12 abril, 2005
As chagas do exame
Fui buscar hoje, o resultado do exame para identificar se estava ou não infectado com a Doença de Chagas - aquela, do caldo de cana. Chovia o que Deus mandava. Me esquivando dos pingos sob a marquise, ganhei a entrada do edifício onde se situa o Laboratório e ao embarcar no elevador que leva para o 2° andar, a ascensorista me cumprimentou de um modo muito estranho. Depois, o corredor que conduzia até aquela porta, parecia infindável. Adentrando na recepção, notei que não havia ninguém além de eu mesmo e naquele tumbular silêncio entreguei o protocolo para a recepcionista, que me ordenou à sentar e esperar a impressão eletrônica. Enquanto digitava não sei o quê atrás do balcão, por vezes levantava os olhos e me observava com um ar severo. Por que meu coração palpitava tanto? Por medo do Tripanossoma, ou por medo Dela? Finalmente se pos em pé, e num ar solene me conclamou em voz alta e clara. Olhei para os lados e realmente tinha que ser eu. Estendi a mão recolhendo de vez o tão esperado envelope. Por que tanto drama? Num ímpeto rasguei o lacre e puxei o papelzinho para fora. Coragem, pensei eu. Da primeira vez que li, achei as letras um pouco turvas, mas na segunda, lá estava escrito: CHAGAS - SORODIAGNOSTICO - MÉTODO EIE: Não reagente - MÉTODO IFI: Não reagente. Como se eu fosse absolvido das chamas do inferno, me iluminei de tal forma, que até a moça do elevador se despediu de mim com um "bom dia", sorrindo.
Beijos
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