16 março, 2005

 

Quase

Poucos artigos me tocam tanto como este que o Fernando Veríssimo escreveu. Sem maiores comentários faço das palavras dele, as minhas.

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perderam por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna, ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, mas sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória e desperdiçar a oportunidade de merecer. Para erros há perdão, pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu....


Comments:
Quem quase vive já morreu...
Nao há coisa mais triste que isso, o texto é impressionante e a verdade nele inquietante.
Belíssima escolha Beau.
Beijos
Lucia
 
"Evitar a felicidade com medo que ela acabe é o melhor meio de ser infeliz"
Tenho refletido muito sobre esta frase nos ultimos tempos... Isto é de igual forma um QUASE...
Gostava de aprender a evitar os quases da minha vida e ter a coragem de agarrar as oportunidades sem pestanejar. Mas viver é aprender também ;)
Beijos

Lanna_Lang
 
Há quases Beau que são como se de verdade fossem....
 
Postar um comentário



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?