09 abril, 2004

 

Música clássica

Pouco se escuta ainda de música clássica na Sexta Feira Santa. Melhor, não se escuta porque por meio século, uma geração inteira permaneceu nas mãos de programadores de rádio medíocres e analfabetos musicais. Neste dia, nas 24 horas por onde andávamos, nos sujeitaram a escutar um fundo musical melancólico na tentativa de nos emocionar pela morte de Jesus Cristo. Acredito que até a avó deles suplicava para que tirassem aquilo do ar.  Mas não adiantou.  Eles insistiam que música clássica tinha porque tinha de ser triste. Afora este estilo, o bonito para eles eram as mòdinhas do Tonico e Tinoco, a sanfona do Pedro Raimundo, o samba do Zé Trindade, as dores de Nora Nei.  Hoje, seria o molejo do Zéca Pagodinho, a egüinha do cara'quele, o rag do ministro Gil. Então, como era o Dia da Paixão, imaginavam que todos os ouvintes fossem melancólicos e mesmo que não, teriam que ficar down obrigatoriamente. Era réquiem sobre réquiem. uma pançada de réquiem o dia inteiro. Ficava cômodo pra eles, pois não precisavam trocar a faixa do disco, uma vez que cada réquiem tinha duração de mais de hora. Parte disso, também contribuiu para que a freqüência nas igrejas diminuísse. Porque também cheirava a ranço de brega. Criou-se então, uma áura de rejeição a este estilo de música. Quem gostava dela, era kitsch. Ou era pernóstico ou então pedante. E quando se dispunham ir a um concerto, se vestiam de longuinhos, de terno e gravata. (argh) Aos poucos, a coisa foi mudando. Aqui ao menos vejo lotarem os teatros com casais jovens enamorados. De tênis e calças jeans e com os celulares desligados, começam a descobrir sem traumas, os encantos gerados pela qualidade de uma boa música.

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