05 setembro, 2006
Nunca se sabe. . .
Nunca se sabe o que pode acontecer quando tiver de tratar com uma gerenta de banco. Pode dar até início um namoro. Você fica frente a frente observando. Do outro lado ela se fazendo de fria e calculista estudando suas reações. Tanto de um lado como do outro, um mínimo franzir de testa, um piscar de olhos ou um pequeno tremer de lábios pode significar, entre outras coisas, muitos algarismos antes da vírgula. Você diz que precisa tanto..., que ela pode lhe ajudar. Ela replica que os números não fecham mas que vai tentar. Quanto mais você argumenta, mais ela se aproveita da sua beleza ofertando produtos virtuais. "Não vai levar um cartão de crédito para ajudar a congregação do banco? Uma quota de contribuição para os desajustados sociais? Um título da Santa Casa de Misericórdia?". Diz ela que isso se chama Responsabilidade Social. Os tempos mudaram, os tempos são outros. Agora virou moda praticar caridade. Melhor dizendo, os bancos estão mais se parecendo albergues captadores de contribuições sociais. Ah se Marx ainda estivesse vivo iria negar toda sua obra sobre os defeitos dos capitalismo. Os bancos se converteram ao franciscanismo. No último balancete foi demonstrado ser mais atraente o "ganho espiritual". Afinal, não é assim que age o pastor Edir Macedo? A Igreja Universal não precisou se converter em instituição financeira para prosperar? Para mim, banco tem de ser bonito, tem de ostentar riqueza e parecer bem sucedido. Afinal é por isso que ele é banco. God is money! Tá bom. Na despedida, você chega à conlusão de que a gerenta na verdade é uma freira. E no derradeiro aperto de mão acontece o seguinte diálogo:
Ela: - "Nunca se sabe, noutra situação, podemos novamente conversar".Você: - "Nunca se sabe, as coisas podem mudar".
E me afastando do banco, articulo o que realmente queria dizer: "Nunca se sabe... as coisas podem mudar e ái de ti se um dia te pego com o pneu furado sem estepe para trocar".
Moral da história, não aconteceu namoro nenhum, mas...
AMOR E ÓDIO, SÃO COISAS QUE SE CONFUNDEM


