05 junho, 2004
Falar com estrelas é coisa séria. É coisa de louco de tão séria. As vezes (no verão) acordo, abro a janela e sem parodiar Olavo Bilac, fico alí a admirá-las. Daí num repente, surge um assunto e conversamos. Para conversar temos regras. Melhor, uma regra só: não vale falar sobre mágoas. Como digo sempre, a vida é feita de boas lembranças. As más a gente apaga.
O pior que pode acontecer para quem dialoga com estrelas é ouvir uma voz ordenando que feche a janela e volte a se deitar. A sensação é a mesma que estourar um balão numa alfinetada. Puff! O sonho, a criatividade, a ceratonina... tudo se recolhe, tudo se acaba. Daí volto a dormir e no outro dia penso que aquilo foi só um sonho. um tanto real mas apenas um sonho.
Não é que ontem, no Fórum do Software Livre, fui à uma palestra sobre 'Gimp' que é um programa de processamento de imagens do Linux. Daí a palestrante, uma menina ainda, mostrou como se insere um céu de estrelas numa foto. A medida que ia explicando, as estrelas iam aparecendo. Eu, de boca aberta, desliguei meu botão de aluno aplicado e só lembrava do sonho... se foi realidade de tão bom que era.
Nas noites em que a alma cobra liberdade, quando no corpo não pode mais ser contida... acordo e vou pra rede da sala onde o janelão me entrega o céu no ventre... temos um trato, a alma e eu.. dispo-me de roupas e deixo-a flutuar sobre mim, ela sai... vai e vem, e enquanto de lua banho a pele com as estrelas namoro, trocamos caricias, inventamos palavras... mas é com os olhos que nos tocamos.
É assim Beau que ouço as estrelas aqui, e só depois... aos poucos... vou ouvindo os sons, o vento... mas só depois que já contei a elas todos os meus segredos de amor.
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