21 agosto, 2004

 

Cena rupestre

Certa vez, no avarandado de um restaurante no alto de um barranco do rio Cuiabá junto a cidade, estava justamente degustando uma porção de peixinhos fritos os quais eram servidos de aperitivo antes do almoço. Observava lá em baixo na outra margem, as lavadeiras num grande alvoroço, lavando roupas e as sovando nas pedras à beira do rio. Na volta delas, como filhotes, fervilhavam crianças, a maioria nuas a se refrescar tomando banho e nadando em rápidos percursos voltando logo para junto das mães. Mesmo de longe, me ofuscava a alvura dos lençois como pequenos pontos brancos postos a quarar no sol. A morena cor de jambo que me acompanhava, fazia parte desse pitoresco quadro. Comentei daqueles tantos lençois que já serviram para arrebatadas noites de amor. Percebi seu sorriso e os olhos ingênuos não desgrudavam de mim. Mal sabia que um dia iria escrever algumas linhas sobre esta cena. O que estaria pensando? Seria também sobre o mesmo assunto que as lavadeiras tanto matraqueavam? No que concernia a ela, isto eu fui descobrir depois.

Comments: beaugeste@estadao.com.br

Comments:
Belo quadro! Recordei de tantas coisas que já me passaram na cabeça olhando esta mesma cena e de outras tantas, em outras cenas, por aqueles lugares...
 
Conte para nós então, voyers que somos, cá estamos, esperando fragmentos de cenas.
Alimente-nos...
Lucia
 
Conte para nós então, voyers que somos, cá estamos, esperando fragmentos de cenas.
Alimente-nos...
Lucia
 
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