29 abril, 2004
Inserindo imagens
Eu sempre gostei destas figuras de Debret. Parece que só quem era privilegiado em morar no Rio que podia vê-las na Biblioteca Nacional. Pensava que um dia, eu ainda chegaria lá. Como mudou minha vida! A nossa vida. Graças a tecnologia podemos trazê-las para dentro de nossa casa e até postá-la aqui. Só uma dúvida me preocupa, do que fazer com minha coleção de estampas do sabonete "Eucalol". Eu não cansava de admirar uma por uma sentado no cordão da calçada onde esperava meus amiguinhos para trocá-las. As vezes abro aquela caixinha e sinto no encardido da cartolina parte de minha infância que se foi. Verei se na internet ainda existem as que me faltam.
28 abril, 2004
Uma questão de culturas opostas
Desde os tempos da guerra civil no Líbano, comecei a me interessar pela história daquela região. Compreendi logo os respingos que as longínquas Cruzadas (1095 a 1270) ainda causam hoje no sentimento árabe muçulmano. Para justificá-las, o Ocidente usou a expressão de 'libertação' daqueles povos a fim de conseguir intentos muitas vezes duvidosos o que perdura até hoje. Anos atrás, quando escrevi uma carta perguntando sobre estes fatos, recebi a seguinte resposta enviada pela Junta de Assistência Social Islâmica Internacional:
Prezado Senhor:
Assalamu Alaikum wrahmatulahi wabarakatuhu, foi com muito prazer que recebemos sua carta datada no dia 26 de abril do presente ano (1996), ficamos muito satisfeitos que é um pesquisador.
O Senhor faz quatro perguntas que levaria tempo e muitas folhas escritas para poder explicar. Todavia, abordaremos somente o aspecto religioso, que é o nosso forte e que nos sentimos capazes de responder:Sem mais para o momento, ... Assalamu Alaikum.
- As invasões no tempo das cruzadas, foi como nós sabemos de caracter políticos e econômicos. Roma apenas tentava reconquistar os territórios perdido para o Império Crescente Islâmico.
- Durante a época em que poderíamos chamar o Líbano de “Suiça do Oriente", poderíamos dizer que foi um período de desgraça para aquela nação, foi neste período que a decadência moral do povo atingiu o mais baixo nível possível, Esta época poderia ser comparada ao de Paris na “Bela Época” onde o que imperava era a licenciosidade sexual e consumo de champanhe entorpecente. Este período de “Suiça do Oriente” foi o período que antecedeu a guerra cível, a mais sangrenta daquela nação.
- Atualmente o povo passa por um processo de conscientização religiosa e uma volta ao estado de moral antes perdido.
Assina: A.A.S. - Presidente
Há alguns meses, aconteceu aquele enorme terremoto no sul do Irã. Fez um estrago e tanto. Então a imprensa nos mostrou um castelo medieval construído pelos Cruzados, todo ele destruído. A intensão na época era formar um feudo e lá fixar raízes. Por essas e outras, imagino no que vai dar a invasão e ocupação do Iraque atual. Só que agora, em nome da libertação para a democracia. Vai vingar? Duvido.
Comente: beaugeste@estadao.com.br26 abril, 2004
Que pena .. .
Que estranha sensação ao saber de alguém de minhas relações que se foi. Fui tomado de uma triste emoção, pois lembrava da Belquis sempre cheia de vida com seu nome raro, incomum. Escrevo aqui só para dizer das poucas vezes que nos encontramos e da boa impressão que ela me causou. Todos temos alguma coisa a maior que nem sabemos porque os outros valorizam. E acredito que não deu tempo de dizer que a admirava muito pela simpatia e pelo modo de pensar. Quero apenas expressar meus sentimentos, mesmo por descobrir que já fazem dois anos que faleceu.
25 abril, 2004
Desculpe-me. Estou recém no MOBRAL, estudando HTML Isto é apenas um teste.
TestandoTabelas.
Contagem:
| QTD. DE INVASORES DO IRAQUE ELIMINADOS | ||||||
Países |
Jan | Fev | Mar | Abr | Sub Tot. | Mai |
| Big Brother | 26 | 198 | 279 | 354 | 857 | ? |
Mr. Bean |
12 | 13 | 21 | 84 | 130 | ? |
| * Outros | 12 | 13 | 19 | 21 | 65 | ? |
24 abril, 2004
Bolas, pra que te quero
24/04/2004 - 08h43 - Folha de São Paulo - Cachorro sofre cirurgia após engolir 28 bolas de golfe. Da BBC, em Londres. Veterinários operaram um cão que passou mal depois de engolir 28 bolas de golfe. O pastor alemão Libby tinha o hábito de catar bolas de golfe que encontrava no campo do Didsbury Golf Club, em Manchester, onde trabalhava o dono do animal, Mike Wardrop. O dono não desconfiava que o cão gostava de engolir as bolas.
Interessante o que as agências internacionais de notícias tentam nos empulhar. Sou cético. Não acredito, logo porque nunca li que um cão tenha engolido uma taba, que é uma parte do garrão de boi, usado no tradicional Jogo do Osso. Não acredito que um cão nosso, trocaria um osso jogado na cancha do Arranhão, por bolas de golfe de um Country Club. (argh)
Alguém me explica? Por que toda história fantástica que é tão espetacular... só acontece muito distante de nós? Nem podemos ir lá para confirmar!!23 abril, 2004
A evolução da inteligência
Não sou nenhum sociólogo para fazer longos estudos sobre o comportamento humano. Porém nas vezes que tenho de esperar numa fila de banco, fico observando a sua organização, o seu movimento, o atendimento dos caixas. É justamente nesta fila que me sobra tempo de matutar sobre as mais variadas coisas. Não sei se alguém já se deu conta disso, mas algo antropológico aconteceu na evolução da espécie humana duns 12 anos para cá. Explico: o sistema bancário se contentava em ver seus clientes formando filas, uma para cada guichê. Então se haviam 6 caixas, haviam 6 filas. A gente chegava, escolhia uma obviamente a menor, e esperava que ela andasse o mais rápido possível torcendo para que o caixa fosse rápido também. Só que, não podíamos adivinhar que quem estava na nossa frente seria um boy de alguma empresa que tinha consigo miles e miles de documentos para serem processados. Nada pior para nossa saúde. Ficávamos esperando de pé por uma hora, angustiados, pressão subindo, os pés inchados e sem ter nada para ler, pensando: "juro que da outra vez trago um jornal comigo". De repente a evolução. De repente algum gerente de banco foi iluminado por uma idéia de juntar todas aquelas filas e torná-las numa só. Eureca!!! Quebrou-se um costume de anos e anos como num passe de mágica. Era a inteligência a serviço da organização. A partir daí, sempre que um caixa é liberado, a primeira pessoa da fila é chamada para ser atendida imediatamente. E a idéia vingou. Que evolução, hem! Como foi difícil alguém chegar a esta conclusão. Inimaginável!!! E isso não faz tanto tempo assim. Fosse hoje, aquele inventor da fila única, teria registrado seus direitos autorais. ©
22 abril, 2004
Faz-me rir
Faz-me rir, parece ser o nome de uma música. O termo pode ser usado, irônicamente no que a elite canalha está tentando fazer com a imagem do presidente Lula. Esta elite hipócrita recorreu a práticas de denegrir a imagen pública assim como conseguiu induzir os letrados e finalmente o povo a votar no Collor. Deu no que deu. Disseram que o Lula não falava nenhum outro idioma. Também não usava terno e gravata. Ele não tinha curso superior, muito menos teria um aparelho de som três-em-um, lembram? Depois elegeram Fernando Henrique. Este sim falava até francês. Homem de fino trato, de boa educação (de lenço perfumado?) que se dava ao luxo de chamar o povo de caipira, era ele quem sabia tudo e todos diziam amém. Já circulam pela internet charges e piadas no mínimo de mau gosto tentando 'fazer a cabeça' da choldra mostrando que o Lula não tem condições de ficar num cargo tão importante. É a turma do 'quanto pior melhor'. Para eles, claro. Não sei por que, mas os gaúchos se indignam quando tentam lhes fazer acreditar em coronelismos e submissão a falsos líderes querendo nos nivelar ao primarismo geral. Por isso nos julgam sermos brabos, por nós desmascarar o mal nas intenções ocultas. Penso que por ser assim, somos livres de idéias, livres nos pensamentos e respeitosos. Faz-me rir alguém querer mudar isto em nós.
P.S. Já pensaram na bagunça econômica que estaríamos vivendo se a pedido do vice Alencar baixassem os juros logo no primeiro semestre de 2003? Que inflação, hem! Faz-me rir (de novo)!
21 abril, 2004
Tirando a limpo
Devem fazer uns 40 anos que ouço falar sobre o livro "O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde. Por vezes, nas rodas de colégio, vinha aquela clássica pergunta em tom de sarcasmo: "Você ainda não leu? Não acredito". Pois então. Dia desses remexendo prateleiras dos "sebos" instalados nos casarios antigos da rua Riachuelo, me deparei com ele. O livro é pequeninho de poucas páginas, com traços biográficos do autor. É um romance chato (com duplo sentido) onde relata usos e costumes de uma época que já passou. Desencantado, não consegui entender o tamanho do escândalo que fez emocionar meus questionadores dos anos sessenta. Não me arrependo, nem perdi meu tempo em trocá-lo pela lasciva Cassandra Rios. Um pelo outro, descobri que ambos eram homossexuais.
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19 abril, 2004
A Música
Da primeira vez que eu li, não percebi que só no outro dia,
amadurecido, haveria de entender o conteúdo das palavras:
A música,
Ah, esta música!
Relaxamento, encanto,
Nostalgia do que não vem,
Do que não se tem.
Traz uma saudade infinita
De um tempo que não houve!
M.G.
17 abril, 2004
Da série: "Gostei mais" (II)
O trágico belo
Pelo corredor farpas de luz arfam no vão das portas cegando seus passos assimétricos, tal é o breu que lhe tingiu a alma ao ouvir o acorde bizarro. Busca no áspero da tarde os cacos da improvável melodia. Uma nota aflita se esvai pela janela da casa azul em frente. Aproxima-se na vidraça embaçada: olhos de lívida ira, torta ternura. Com a cara despedaça os vidros adormecidos que eriçam unhas e dentes na sua garganta e dela medra-se um grito horrendo antes de tombar na calçada forever.
L.S.
15 abril, 2004
Amenidades
"Unmögliches wird sofort erledigt.Ou seja:
Wunder dauern etwas länger".
"O impossível poderá ser realizável.Então abriu mais nosso apetite.
Os milagres demoram mais um pouco".
14 abril, 2004
Comentário
Data: Qua, 14 de Abril de 2004, 17:05
Para: beaugeste@estadao.com.br
Assunto: Declaração
Beau
Dia destes li no muro: TE AMO SAPATONICAMENTE
No mínimo original, não? Você já viu que este mundo humano é repleto de amor? Pare e pense: amamos praticamente o tempo todo e só colecionamos solidões e desilusões... curioso.
Declaração
Lido numa pedra de um recanto qualquer do Parque da Redenção: "BRUNO AMA LIVIA". Tomara que este sentimento dure até a chuva apagar as letras do giz surrupiado do quadro negro do colégio.
13 abril, 2004
Previsões (novamente)
Meu rio Guaíba está tão reduzido que afloram ilhas nunca antes imaginadas. Garças e maçaricos enfeitam os baixios pousando nos galhos de árvores secas. Vivo lutando em acreditar nos previsores do tempo. Insistem em brincar de Deus. Ontem, se reuniram vários deles (inclusive do INPE) para ao final, anunciar que chuva no sul, só daqui há três meses. Novamente agendei. Minha agenda está cheia de promessas meteorológicas não cumpridas. Ah, só o Hackbardt acerta, só ele. Acho que não estava incluído nesta reunião.
Seca
Desde Dezembro que não chove. O RS está sofrendo a pior seca, sem lembrança de outra igual. No interior, uma desolação. No ano passado tivemos a maior safra agrícola, fato atribuído ao plantio da semente transgênica contrabandeada, o que resultou no perdão dos infratores e apressou sua liberação. Não se deram conta que a super-condição de tempo favorável é quem determinou tamanha produção. Veremos o que irão falar este ano, quando farão as contas depois de efetuada a colheita.
12 abril, 2004
CPMF
O Afeganistão, o Iraque, a África, estão bem longe, muito longe mesmo. Por que não falam das vítimas do genocídio brasileiro desde que desviaram a CPMF da saúde para não-sei-o-que? Uma pergunta recorrente que o povo se questiona sem que ninguém explique. Também ... "são todos caipiras"!
11 abril, 2004
Visão Matinal
Como em todos anos, neste dia de clima fresquinho, desde o nascer do sol até próximo ao meio dia, crianças perambulam pelos jardins e quintais à procura dos cestos onde o Coelho pôs os ovos de Páscoa. Bela infância esta. Quanto mais ingênua, mais feliz. E finalmente ao encontrarem, os olhos brilham, sentem no sabor do chocolate uma sensação de conforto e paz. Nos lábios melados, o sorriso de gratidão. Uma cena tão bela que comovidos, tentamos explicar a eles que nossos olhos estão molhados assim, devido ao sereno que ainda não se dissipou.
10 abril, 2004
Politicamente incorreto
Muito já se escreveu sobre o filme “A Paixão de Cristo” do Mel Gibson e as cenas de extrema violência alí contidas. Não vi, nem vou fazer citações ou comentários pois acho até que o tema já se esgotou. Só tem uma coisa. Uminha só. Ninguém se deu conta, que bateu forte no fígado dos judeus causando imensurável indignação. E bem se sabe que são eles que detém a indústria cinematográfica de Hollywood. Por isso mesmo, pelo que se conhece, vão dar o troco, sim. O troco virá e bem trocado. Vai arder nos brios dos cristãos, principalmente na Igreja Católica. Pois se é para remexer a história, a própria igreja cristã da Idade Média e seus anos obscuros possuem os mais drámaticos relatos de cenas de tortura. “A Paixão de Cristo” será classificado como filme de matinés para crianças da mais tenra idade. Se de qualquer forma houve ou não, a intensão de acusar os judeus pela morte de Cristo, já se escutou o soar do gongo. Com sutilezas, e dissimulações, a Espada de Democles aos poucos, irá pairar sobre a cabeça dos expectadores na maioria das salas de cinema. Pobre dos cristãos, pobre dos judeus. Pobre de todos. Quem viver, verá.
Comments: beaugeste@estadao.com.br09 abril, 2004
Música clássica
Pouco se escuta ainda de música clássica na Sexta Feira Santa. Melhor, não se escuta porque por meio século, uma geração inteira permaneceu nas mãos de programadores de rádio medíocres e analfabetos musicais. Neste dia, nas 24 horas por onde andávamos, nos sujeitaram a escutar um fundo musical melancólico na tentativa de nos emocionar pela morte de Jesus Cristo. Acredito que até a avó deles suplicava para que tirassem aquilo do ar. Mas não adiantou. Eles insistiam que música clássica tinha porque tinha de ser triste. Afora este estilo, o bonito para eles eram as mòdinhas do Tonico e Tinoco, a sanfona do Pedro Raimundo, o samba do Zé Trindade, as dores de Nora Nei. Hoje, seria o molejo do Zéca Pagodinho, a egüinha do cara'quele, o rag do ministro Gil. Então, como era o Dia da Paixão, imaginavam que todos os ouvintes fossem melancólicos e mesmo que não, teriam que ficar down obrigatoriamente. Era réquiem sobre réquiem. uma pançada de réquiem o dia inteiro. Ficava cômodo pra eles, pois não precisavam trocar a faixa do disco, uma vez que cada réquiem tinha duração de mais de hora. Parte disso, também contribuiu para que a freqüência nas igrejas diminuísse. Porque também cheirava a ranço de brega. Criou-se então, uma áura de rejeição a este estilo de música. Quem gostava dela, era kitsch. Ou era pernóstico ou então pedante. E quando se dispunham ir a um concerto, se vestiam de longuinhos, de terno e gravata. (argh) Aos poucos, a coisa foi mudando. Aqui ao menos vejo lotarem os teatros com casais jovens enamorados. De tênis e calças jeans e com os celulares desligados, começam a descobrir sem traumas, os encantos gerados pela qualidade de uma boa música.
Comente: beaugeste@estadao.com.brNão sei se sonhei. Mas ouvi alguma estrela perdida pelas galáxias da vida dizer: "Você é ousado, hem menino! Ninguém lhe deu o desfrute de falar sobre certas complacências". Acordei com a orelha vermelha.
08 abril, 2004
Pensando eu aqui.
O que é ser complacente?
Muitas vezes já me disseram para eu ser complacente. Com os avós, quando se irritavam das minhas traquinagens. Com aquela titia solteira cheia de manias. Com meu gato, que insiste em fazer do meu colo o seu leito. E outras que você já deve estar imaginando.
Existem formas figuradas de complacência: martelar um prego complacente; uma chuvinha de inverno complacente; um hímen complacente; a luz da lua complacente.
Veja, de qualquer maneira complacência indica aceitação. Um estado de ânimo que leva a pensar no prazer que isto decorre. Obsequiar a si mesmo para o desfrute de alguém, também é complacência.
Comente: beaugeste@estadao.com.br
06 abril, 2004
Desejos
Já tomei sorvete de baunilha, de caramelo, chocolate, morango
e continuei querendo mais doce.
Mel de abelha, glicose de milho, frutose de uva e sacarose de cana.
Hummm... Mais doce.
Papos de anjo, pancinhas de freira, babas de moça , beijinhos de côco, quindins de Iaiá.
E de cobertura? Mais Doce.
De Você!
05 abril, 2004
Da série: "Dá o pé Louro, dá o pé" (II)
Se não tenho estilo / não fiz aquilo / pra lhe azucrinar.
Num texto / sem contexto / o que vale mais é o pretexto.
Será neste desdém / que não faz bem / a vontade de comprar?
04 abril, 2004
Cartas
O carteiro recém tinha adentrado na porta de meu prédio: "Tudo bem? Cartas para mim?" "Cartas? Pois o senhor sabe que não entregamos mais cartas? Agora só cobranças!" Sem perceber o tom da ironia, num gesto incontido, tomei-lhe o maço de documentos da mão e comecei a verificar se de fato era o que estava dizendo. Sim... só avisos de cobranças! Os bancos, as casas de crédito, luz, telefone, internet, água, TV à cabo,... são elas que se adonaram de nossa caixa postal.
O que aconteceu com as pessoas que se debruçavam a escrever cartas? Falo das cartas tão esperadas por nós, com notícias de parentes, amigos, namoradas, etc. Foi-se o tempo que ficávamos na calçada ansiosos, olhando o relógio, esperando o carteiro passar. E entre uma e outra carta, lá estava aquela com nosso nome caprichado, a emoção nos traindo ao tentarmos disfarçar tamanha era a alegria. Depois, já no quarto, deitados na cama, com a carta junto ao peito, todos os sentidos aflorados ao tocar o envelope, querendo descobrir uma tênue fragância de quem nos remeteu. Ao abri-la, até as entre-linhas eram lidas na ilusão de encontrar palavras que deveriam estar ali em algum lugar. (seria esta a esperança do "Cidadão Kane"?) E no final da leitura, deixar nos afogar em nossos humores corporais.
Pois então, de repente os tempos mudaram: A era eletrônica. Já notaram que um e-mail, um fax, um 'torpedo', não fazem o mesmo efeito que a carta por si só? Já viram como uma conversa de chat, não tem o mínimo sentido quando relida depois? É o "efeito satélite". Em vez do carteiro, agora o intemediário é o satélite estacionado na extratosfera em gelo orbital. Ele não nos encontra com um sorriso, não brinca com ironias nem possui espirituosidade. É apenas mecânico, movido à bateria emitindo bips automáticos, sem personalidade, sem alma. Nada como a tradicional forma, como o glamour de receber uma cartinha tão desejada.
Experimente enviar novamente uma carta... Que seja apenas um cartão. Envie de surpresa para alguém de suas relações e veja o retorno que isso trará. Você será vista como uma pessoa diferenciada das demais, uma pessoa especial. Dará um certo alívio a quem só recebe contas além de momentos de ternura e prazer, e talvez até uma nova esperança. Mande uma cartinha, vai!
Sugestão para a abertura: "Lembrei hoje de você e fui tomada de um sentimento...."
Why Don't You Write Me

