26 novembro, 2004

 

Nada se cria, nada se perde...

"Eu não queria ter iniciado esta empreitada. Eu desconfiava que não daria certo. Mesmo assim, estava alí. Eu não queria assinar o contrato sem ler antes, não havia tempo. Também, ninguém explica nada! O tempo urge (por que o tempo sempre urge?). Então as coisas são feitas nas coxas. Aquele senhor de gravata não era simpático. Pegou o papel e disse, assine aqui. Tinha voz de sorro-manso. Faltava elucidar detalhes técnicos. Então o outro me cutucou com o braço como quem diz, assina, assina. Eu tinha somente dezessete anos quando comprei meu primeiro carro em sociedade com um amigo. Um Gordini de terceira mão. Foram leves as prestações. Não durou o tempo de terminar de pagá-las! As vezes me ocorre, no quê mesmo foi trasformado e o que sobrou de meu carrinho? Num certo dia fiz uma visita à Siderúrgica Gerdau e olhando aquele enorme panelão com aço fervente, ferro e latão, eu compreendi onde ele foi parar: no outro lado da linha de produção, vi aparecerem rolos e rolos de arame liso e farpado. Prontos para serem vendidos por este mundão afora. Romanticamente me conformei pensando nos quantos lençois marcados de amor, seriam lavados, postos ao sol, suspensos nestes mesmos arames nos fundões das fazendas e quintais?


Comments:
Só espero que tais lençóis não sejam estendidos para secar nos arames farpados ;)
Bem, pensando melhor antes os lençóis esfarrapados que o amor...
Beijo grande BÔ
 
Postar um comentário



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?