14 dezembro, 2004
Sobre malas e afins
Estranha a sensação que me dá ao ver uma mala solta em algum lugar. As vezes baixa um sentimento de partida. Raramente a alegria da chegada. Num desses corredores que tenho de passar, lá está uma mala, encostada na parede, incógnita, deixando a pergunta do que ela faz alí. Estaria alguém abandonando alguém? Ou apenas a ameaça de a qualquer hora se esvair. Já vi malas guardadas em cima dos armários, embaixo da cama. Alguém, um dia, teve a idéia de guardá-las dentro de sacos, brancos, de algodão, de farinha mas o volume sempre transparece o contorno de uma mala. Outros inventaram os "maleiros", espaços reservados para dar sumiço às malas. Tenho a mania ao me instalar num hotel, desfazer toda a mala e guardá-la escondida atrás de qualquer porta que assuma recebê-la. Então não pareço que estou somente de passagem. E os que nem mala levam? Uma sacola apenas, que já prediz ser a visita breve. Muitas vezes gostamos tanto desta visita que na sua chegada a primeira coisa a perguntar é, onde estão suas malas?
Bejus.
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