21 julho, 2004
Acerca de corredores
Da última vez que fui ao dentista, reparei o corredor comprido onde de um lado haviam só portas e do outro janelas que davam para o lado do prédio. Aquele corredor interminável que mais parecia um pesadelo no qual você caminha, caminha e não chega nunca lá. A luz refletida nos azulejos totalmente assépticos. E a medida que me aproximava da sala do consultório já entrevia meu algoz, todo de branco, com um sorriso sarcástico me acenando com a torquês de aço na mão. Hoje voltei somente para pagar a conta. Novamente, aquele corredor comprido que parece ter sido construido só para me judiar e prolongar a dor que senti, só que desta vez, no meu bolso.
Agora falando sério um pouco nesta linha, já ouviu falar que pode haver uma relação de amor entre o carrasco e o subjugado? Chegam a provar por exemplo que num seqüestro, a vítima pode desenvolver uma relação de adoração para com o seu algoz? É irracional não?
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