15 agosto, 2004
da série: "Gostei mais" VII
(Este texto me foi enviado por e-mail e publicado nas palavras originais do remetente. Se você tem algo autêntico para contar, peço que encoraje e envie. Irei ler e interpretar. E num impulso se me permitir suspirar, irei publicá-lo. O importante é o conteúdo por mais singelo que seja e o estilo que retrata a alma do autor. É meu convite à editar. Liberte-se. Dê asas a sua imaginação. Tente voar...)
Falando de Amor. Tem dias na vida da gente que o sol não nasce, pra poder ficar nessa paisagem cinza, molhada da chuva que cai lá de cima e assim só me sobra mesmo uma vontade enorme de me espichar na cama e pensar nessa minha vida.
Chuva sempre me deixa sentindo um grande aconchego dentro da minha casa e me encolho dentro da malha de lã enquanto olho para o morro de pedra brilhante na janela. Parece que a água o banha e traz vida aos poucos ramos verdes que brotam aqui e ali nas entranhas da rocha.
Olho para aquilo e me dou conta do quanto a natureza é magnífica, forte e imperiosa em si mesma e acabo me deixando levar pelas forças do meu coração, pronto para reviver o amor em cada chuva de lágrimas que lava minh'alma.
Ah... esse amor que vive pairando entre nuvens, que se espalha com o vento e sussurra como brisa na minha fronte trazendo a sensação de renovação. Ele chega de mansinho, sem que ninguém o reconheça, se esgueira da minha racionalidade em detectá-lo, se afoga em meu peito e se trancafia lá no lado direito, quieto e sibilante à espera de não sei o que o faça emergir como um vulcão em erupção.
Que amor é esse que surge na minha vida e me faz encantada com a vida à minha volta, que me faz revirar horas e horas a esperar e me traz lágrimas de pura emoção ao partilhar um simples encontro num olhar? Que amor é esse que me deixa agastada por uma palavra, me transtorna o íntimo de desejo e me traz calmaria num abraço?
Desse amor eu não sei, só sinto que ele me ronda noite e dia, me deixa forte e fraca, me dá e tira o sossego, me atormenta o espírito e me dá a certeza de que ele existe dentro de mim, apesar de todas as razões existentes e contraditórias.
Parei de tentar "entender" com que fim amei e amo. Já notei que ele só vai embora quando chega sua hora de dizer adeus, já percebi que ele tem lá sua missão nessa minha vida. Talvez ele entre e saia a cada verão e eu viva no outono a colher os frutos que ele me fez amadurecer, plante flores na primavera´buscando cultivar a esperança da renovação e entre dentro de mim a cada inverno para sentir sua ausência.
O amor tem lá suas esquisitices, suas meiguices e mesmo sendo algo do qual a gente fique à deriva, sem leme ao sabor do seu próprio movimento e tempo, ele é talvez a maior força que existe dentro de cada um de nós. É a seiva da vida que brota inconseqüente a qualquer hora e nos faz renascer e renovar nossas crenças.
Valeu amor, valeu por tudo que você vem me dando ao longo dessa vida.
M.F. - Rio de Janeiro, RJ


