22 outubro, 2004
Cantata do café
Coisa estranha eu estar pedindo atenção, fazendo concorrência até com colibrí, este passarinho tão frágil. Coisa estranha eu implorar, como no Inferno de Dante, para não esquecerem de mim. Em matéria de afeto todos nós temos algo em comum quanto as nossas carências. Resolvi então deixar de pedir pateticamente socorro para qualquer coisa que minha emoção não possa administrar. Não teria sido melhor que ontem, eu ir ver a apresentação de um grupo de músicos que apresentaram o "Kaffeekantate" de J. S. Bach (1685-1767) no Instituto Goethe que fica nos altos do bairro Moinhos de Vento. A história se passa numa cafeteria, onde na época de Bach, mulheres não eram bem vistas tomando café. E lá estava a Lili, com uma xícara na mão, com pai querendo dissuadi-la em deixar deste vício e de troca oferecendo até um marido para ela casar. Feliz da vida com a insinuação do pai, logo começou a procurar entre os habitués do café, o moço mais garboso, terminando que descobriu nele um outro viciado que a aceitava, mesmo sabendo da sua dependência . Não chega a ser uma opereta, muito menos um musical. Era simplesmente uma cantata, com instrumentos de corda modelos antigos - violinos, violoncelo e contrabaixo, um cravo mais um alaúde. Quem cantava era uma Soprano, um Tenor e o pai, claro, com a voz Baixo. Tudo com encenação, eles mesmos sendo os atores. Mergulhei um pouco nas minhas origens alemãs. Um pouco no humor irônico-sarcástico-espirituoso que volta e meia ainda me fazem convivência real. Encantador.
Kisses
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