25 abril, 2005

 

No cartório

Já faz uns trinta anos que utilizo sempre o mesmo cartório para autenticar documentos e reconhecer firmas. Entre os muitos funcionários, lembro que um dia, colocaram no caixa uma moça, que recebia os valores e devolvia as folhas carimbadas. Era uma morena bonita, vistosa, de cabelos longos, lisos. Sua posição de atendente ficava num nivel inferior ao balcão do guichê o que favorecia bem ver as saliências dos seios, polpudos e fartos. Era tudo o que um desmamado da vida imaginava um dia possuir. Quando levantava a cabeça, eu observava sua boca e os lábios carnudos harmonizando com o olhar meigo e isso botava fogo na minha fantasia de seduzí-la, roubá-la e depois fugir para uma ilha tropical, perdida e deserta no Oceano Pacífico para o resto da vida. Ilusões, desilusões, um dia ela foi substituida por um rapaz mal barbeado, não muito simpático. O cartório foi adquirindo novamente aquela atmosfera burocrática parecendo que até a voz que chamava a senha, era um nhém, nhém, nhém repelente. Os dias se passaram e hoje, dentro desse mesmo local, ao rever um conhecido, ele me confidenciou que no tempo dela, nunca havia reclamado dos valores cobrados e não se importava de quanto seriam enquanto aquela morena, aquela boazuda, aquela fêmea ainda se encontrava lá. E baixinho entre-lábios, me disse: "Nem que fosse morar no Pólo Norte. Com esta morena, eu iria". Fiquei com um ar de paisagem, pensando, só pensando.


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