21 novembro, 2004
Teatro da vida
Recostado no espaldar da cama, olhava para a janela com a cortina entreaberta. Sabia de quem estava de fora não podia me ver sem roupas naquela posição. Fiquei pensando, quantas cortinas já abrigaram situações de intimidades. As vezes ao acaso, faço um certo exercício de imaginação em descobrir o que se esconde atrás deste recurso protetor. Por vezes alguém esquece a lâmpada do abajour acesa no fundo da peça, e sua própria sombra é projetada na cortina como se fosse uma tela improvisada. São infinitos os dramas do cotidiano, mas imagino as cenas de amor, de afeto, de ódio ou ciúme as mais representadas. Parece que, quem relacionou os sete pecados capitais, se inspirou nessas observações corriqueiras. Num desses passeios pelas calçadas, ao desviar minha vista para uma janela, percebi um pequeno afastar do tecido e uma figura de rosto apreensivo se desvendou. Pelo olhar distante, seria alguém arrependida por desprezar quem mais amava? Ou no franzir da testa a esperança para quem gostaria de ver chegar? Ao descobrir meus olhos, surpresa como num teatro, fez cair o pano, como dando, por encerrado o ato.
Considerando que tens o hábito de conversar com as estrelas, isto não é novidade, não...
Bjus.
Tenho o hábito desde que consigo me lembrar, de andar pela rua a pé, ou mesmo de carro a observar insistentemente as janelas iluminadas das casas e apartamentos na esperança de que alguma cena da vida se apresente pra meu deleite. É a vida vivida por estranhos, mas deleitosamente observada por mim.
Seria isso uma insatisfação da minha própria realidade? Seria inveja da vida alheia?
Duvido um pouco, pois minha maturidade hoje me diz que por mais feliz que a cena seja, no fundo aquelas pessoas também como eu tem preocupações, incertezas, inseguranças e esperanças vãs....
Beijos grandes pra você meu lindo.
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