11 agosto, 2004

 

Naquela tarde

Naquela tarde de domingo, num verão causticante, na pequena cidade do interior, fui me socorrer na sorveteria defronte à praça principal. Observava o movimento dos jovens. Um grupo em pé na sombra das árvores, outros sentados nos bancos e mais outros na mureta que circundava o jardim. Nenhum vento, nenhuma brisa, uma aparente cena letárgica. Alguns carros iam e vinham substituindo o footing de antigamente. E assim aparentava passar a vida daquela pacata gente.  De repente, uma potente caixa de som transformou aquele ambiente. Despejava um rock pesado e entre uma música e outra encaminhava mensagens solicitadas pelos namorados e os demais. Anotei algumas delas: "Camininha diz ao seu Leãozinho que sabe como matar sua fome"; "Laurita envia uma chave de pernas para o seu amigo de Kung Fu"; "Gisele diz (suspirando): como foi bom me encontrar contigo no meio do milharal". Aparências. Sempre as aparências.


Comments:
Lindo o texto Beau, uma gostosura de se ler.
Remeteu-me às quermesses no final dos sessentas e no inicio dos setentas lá do interior do Paraná.... eita tempinho bão siô!!
Acontecia na praça da igreja matriz e era uma festa para todos, pobres e ricos... todos se arrumavam para ir e a missa era sagrada, ninguém faltava... normalmente as 18:00h, hora da Ave Maria. Depois do dever cumprido o prazer... Os grupos de pessoas por ali se acomodavam, assim como você disse, uns em pé outros sentados em raros bancos ou muretas. Tinha um poste com um alto-falante lá na ponta de onde vinha a musica, um LP certamente rodava na barraca abaixo dele. Eram musicas românticas Beau, e o correio sentimental corria falado e escrito.
Por conta disso que conto, lembro-me também dos parques de diversão... daqueles bem chinfrim (rsrsrsrs), muito me engano ou as musicas pareciam “musicas de zona” ?
RSRSRSRS...
 
As músicas também eram de zona sim, pois o único lugar público permitido das prostitutas ter seu lazer e circularem, era justamente nesses parques xinfrins. Ah, vc esqueceu de falar sobre a 'maçã do amor', aquela caramelada e tingida, que deixava a volta da boca vermelha.
 
“Que a mão do tempo e o hálito dos homens
Murchem a flor das desilusões da vida...”
Machado de Assis

Beau, adorei seu blog, voltarei outras vezes.
Se quiser, visite o meu, será um prazer, tem sempre café fresquinho por lá ;)

www.villadalucia.blogger.com.br

Beijos grandes, foi um prazer estar aqui

Lucia
 
Personagens, protagonistas de uma história... De amor, de amizade, de carinho de compreensão...
Tantas vezes eles gostariam de ser mais do que isto na vida de alguém...
 
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