21 dezembro, 2004
O outro lado
Pois deu pena quando vi esta foto estampada nos jornais. Retrata um ataque de misseis de terroristas sobre um restaurante onde almoçavam inocentes soldados americanos numa base militar instalada num espaço qualquer dentro do território iraquiano. Aquele ferido, sendo carregado pelos colegas, já pode voltar para casa e dar adeus a sua aventura militar. Ele não foi obrigado a lutar lá. Ele se alistou como um empregado, tinha como ofício conquistar territórios e para isso, nem que tivesse de ir às últimas conseqëncias. Ganhou um polpudo soldo. Foi treinado para matar. E para se defender. E de repente, ao meio dia, alguma facção da resistência local, lançou bombas sobre ele. "São os terroristas", pensou. Mas já era tarde. 22 dos seus companheiros morreram na hora. "Como são malvados estes terroristas iraquianos. Nem respeitam uma base militar. Afinal, porque não fazem como nós e atiramos bombas a esmo? Que malvados são estes terroristas, atirar em inocentes enquanto estão almoçando?". Na primeria vista da foto, até eu fiquei com pena. Até digerir melhor sobre o porquê daqueles soldados profissionais estarem fazendo alí. Vou parar por aqui, senão as lágrimas de crocodilo ainda podem me emocionar. Como diz o outro: "Comigo não, violão".

