23 janeiro, 2005
Aranhas, beijos, picadas
Quem disse que aranha não beija? Basta cair na sua teia que lá vem ela, de lingua pra fora, querendo beijar. As aranhas se dividem em duas espécies. As aracnídeas e as humanas. As aranhas mesmas, aquelas nojentas, lançam os fios da teia pela cloaca. Já as aranhas humanas arremessam uma teia invisível, virtual, que prende sua vítima pelo lado psicológico. Quem é a mais malvada? Ambas. Ficam lançando teia toda hora, conforme a intensidade da fome, afetiva. E quanto ao beijo, lá vem ele junto à picada, indolor, imperceptível, que provoca a descarga da serotonina deixando a gente naquele estado de torpor. Pior que isso vicia. E vai beijo, e dá-lhe beijo, e bota beijo. Coisa boa esta aranha beijadora! Neste momento, coisa melhor não há.

