 2005
Ansiedades
Sofrer de ansiedade, não quer dizer fazer uso do plano de saúde. Ansiedade é boa enquanto não é doentia. Ansiedade é boa quando sentimos aquela fisgada da paixão. Ansiedade é boa quando o coração sabe que vai ser saciado. Ansiedade é boa quando sentimos o prazer tocando lá no fundo. O sentimento é o alimento do corpo em excitação. Assim como existe o bom colesterol, a boa ansiedade faz um bem danado ao latejar pelas veias.

