06 junho, 2004
O homem dos contras
Alguém se recorda do Reagan? Aquele ator de filmes de bang-bang que se tornou presidente dos Estados Unidos? Bom, como todo mundo um dia morre, o coitado (do verbo coitar) também morreu. Mas ao menos é bom lembrar dele quando ainda indignado por ter perdido a guerra do Vietnã, o mocinho decidiu investir contra o Irã quando o povo de lá, mediante uma revolução, contrariou os interesse americanos, se libertou e recuperou a identidade própria. Ele e a CIA resolveram pedir uma verba ao Congresso de apenas pouquinho mais de bilhões de dólares para subverter os iranianos a um movimento contra a revolução. Foi um fiasco. Além disso, metade desta verba foi desviada para tentar reconduzir ao poder o ditador Anastásio Somoza da Nicarágua, recém deposto pelos patriotas sandinistas, lembram? Financiaram então um exército de mercenários chamados "Os contras". Fizeram um embargo comercial para transformar a Nicarágua num Estado de miseráveis para se rebelarem contra seus chefes. Lembram? Com este embargo, enquanto o povo lutava, agremiações de estudantes de muitos países, inclusive do Brasil deslocaram-se até lá para ajudar na colheita da canade açúcar, banana e café. O Reagan deu asilo político a esse ditador e quando descobriram a maracutaia do dinheiro desviado decidiu ficar contra o "amigo", mandando-o para o Paraguai, também governado por um ditador, o Stroessner. Pensou que assim, ele lá longe no ostracismo de outra republiqueta de bananas seria esquecido. Lembram? Não deu outra. algum tempo depois, sandinistas disfarçados de produtores cinematográficos partiram via Brasil para o Paraguai e acabaram, também cinematograficamente, com a raça do Somoza. Lembram? Ô Reagan. Quê trajetória! Afora o que não se sabe. Afora o que o NYT não publicou. Afinal, o Reagan morreu sem saber porque aumenta cada vez mais no mundo o espírito anti-americano. Isso não precisamos lembrar. Isso todo mundo sabe.

