02 janeiro, 2005
Celebrando a entrada do ano

Ontem resolvi fazer meu almoço de Ano Novo. Aqui, qualquer data é motivo para assar um churrasco. Mas se o Ano Novo começa sem ele, poderemos estar condenados a não comer mais carne boa y otras cositas más. Então reuni todos os apetrechos e subi a Serra na direção deste recanto da foto e me instalei com os procedimentos necessários para um bom churrasco. Não sei porquê mas nesta data, para qualquer gaúcho que se preze, não pode faltar um corte de cordeiro. Aquele cordeirinho tenro ainda mamão, que nem sequer foi capado, tipo Agnus Dei. Então ganhei de presente da amiga Hélia vinda nos visitar, meia carcaça de um cordeiro diretamente da região de Jaguarão, fronteira com Uruguai. É o máximo de agrado e carinho que esta criatura poderia me ofertar. Quando a recebi na rodoviária, entre um abraço quebra-costelas e outro, me falou: "Mas báh tchê meu querido amigo Beau: vim lhe trazer o borrego más lindo criado entre dois arroyos, o Jaguarão Chico e o Milchadero. Pasto bueno. Melhor no hay!" e me entregou pessoalmente em mãos. Ela com seu sotaque de gaúcha da fronteira, já me acostumei com seus trejeitos. E sendo ambos desta mesma província de São Pedro, acabamos sempre nos entendendo bem. Saboreamos este cordeirinho tão gostosamente como uma dádiva divina, como se estivéssemos numa história do Velho Testamento, algo assim, contado pelo próprio profeta Abrahão.
Comments:
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Não sei se teria coragem de comer com tanto prazer um bichinho tão tenro como este....
Doce, inocente e servindo à luxúria humana.
Lucia
Doce, inocente e servindo à luxúria humana.
Lucia
É! Existe sempre o outro lado. O meu cunhado não pode ir ao açougue comprar frango para o almoço. Ao ver o bichinho no balcão refrigerado com a cor da pele branca, criogenizada, ele pensa que está no necrotério das aves e aquilo exposto lá não passa apenas de mais um cadáver. São pontos de vista, não são?
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