23 outubro, 2006

 

A banalização do beijo


Este texto não é meu, é de Mino Carta. Quando o li, parece que adivinhou meu pensamento sobre a questão que envolve o beijo.

Vai aí:

"Sou de um tempo em que o beijo era racionado. Na minha família, troca de beijos só em ocasiões especiais, despedidas ou retornos de viagens demoradas, noites de Natal e Fim de Ano, almoço pascal, aniversário. Os elegantes beijavam a mão das damas, soerguendo de leve o salto do pé direito, ou fingiam beijar, a deter o gesto a meio centímetro, mais ou menos, do dorso da mão feminina. Faz algum tempo que as mulheres, velhas, moças, balzaquianas ou meninas, todas sem exceção e idêntica determinação, esticam automaticamente suas faces na minha direção, à espera do ósculo de praxe. No encontro e no adeus. Confesso, desolado, que o fato me irrita. Sinto-me, nestas oportunidades, vítima de prepotência. De resto, na minha perspectiva, a banalização do beijo é insuportável. Mas o tormento fermenta. Agora até cavalheiros de idades variáveis me deram para propor suas faces ao meu beijo vexado."

Daí eu me lembrei:
A nova onda agora é além de se beijar nas face, ainda ter as costas esfregadas com as mãos.

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