23 outubro, 2004

 

Torres


Já começo a sentir os dias mais quentes, lembrando como será o próximo verão. E pensando nas férias, me encontro rascunhando algum plano para ver onde as vou passar. Lembrei dos tempos que frequentava a praia de Torres. É a mais bela praia e também a mais sofisticada. A única em termos de beleza natural do Rio Grande do Sul, divisa com Sta. Catarina, o que faz muitos veranistas preferirem locais neste outro Estado. No entanto, quem decide ir em direção ao sul, encontra um enorme vasio árido de dunas e areia que vai terminar somente no Uruguai onde novamente aparecem algumas saliências e pontas que se adentram no oceano. Uma delas justamente tem o nome de Punta del Este. Torres, por sua vez, como num cartão postal, a natureza lhe propocionou três magníficas rochas verticais escuras, de basalto, contrastando com a cor da areia e o vai e vem das ondas do mar. Na época, éramos todos adolescentes e o que mais nos excitava era ver o movimento dos banhistas e principalmente das meninas exibindo o corpo sem pudor ou com as roupas da moda dando-lhes uma beleza ímpar, Os rapazes, pareciam reviver aquela história de Narcíso competindo preocupados em saber quem era mais musculoso e malheado entre si. Interessante. O utensílio que não podia faltar era o pente. Cada um portava um pente no bolso do calção e as vezes se penteavam de frente às moças para, talvez, demostrar uma certa sensualidade. Já os mais velhos, os senhores, exibiam o fruto do sucesso financeiro, ostentando seu carro esporte, passeando com mocinhas, na maioria amigas de suas filhas ou sobrinhas, dando assim proteção às piadas dos invejosos do tipo "do que vale um carrão se só anda sozinho". E assim, até o mar parecia se exibir ao bater nos rochedos, produzindo um certo temor ao mostrar sua força grandiosa e única, que por mim era mais admirada que os dotes físicos daquela garota que pensava estar esculpida suficientemente para me impressionar (ai). O poder natural das coisas ainda me excita. Assim como a força do mar, a natureza das pessoas ainda mais me impressiona. É nela que me agarro as vezes, como complemento à simples visualização do corpo que dá um prazer instantâneo. Já pelo interior do caráter, da personalidade e da alma, por isto sou permanentemente seduzido. É o intermezzo o que complementa a relação, tão boa que nem se vê a hora passar.

Comments:
Bom demais né Beau gastar a vida só olhando o mar. Mar sempre me lembra Jorge Amado, e porque não dizer Dorival Caymme.
Imagino quão lindas devam ser Torres, Punta Del Leste.. ainda quero conhecer, estão nos meus planos. Apenas me refiro a ter ficado na minha cabeça de gente do interior do Paraná, histórias e personagens destes dois baianos que tratavam de forma intrínseca pessoas e mar, como se fossem uma só entidade.
No mais, tenho vergonha de dizer que praticamente nada conheço do Brasil.
 
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