20 dezembro, 2005
Os(as) anjos(as) de Natal
Várias vezes ouvi falar que o Pastor é o responsável por suas ovelhas. Mas conforme eu percebi na paróquia, o rebanho começa a ficar cada vez mais reduzido. Que estranha anja era aquela, com asas de isopor, que adentrou no altar da igreja onde encenavam a história de Natal? Ela vestia camisola de tecido barato, colorido. E para contradizer que anjos não tem sexo, nesta sim, resplandeciam seios polpudos, aguçando minha imaginação sobre a moça bem nutrida que estava dentro dela. Isso fez relembrar meu aprendizado religioso nos cultos dominicais quando criança. Fiz o papel de José (um josé loirinho) onde os anjos, com asas de ganso, incitavam Maria a mudar o script e dizer em público: "Ich habe ein Kind in mein Bauch" ou seja, "eu tenho uma criança na minha barriga" o que na época ouvir isso de uma menina era um grande pecado e assim acabamos de escandalizar os fiéis que se espremiam nos bancos e lotavam a igreja. Mas desta vez eu vi a igreja vazia. Um gato pingado aqui, outro acolá. Então os anjinhos se postaram diante de nós e liam frases desempolgadas da história do nascimento de Jesus Cristo. Na manjedoura, Maria e José seguravam um pano amassado que deveria conter algo dentro, ou seja, um bebê recém nascido. Pobreza de cena! Pobreza de espírito! O que salvou a noite, foi o final do teatrinho quando o coral, acompamnhado de piano, entoou um belo Oratório de Natal de Camille Saint-Saëns onde o regente, meu amigo, sabe muito bem como extrair sangue da pedra. Acabei tirando minhas conclusões: o fato da pouca freqüencia nas igrejas não está ligado diretamente aos apelos materiais? Afinal, estamos na véspera do Natal, isso deve explicar tudo.

