02 junho, 2004

 

Este é o mês das festas juninas. Entre outras festas, também é a do "dia dos namorados" (tá, deixa o dia dos namorados pra quando ele chegar). Diferente do nordeste, festas juninas aqui, só no dia de São João. É sinônimo de montar fogueira, comer pinhão, pipoca, e tomar "quentão". Explico que o "quentão" é preparado com uma mistura de vinho tinto e aguardente com pitadas de canela. Isso tudo vai na panela e bem aquentado até começar a ferver. Daí, servido, esquenta até a alma pois o frio de inverno apetece. Mais ainda para quem está sozinho. Pipoca todos sabem, combina até com rituais em terreiros de outras religiões. Fica o chão pontilhado de branco dos que escapam da gula das bocas mais afoitas.  Mas sobre o pinhão: fruto de nossos pinheiros nativos, rico em carbohidratos, é fervido dentro de um latão com água e sal ou assado direto sobre as brasas. Entre a alegria das crianças, gritos dos cuidados das mães e a medida que a fogueira se consome, a luz bruxuleante dança nos rostos das pessoas que estáticas ficam admirando, admirando, com o pensamento longe muito longe numa cena patética porém bela por demais.


Comments:
Cai cai balão,
Cai cai balão,
No dia de São João,
Não cai não,
Não cai não,
Não cai não,
Cai aqui na minha mão.

Cai aqui cai, na minha mão...
 
Sabia que aprendi esta cantiga sem nunca ter visto um verdadeiro balão ao qual ela se refere? Nossa tradição aqui do sul, não usa balão com chumaço de fogo que produz o ar quente que o eleva ao céu. A conciência dos mais velhos não permitiria esta prática pois estaria totalmente fora do bom senso. Mas que me causava uma imensa curiosidade, isso me causava. Até hoje me causa porque nunca vi. Além de tudo, ainda gosto muito desta canção popular.
 
Ah, acho que assim como "O cravo brigou com a rosa" e a "Teresinha de Jesus", o Villa-Lobos também adaptou o "Cai cai balão" em suas Cirandas e Cirandinhas.
 
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