27 agosto, 2004
Sobressaltos
Sabe quando a gente recebe um susto por alguma coisa que logo depois se esvanece ao descobrir que aquilo não tinha nenhum valor? Mas a adrenalina não se dissipa da mesma forma como foi criada e assim me senti tenso hoje depois do almoço. Imagino o que ocorreu com o Franz Kafka naquela tarde "quando bateram na sua porta e se apresentou um homem que nunca tinha visto antes, com uma intimação judicial para assinar e declarando-o réu, iniciando assim um processo interminável". No meu caso, assaltado todos os dias por 43% de carga tributária, ainda meio sonolento quando aquele homem de preto apareceu de papel na mão, perguntou-me se tinha algum animal de estimação, pois caso positivo estaria oferecendo serviços de saúde, tosa e banho. Desfeito o temor de algum fato imprevisto, depois de digerir a proposta, só me restou lhe devolver um sonoro não. Tenho lido de relance, nas bancas de revistas, como matérias de capa, que está grassando uma síndrome do pânico. Acho que da próxima vez que minha turma de formandos, do tempo do exército, me convidar novamente para um jantar junto às baias da cavalariça, desta vez eu vou aceitar. E se depois, na hora da cantoria, se tiver de relinchar como os outros fazem depois de alguns goles de vinho, também o farei para ver se isso me ajude como terapia. Que tal. Talvez alguém me arrume uma solução melhor. Afeto também resolve.

